Governo de Portugal investiga caso de filho de paraense que teve dedos mutilados em escola
Órgãos fiscalizadores e a escola onde ocorreu o incidente abrem apurações formais sobre o ataque ao filho da paraense Nívia Estevam
O caso do menino brasileiro de 9 anos, que teve dois dedos mutilados em uma escola de Portugal, ganhou novos desdobramentos com a abertura de investigações formais. A Inspeção-Geral da Educação, órgão fiscalizador vinculado ao Ministério da Educação português, iniciou apurações. Além disso, o Agrupamento de Escolas Souselo, região onde ocorreu o incidente, instaurou um inquérito interno para investigar o ocorrido.
O ataque ao filho da paraense Nívia Estevam ocorreu no dia 10 deste mês na Escola Básica de Fonte Coberta, em Cinfães, no distrito de Viseu. Segundo relatos, o menino foi seguido por dois colegas ao banheiro, que fecharam a porta sobre seus dedos, pressionando-a até a amputação das pontas. A mãe afirmou que o filho já havia sofrido outras atitudes violentas na instituição, que foram minimizadas.
Consequências imediatas e atendimento médico
A gravidade da situação não foi comunicada inicialmente à mãe. Nívia Estevam só soube da extensão das lesões quando o filho já estava dentro da ambulância a caminho do Hospital de São João, no Porto, conforme informações obtidas por O Liberal. No hospital, o menino passou por uma cirurgia de cerca de três horas. Não foi possível reimplantar os dedos, mas parte de um deles foi utilizada para cobrir a área com exposição óssea. Ele perdeu a primeira parte do dedo indicador e do dedo maior.
A Escola Básica de Fonte Coberta teria tratado o episódio como uma "brincadeira" e limpou rapidamente o local para "não assustar as crianças", conforme a mãe. Nívia acusa a instituição de ensino de falta de transparência e de não ter tomado medidas diante das denúncias anteriores de violência e bullying.
Mobilização jurídica e apoio à família
Diante da repercussão do caso, uma rede de solidariedade foi formada, com um grupo de 24 advogados, em sua maioria brasileiros, oferecendo apoio à família. Eles preparam uma queixa formal ao Ministério Público de Portugal e ações relacionadas à responsabilidade civil da escola. A advogada Catarina Zuccaro, que integra o comitê de apoio, enfatizou que "não se tratou de um acidente", atribuindo à escola o dever legal de vigilância e proteção dos alunos.
A situação gerou represálias à mãe, Nívia Estevam, que perdeu o emprego e precisou abandonar a casa após ser alvo de hostilidades em grupos de mensagens de pais de alunos. A família, que morava a cerca de quatro minutos da escola, teve de mudar de cidade e está provisoriamente na casa de parentes, sem planos de retorno. O bullying sofrido por era motivado pelo fato de ele ser brasileiro, pela raça e pelo peso.
Impacto psicológico e novas expectativas
O menino tem sofrido com pesadelos e necessita de medicação durante a noite. Nívia expressou a preocupação com o trauma do filho, desejando que ele possa voltar a brincar e sorrir. Além disso, a mãe revelou que descobriu estar grávida um dia antes do acidente, após dois anos tentando engravidar. Até o momento, somente o Consulado do Brasil no Porto ofereceu apoio jurídico e psicológico à família.
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