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investigação

Milton Leite e família são sócios de empresas que somam mais de R$ 52 milhões de capital

Ação contra infiltração do crime organizado no transporte de SP revela que Milton Leite administra diversas companhias com alto capital social

Estadão Conteúdo

22 de setembro de 2026 às 15:06

( Foto: Imagem: Alesp )

Preso em uma operação que investiga a infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) no sistema de transporte de São Paulo, o ex-presidente da Câmara Municipal da capital paulista Milton Leite (União Brasil) figura como sócio e administrador de um conglomerado empresarial cujo capital social chega a R$ 52.017.422,00 milhões. O Estadão entrou em contato com a defesa do ex-parlamentar e aguarda retorno.

A informação foi divulgada inicialmente pelo jornal Folha de S.Paulo e confirmada pelo Estadão.

Segundo registros oficiais da Junta Comercial de São Paulo (Jucesp), a estrutura empresarial do clã reúne o ex-parlamentar, sua mulher, Neusa Maria Paulino da Silva, e seus filhos - entre eles o ex-deputado estadual Milton Leite Filho e o ex-deputado federal Alexandre Leite.

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Milton aparece como sócio em cinco empresas, de acordo com a Jucesp. O principal empreendimento da família Leite é a Planevia Planejamento, Projetos e Consultoria Técnica, cujo capital social registrado é de R$ 34.417.422,00.

O ex-vereador é apontado como sócio-administrador da empresa, de acordo com a Rede Nacional para a Simplificação do Registro e da Legalização de Empresas e Negócios. Dois filhos do ex-vereador Alexandre Leite e Milton Leite Filho constam como administradores.

Outra empresa que consta na lista de empreendimentos da família é a Neumax Atlantica SPE LT, com capital social de R$13 milhões. A firma possui como sócia majoritária outra empresa do grupo, a Neumax Construtora e Incorporadora, de capital social de R$1 milhão. Milton Leite consta como administrador nos dois casos.

O patrimônio e as relações comerciais da rede de empresas da família Leite vêm sendo monitorados por investigadores em meio a apurações sobre desvios no sistema de transporte coletivo da capital.

Reportagem do UOL publicada em 2024 revelou que a Neumax mantinha contratos de locação de um conjunto industrial e de um imóvel com a Transwolff, operadora do transporte coletivo da capital paulista, pelo valor mensal de R$ 812 mil. À época, o Ministério Público de São Paulo (MP-SP) apontou o que classificou como um "estreito relacionamento" entre o ex-presidente da Câmara e a cúpula da empresa de ônibus, hoje investigada por suspeita de lavagem de dinheiro para o crime organizado.

A decretação da prisão temporária de Milton Leite pela Justiça paulista decorre de investigações que miram o avanço de organizações criminosas sobre concessões públicas e contratos de transporte na cidade.

O ex-vereador aparece ainda como sócio nas empresas Lesimo Sondagens, Projeros e Construções LTDA, com capital de R$600 mil, e a Sorocaba Neumax SPE LTDA, de R$3 milhões de capital social.

A defesa do ex-parlamentar ingressou com pedido de habeas corpus no Superior Tribunal de Justiça (STJ) para tentar reverter a medida cautelar, sustentando sua inocência e apontando comorbidades de saúde.