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Geraldo Neto volta a negar feminicídio contra Gisele Alves em depoimento de 8h

As declarações foram dadas durante uma audiência, mesmo um novo laudo complementar reforçar a tese de que Gisele não tirou a própria vida

Estadão Conteúdo

12 de outubro de 2026 às 08:36

Geraldo Neto e Gisele Santana

Geraldo Neto e Gisele Santana ( Foto: Reprodução )

O tenente-coronel da Polícia Militar de São Paulo, Geraldo Neto, voltou a negar à Justiça as acusações de feminicídio contra a soldado Gisele Alves, sua ex-companheira. As declarações foram dadas durante uma audiência, mesmo com um novo laudo complementar reforçando a tese de que Gisele não cometeu suicídio.

Em interrogatório que durou mais de oito horas, Neto afirmou ser inocente e disse que pretende provar que a morte de Gisele Alves foi um suicídio. Esta foi a última oportunidade para que ele apresentasse sua versão antes de a Justiça decidir sobre um possível júri popular.

Gisele Alves, de 32 anos, foi baleada em 18 de fevereiro, no apartamento que dividia com Neto, na Barra Funda, em São Paulo. O casal estava sozinho no imóvel. A perícia concluiu que o disparo fatal partiu da arma do tenente-coronel.

Laudos periciais contestam versão de PM

Desde o início da ocorrência, Neto sustenta a versão de suicídio de Gisele. Contudo, três laudos periciais contestam esta hipótese, descartando a possibilidade. O documento mais recente indica ser impossível que a policial tenha atirado contra a própria cabeça.

Um dos pontos contestados é a versão de Neto de que encontrou a companheira caída na sala após sair do banheiro. Uma reprodução simulada revelou que uma árvore de Natal no ambiente encobria a visão do local onde Gisele estava.

O tenente-coronel alegou que a árvore não estava ao lado do sofá e acusou investigadores de alterar sua posição. No entanto, imagens das câmeras corporais dos policiais que atenderam a ocorrência registraram a árvore intacta na sala.

Um bombeiro que socorreu Gisele confirmou a presença da árvore e relatou a ausência de vestígios de água perto do banheiro. Isso contradiz a versão de Neto, que afirmou ter saído do banho após ouvir o suposto disparo.

Uma fotografia feita pelo bombeiro registrou a arma junto à mão da vítima, apoiada na coxa. O socorrista declarou ter estranhado a cena.

A perícia aponta que Gisele teria sido abordada por trás e imobilizada antes de ser baleada à queima-roupa. Marcas no queixo da policial também foram analisadas.

Vestígios de sangue foram encontrados no banheiro, em uma toalha e na bermuda de Neto. O tenente-coronel contestou as evidências, alegando que a cena foi alterada por agentes.

Mensagens mostram conflitos no relacionamento

A investigação também compilou mensagens que evidenciam conflitos entre o casal. Gisele relatava a familiares e amigos o desejo de se separar, citando o companheiro como possessivo e ciumento.

Doze dias antes de sua morte, a soldado enviou um áudio afirmando que Neto havia colocado a mão em seu rosto durante uma discussão.

Questionado, o policial negou as acusações, sugerindo que Gisele teria criado a situação para incriminá-lo. Ele alegou que ela produzia as mensagens em seu celular e as enviava para si, simulando conversas tóxicas.

Outras mensagens do celular de Gisele revelam discussões sobre o relacionamento e um possível divórcio. Em uma delas, Neto teria escrito que tratava a mulher com autoridade de 'macho alfa', esperando obediência e submissão.

No interrogatório, ele negou ter enviado parte das mensagens apresentadas. Contudo, confirmou ter enviado uma mensagem dizendo que o 'sexo' com Gisele 'era caro', pois ele arcava com as despesas dela.

Apesar de Gisele ter mencionado a intenção de se separar, Neto afirmou que ela não desejava o divórcio. Na audiência, o policial declarou que ele próprio queria encerrar o relacionamento.

Defesa de Neto pede liberdade à Justiça

A defesa de Geraldo Neto solicitou à Justiça que ele responda ao processo em liberdade. O Ministério Público se opôs, argumentando que o tenente-coronel poderia usar sua influência para comprometer o julgamento e interferir em depoimentos de testemunhas.

O oficial permanece em prisão preventiva. Em nota, a defesa declarou confiar na impronúncia do acusado, que o impediria de ser julgado pelo Tribunal do Júri. Cabe agora à Justiça decidir sobre a existência de elementos para que Neto seja levado a júri popular pelo feminicídio de Gisele.