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El Niño no Brasil: governo faz previsões sobre chuva, incêndios e ondas de calor

Instituto Nacional de Meteorologia alerta para chuvas acima da média no Sul e seca no centro-norte, além de risco de ondas de calor e incêndios

Estadão Conteúdo
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O El Niño deve intensificar chuvas no Sul e provocar seca no centro-norte do Brasil entre julho e setembro. A previsão, divulgada pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), aponta também alta probabilidade de temperaturas acima da média na maior parte do país.

Essas condições climáticas elevam o risco de ondas de calor e incêndios florestais no segundo semestre, conforme o primeiro boletim do ano sobre o fenômeno.

A agência norte-americana NOAA confirmou o estabelecimento do El Niño no início de junho. O fenômeno é caracterizado pelo aquecimento da superfície do Oceano Pacífico Equatorial.

Modelos climáticos indicam mais de 90% de chance de o El Niño persistir até o início de 2027. Há também alta probabilidade de que ele seja muito forte, atingindo anomalias de temperatura acima de 2°C na superfície do mar.

Detalhes do Boletim e Impactos Potenciais

O boletim, divulgado em 29 de julho, é fruto de uma parceria entre diversas instituições. Participaram de sua elaboração Inmet, Inpe, ANA, Cemaden, SGB e Sedec.

O Inmet informou que o documento será atualizado mensalmente para fornecer dados contínuos sobre o fenômeno climático.

Marcelo Seluchi, coordenador do Cemaden, afirmou que os episódios de El Niño se tornaram mais frequentes e intensos. Ele atribui essa mudança ao aquecimento dos oceanos, resultante da mudança climática.

A intensidade do atual fenômeno pode ser comparável à observada nos anos de 2015/2016 ou 2023/2024, de acordo com Seluchi.

Impactos na Hidrologia Brasileira

A Agência Nacional de Águas (ANA) expressa preocupação com a hidrologia, especialmente em relação ao impacto do El Niño na estiagem amazônica.

Em 2024, o fenômeno já causou uma seca histórica em rios importantes da Amazônia, deixando paisagens desérticas.

No Nordeste, o Rio São Francisco apresenta níveis abaixo do normal, o que pode dificultar sua recuperação e agravar a seca. A região tem previsão de chuvas abaixo da média devido ao El Niño.

Para o Sul, a ANA não registrou anomalias relevantes no Rio Uruguai. Contudo, alerta que as condições climáticas podem mudar abruptamente, exigindo monitoramento contínuo.

A ANA também analisa os sistemas hídricos e reservatórios do Sul, Norte e Nordeste, focando nos rios Madeira, Tocantins, Xingu e São Francisco, sensíveis às anomalias do El Niño.

No fim de junho, os reservatórios do Sistema Interligado Nacional estavam com 77,5% do volume útil, uma condição considerada confortável.

Efeitos do El Niño na Agricultura por Região

Um forte El Niño impacta de maneiras diversas as regiões agrícolas brasileiras. O boletim enfatiza a importância do monitoramento climático contínuo.

Atualizações frequentes são essenciais para planejar e gerenciar os riscos agroclimáticos durante o período de atuação do fenômeno.

O boletim detalha os impactos específicos por região:

  • Norte: Chuvas abaixo da média e temperaturas elevadas aumentam o risco de deficiência hídrica. Isso pode prejudicar pastagens, culturas perenes e a agricultura familiar.
  • Nordeste: Temperaturas altas e menos chuvas podem afetar cultivos e pastagens, impactando a pecuária. No entanto, pode beneficiar a colheita do feijão de terceira safra em algumas áreas.
  • Centro-Oeste: O aumento das temperaturas pode agravar a deficiência hídrica no fim do período seco. Isso afetará pastagens, recursos hídricos para pecuária e a preparação da próxima safra.
  • Sudeste: Temperaturas elevadas requerem atenção a doenças e à aceleração do ciclo das culturas. Chuvas próximas à média devem beneficiar culturas de inverno, favorecendo a colheita e floradas futuras do café, com retorno adequado das chuvas.
  • Sul: Chuvas acima da média podem beneficiar culturas de inverno, como trigo e aveia. Contudo, o excesso de umidade pode elevar a incidência de doenças fúngicas.

A maior nebulosidade e temperaturas mais altas na região Sul reduzem o risco de geadas tardias.

Riscos de Desastres Naturais e Prevenção

O Cemaden alerta para riscos de desastres, focando na seca moderada e severa no Norte e Centro-Oeste do Brasil. Entre abril e maio, 66 municípios foram classificados em seca severa.

Mais da metade desses municípios estão localizados nos estados de Minas Gerais e Goiás.

O período de julho a setembro é visto como de maior risco de queimadas no Centro-Oeste e no sul da Amazônia. O potencial de incêndios é alto em Mato Grosso, Rondônia, Acre, sul do Amazonas e Pará, e no Matopiba.

Nessas regiões, a combinação de estiagem prolongada, altas temperaturas e ações humanas eleva a ocorrência de eventos severos de fogo.

Sobre os extremos de chuva, o boletim recomenda cautela na interpretação das previsões para o trimestre. A indicação de precipitação acima da normalidade no Sul, por exemplo, não implica risco imediato de deslizamentos ou inundações.

No entanto, a umidificação do solo pode criar condições sensíveis. Isso ocorrerá se houver chuvas intensas na fase de maior influência do El Niño, especialmente em outubro e novembro.

O documento recomenda acompanhamento contínuo dos efeitos sobre processos geo-hidrológicos. A análise deve considerar previsões sazonais e a evolução das condições de chuva e umidade.

É fundamental observar a redução gradual das incertezas ao longo dos próximos meses.

Marcelo Seluchi, do Cemaden, ressalta que cada El Niño tem particularidades, mesmo com previsões de impactos gerais.

Ele explica que é difícil prever sub-regiões ou municípios exatos que serão mais afetados. Essas informações serão detalhadas à medida que os eventos se aproximam.

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