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Ebola ultrapassa 5 mil mortes no Congo e atinge letalidade próxima de 50%

Desde maio, a doença se espalhou por 67 das 178 zonas de saúde do Congo, abrangendo oito das 26 províncias

Estadão Conteúdo

31 de outubro de 2026 às 10:28

Secretaria de Saúde de São Paulo infromou que iniciou a investigação porque a paciente preencheu os critérios de definição de caso suspeito, no entanto a suspeita foi descartada após análises

Secretaria de Saúde de São Paulo infromou que iniciou a investigação porque a paciente preencheu os critérios de definição de caso suspeito, no entanto a suspeita foi descartada após análises ( Foto: Reprodução/ Pablo Jacob/Governo de SP )

O surto de Ebola na República Democrática do Congo (RDC) já causou a morte de 5.026 pessoas. O número de infectados atingiu 10.351, com uma taxa de letalidade próxima de 50%. Outras 2.788 pessoas se recuperaram da doença, conforme dados divulgados neste sábado, 31, pelo Ministério da Saúde congolês.

Causado pelo vírus Bundibugyo, este surto foi declarado em meados de maio. Ele é considerado o segundo mais mortal da história, superado apenas pela epidemia que atingiu a África Ocidental entre 2014 e 2016, quando 11 mil pessoas morreram em diferentes países.

Desde maio, a doença se espalhou por 67 das 178 zonas de saúde do Congo, abrangendo oito das 26 províncias. As províncias de Ituri e Kivu do Norte, no leste do país, concentram a maioria dos casos, com 9.782 infecções confirmadas e 4.792 óbitos.

Desafios no combate ao Ebola

"É um marco muito trágico porque não se trata apenas de um número", disse o médico Patrick Otim, gerente de área de programas da Organização Mundial da Saúde (OMS). "São famílias e comunidades devastadas por esse surto".

Um dos obstáculos para conter a transmissão é a dificuldade de rastrear os contatos das pessoas infectadas. Segundo os Centros Africanos de Controle e Prevenção de Doenças (Africa CDC), cerca de 80% dos novos casos estão fora das cadeias de contatos monitoradas pelas autoridades.

Um terço das pessoas que morreram não chegou a receber atendimento em centros de tratamento. As vítimas faleceram antes mesmo de serem testadas, conforme Otim.

"São pessoas que nunca tivemos a oportunidade de tentar salvar, e essa é uma das nossas maiores preocupações neste surto. Como podemos chegar às pessoas mais cedo e fazer com que procurem unidades de saúde para ter uma chance real de sobreviver?", questionou o representante da OMS.

A resposta à doença também enfrenta dificuldades por causa dos conflitos armados no leste do país, da resistência de parte da população às medidas de saúde e das greves de profissionais que estão sem receber salários.

Na sexta-feira, 30, funcionários de um centro de tratamento em Tchomia, na província de Ituri, interromperam as atividades para cobrar quatro meses de pagamentos atrasados. A unidade atendia cinco pacientes com diagnóstico confirmado e dez casos suspeitos.

Ebola se espalha para além das fronteiras

O surto também ultrapassou as fronteiras congolesas. Em outubro, Quênia e Nigéria confirmaram casos da doença. O Quênia registrou oito infecções e duas mortes. Na Nigéria, o único paciente com diagnóstico confirmado foi transferido para a Suíça. Casos também haviam sido registrados em Uganda.

Com registros em três regiões africanas, o atual surto é considerado o de maior alcance geográfico já observado no continente.

O que é o Ebola?

Ebola é uma doença infecciosa grave causada por vírus da família Filoviridae. Existem diferentes espécies capazes de provocar a doença, entre elas a Zaire, a Sudan e a Bundibugyo. Esta última é a responsável pelo surto atual na República Democrática do Congo.

A infecção é uma zoonose, ou seja, pode ser transmitida de animais para seres humanos. Acredita-se que morcegos frugívoros sejam hospedeiros naturais dos vírus Ebola, embora essa relação ainda seja estudada.

A transmissão entre pessoas acontece pelo contato direto com sangue ou outros fluidos corporais de alguém infectado, vivo ou morto, ou com objetos contaminados por esses fluidos. Não é uma doença transmitida pelo ar, como a gripe ou a covid-19.

Os principais sintomas são:

  • Febre alta e repentina
  • Dor de cabeça e dores musculares
  • Fraqueza intensa
  • Diarreia e vômitos
  • Em casos graves, hemorragias e falência de órgãos

A espécie Bundibugyo recebeu esse nome por ter sido identificada pela primeira vez em 2007, no distrito de mesmo nome, em Uganda. Ela é diferente da espécie Zaire, responsável por alguns dos maiores surtos de Ebola já registrados, incluindo a epidemia que atingiu a África Ocidental entre 2014 e 2016.

Essa diferença tem implicações importantes para o controle da doença. As vacinas e os tratamentos desenvolvidos contra a espécie Zaire não têm eficácia comprovada contra a Bundibugyo. Ou seja: até o momento, não há vacina nem terapia específica aprovada para essa espécie. Os pacientes recebem cuidados de suporte, com medidas para aliviar os sintomas e tratar possíveis complicações.

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