A possibilidade de um El Niño muito forte no fim de 2026 chegou a 95%, segundo a Administração Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA). A estimativa representa uma alta em relação ao boletim anterior, de julho, quando a agência apontava 81% de chance.
O fenômeno ocorre quando as águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial ficam acima da média, provocando mudanças na circulação da atmosfera e influenciando as temperaturas e o regime de chuvas em diferentes partes do mundo.
VEJA MAIS
Vai fazer mais calor?
Um El Niño mais intenso pode favorecer temperaturas acima da média em algumas áreas do Brasil, mas os efeitos variam de acordo com a região.
No Norte, incluindo o Pará, a tendência é de redução das chuvas, temperaturas mais elevadas e possível atraso no início da estação chuvosa. Na Amazônia, o cenário também pode contribuir para períodos de estiagem mais prolongados.
Já no Sul do país, o fenômeno costuma estar associado ao aumento das chuvas e à ocorrência de temporais, enchentes e deslizamentos. No Sudeste e no Centro-Oeste, podem ocorrer períodos de calor mais intenso e chuvas irregulares.
El Niño pode continuar em 2027
Segundo a NOAA, há 97% de probabilidade de o fenômeno continuar até o início da primavera de 2027 no hemisfério Norte. A agência também estima em 69% a chance de o evento estar entre os El Niños mais intensos registrados desde 1950.
O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) também aponta uma possível continuidade do fenômeno até o início de 2027. O órgão estima em 100% a chance de o El Niño permanecer ativo pelo menos até esse período.
A classificação como “muito forte” ocorre quando o aquecimento das águas do Pacífico supera 2°C acima da média.
Amazônia pode enfrentar mais seca
Na região amazônica, a combinação de menos chuva e temperaturas mais altas pode aumentar o risco de estiagem, incêndios florestais e redução dos níveis dos rios.
O Inmet aponta que algumas sub-bacias da Amazônia já apresentam sinais de avanço da estiagem. A persistência do período seco também pode reduzir a disponibilidade de água e deixar a vegetação mais vulnerável ao fogo.
