Justiça condena a 17 anos 'coaches de sedução' por turismo sexual para estrangeiros
De acordo com a acusação, Firestone e Castro Junior organizaram o curso em São Paulo em fevereiro de 2023
A Justiça Federal condenou em São Paulo o americano Mark Thomas Firestone e o brasileiro Fabrício Marcelo Silva de Castro Junior a 17 anos e 6 meses de prisão. A dupla foi acusada de promover turismo sexual para estrangeiros de alto poder aquisitivo. A decisão, da 4ª Vara Criminal Federal, acolheu denúncia do Ministério Público Federal (MPF) referente a um curso e uma festa realizados em fevereiro de 2023 na capital.
De acordo com a acusação, Firestone e Castro Junior organizaram o curso em São Paulo em fevereiro de 2023. O objetivo era ensinar técnicas de sedução de mulheres aos clientes. O treinamento culminou em uma concorrida festa em uma mansão no Morumbi.
Curso de sedução e exploração sexual
A Procuradoria informou que dezenas de mulheres participaram da festa. Elas teriam sido induzidas a comparecer sem saber o verdadeiro intuito do evento. Algumas das vítimas eram menores de 18 anos à época dos fatos. Os dois condenados ainda podem recorrer da sentença.
A condenação ocorreu por favorecimento da prostituição ou de outra forma de exploração sexual, inclusive de crianças e adolescentes. Os crimes estão previstos nos artigos 218-B e 228 do Código Penal. As penas foram definidas com base na identificação de sete vítimas, sendo duas delas menores de idade.
A investigação revelou que o chinês e o americano eram responsáveis por um empreendimento internacional. Esse negócio promovia cursos de relacionamento em locais com histórico de violação de direitos femininos. Antes de São Paulo, o treinamento havia passado por países como Costa Rica e Colômbia.
Em anúncios do curso na capital paulista, os organizadores faziam referência expressa aos atributos físicos e sexuais das mulheres brasileiras. Cada inscrito desembolsou quantias que variavam de US$ 4 mil a US$ 50 mil para participar do módulo.
Festa no Morumbi e vítimas
O evento na mansão do Morumbi, em 26 de fevereiro de 2023, marcou o encerramento das atividades do curso. O procurador da República Michel François Drizul Havrenne foi o autor da denúncia.
O Ministério Público declarou que a confraternização tinha como pretexto "proporcionar aos participantes a oportunidade de colocar em prática os conhecimentos teóricos adquiridos". Os alunos estabeleciam relacionamentos com mulheres por meio de aplicativos. Elas não eram avisadas do real propósito da aproximação.
Para atrair mais mulheres, convites foram veiculados em redes sociais. As postagens não mencionavam a finalidade real da festa. Indicavam que as convidadas estariam isentas de custos com deslocamento, ingresso e consumação. No dia da celebração, não houve checagem de identificação, permitindo a entrada de menores.
Uma equipe de filmagem registrou a festa, além de encontros em casas noturnas e restaurantes. Muitas vítimas só souberam que participaram como "iscas e cobaias" do treinamento quando viram suas imagens publicadas em vídeos nas páginas do curso em redes sociais.
Ambiente de exploração
Testemunhas foram unânimes ao descrever o ambiente da festa. A presença feminina era superior à de homens, quase todos estrangeiros. Vítimas relataram a circulação de informações sobre atos sexuais praticados em áreas restritas da mansão.
A sentença da 4ª Vara Criminal Federal de São Paulo confirmou que as mulheres foram submetidas a um "experimento projetado pelos idealizadores do curso". A decisão judicial ressaltou:
- "Os alunos do programa não vieram a São Paulo a passeio, pretendendo conhecer os pontos turísticos da cidade, mas sim com o intuito de promover um execrável turismo de natureza sexual em território paulistano."
- "Para isso, selecionaram criteriosamente o perfil das mulheres que se submeteriam às técnicas de conquista ensinadas pelos coaches, notadamente pessoas jovens e de origem humilde, que, na visão dos participantes, seriam mais suscetíveis às falsas promessas."
Um terceiro envolvido, um cidadão chinês, também foi denunciado. Contudo, seu processo foi desmembrado e suspenso, pois ele não constituiu defesa nem se apresentou à Justiça.
Atuação do réu brasileiro
As investigações apontam que Fabrício Marcelo Silva de Castro Junior atuou como sócio oculto dos organizadores. Ele mantinha contato frequente com os outros envolvidos. Castro Junior negociou a locação da mansão e indicou profissionais para trabalhar na festa.
Além disso, ele convidou e recepcionou pessoas e tinha pleno acesso a todas as áreas do imóvel durante o evento. O réu brasileiro já teve a prisão preventiva decretada e atualmente está foragido.
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