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Gustavo Munis, jovem morto pela PM, fazia tratamento psiquiátrico e não tinha antecedentes

Estadão Conteúdo

12 de outubro de 2026 às 14:12

Alerta: a reportagem abaixo trata de temas como suicídio e transtornos mentais. Se você está passando por problemas, veja ao final do texto onde buscar ajuda.

Gustavo Munis de Santana, jovem de 20 anos que foi executado durante uma abordagem da Polícia Militar em São Paulo não tinha antecedentes criminais. Ele fazia tratamento psiquiátrico e morreu após ser baleado com mais de 20 tiros pelos policiais, que foram acionados pois o rapaz estava "transtornado" e ameaçava tirar a própria vida.

Segundo o boletim de ocorrência, os policiais suspeitaram que Gustavo tinha uma arma na mão, mas a perícia constatou que se tratava apenas de um celular. Ele morava com as irmãs e a mãe e fazia o uso de antidepressivos desde o ano passado.

A morte do jovem gerou revolta entre familiares e amigos, que criticaram a conduta dos quatro agentes da PM.

"Quem deveria servir e proteger, mata e oprime. Fardas que deveriam nos proteger. Armas que escolhem oprimir. Quem nos defende de quem nos mata?", escreveu Felipe Viandier, um dos amigos de Gustavo, em publicação nas redes sociais.

Em entrevista ao SBT, a irmã do jovem negou que ele estivesse armado. "Eles estão tentando tachar meu irmão como se ele estivesse tentando roubar; como se ele estivesse tentando fazer alguma coisa errada ou como se o meu irmão estivesse armado. E nada disso é verdade", disse a mulher.

Outros amigos de Gustavo também lamentaram a sua morte e relembram momentos com o jovem.

"Quantas vezes era só nós 3 na beira de uma calçada, dando risada até do vento, rachando uma casquinha de 3 reais se fosse preciso, tomando água de torneira de posto junto, pelo simples fato de estar junto ser o suficiente. Como disse irmão, a simplicidade e a humildade é o legado que ficam", afirmou Kaique Santos.

Davi Soler fez uma publicação com diversas fotos ao lado de Gustavo e exaltou a amizade de anos. "Desde quando a gente se conheceu, eu sentia uma energia diferente em você, uma felicidade, uma luz, você era único, meu irmão", disse.

O caso de Gustavo Munis

Gustavo foi morto por quatro agentes da PM no bairro Planalto Paulista, na região de Moema. Segundo o boletim de ocorrência, obtido pelo Estadão, os policiais dispararam um total de 45 tiros, dos quais 27 atingiram a vítima.

Conforme o registro policial, após a chegada da primeira viatura, o rapaz atravessou a passarela e se abrigou em um imóvel na Alameda dos Guaramomis.

Ele ainda teria saído de uma área escura, corrido em direção aos policiais com os braços estendidos e apontado um "objeto escuro", que, mais tarde, foi identificado como um celular. A Secretaria da Segurança Pública do Estado (SSP) investiga o caso.

O corpo de Gustavo foi velado nesta segunda-feira, 12, e o sepultamento está previsto para 13h30 no Cemitério Congonhas na capital paulista.

Como buscar ajuda

Se você está passando por sofrimento psíquico ou conhece alguém nessa situação, veja abaixo onde encontrar apoio.

Centro de Valorização da Vida (CVV)

Se estiver precisando de ajuda imediata, entre em contato com o Centro de Valorização da Vida (CVV), serviço gratuito de apoio emocional que disponibiliza atendimento 24 horas por dia. O contato pode ser feito por e-mail, pelo chat no site ou pelo telefone 188.

Canal Pode Falar

Iniciativa criada pelo Unicef para oferecer escuta para adolescentes e jovens de 13 a 24 anos. O contato pode ser feito pelo WhatsApp, de segunda a sexta-feira, das 8h às 22h.

SUS

Os Centros de Atenção Psicossocial (Caps) são unidades do Sistema Único de Saúde (SUS) voltadas ao atendimento de pacientes com transtornos mentais. Na cidade de São Paulo, é possível buscar os endereços das unidades nesta página.

Mapa da Saúde Mental

O site traz mapas com unidades de saúde e iniciativas gratuitas de atendimento psicológico presencial e online. Disponibiliza ainda materiais de orientação sobre transtornos mentais.