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O Liberal 80 anos

JULGAMENTO

Dono de Porsche azul acusado de matar motorista é julgado nesta quarta-feira em SP

O júri popular está previsto para ocorrer no Fórum Criminal da Barra Funda, na zona oeste da capital

Estadão Conteúdo

28 de outubro de 2026 às 11:18

Fernando Sastre de Andrade Filho, 24 anos, provocou acidente que matou morotista de aplicativo Ornaldo da Silva Viana, 52 anos

Fernando Sastre de Andrade Filho, 24 anos, provocou acidente que matou morotista de aplicativo Ornaldo da Silva Viana, 52 anos ( Foto: Reprodução / TV Globo )

O julgamento do empresário Fernando Sastre de Andrade Filho, motorista do Porsche azul, começa nesta quarta-feira (28), às 10h. Ele é acusado de causar a morte do motorista de aplicativo Ornaldo da Silva Viana, na Zona Leste de São Paulo.

O júri popular está previsto para ocorrer no Fórum Criminal da Barra Funda, na zona oeste da capital. O Ministério Público de São Paulo pede que o réu seja condenado a uma pena de mais de 20 anos de prisão.

O acidente fatal aconteceu na madrugada de 31 de março de 2024, na Avenida Salim Farah Maluf. Fernando, então com 24 anos, dirigia um Porsche em alta velocidade quando atingiu a traseira do carro de Viana.

Detalhes do acidente e investigação

A vítima, que conduzia um Renault Sandero, chegou a ser socorrida, mas não resistiu aos ferimentos. Ornaldo morreu em decorrência de um traumatismo cranioencefálico.

Com o auxílio de imagens de câmeras de monitoramento, a Polícia Técnico-Científica aferiu que Fernando conduzia o carro a 156 km/h. O limite permitido na via, no entanto, era de 50 km/h. As investigações também apontaram que ele havia consumido bebida alcoólica antes do acidente.

Fernando Sastre estava voltando de uma festa com um amigo, Marcus Vinicius Rocha, 22 anos, que ficou gravemente ferido. Rocha chegou a passar por procedimento cirúrgico para retirar o baço.

Falhas na abordagem policial

O empresário foi preso e segue detido, respondendo por homicídio doloso perante a 5ª Vara do Júri da Capital. Pelo menos 14 testemunhas serão ouvidas antes do veredito do caso.

Segundo o Ministério Público, os policiais que atenderam a ocorrência falharam na abordagem. Eles não seguiram “procedimentos operacionais”, como acionar de forma adequada as câmeras corporais, preservar o local do acidente e apresentar o bafômetro ao suspeito.

Na época, ele também foi indiciado por lesão corporal e fuga do local do acidente. Fernando Sastre não prestou socorro nem fez o teste do bafômetro, conforme os registros.

A promotoria aponta que os policiais militares que atenderam à ocorrência liberaram Sastre a pedido da mãe dele. A mulher compareceu ao local do acidente e sugeriu levá-lo a um hospital para fazer exames médicos.

O condutor do Porsche, no entanto, não foi ao hospital. Ele voltou para casa e só se apresentou à delegacia 36 horas depois do acidente. Para a promotoria, a conduta dos policiais prejudicou a investigação do homicídio e causou prejuízo à administração militar.

Antes da liberação, o motorista do Porsche conversou com os policiais. Com a voz embargada, ele contou o que tinha acontecido: "A gente estava saindo da festa, a gente ia para a minha casa jogar sinuca. E do nada aconteceu um acidente horrível", disse. "Não me lembro mais de nada."