A Secretaria da Saúde do Estado de São Paulo lançou, nesta segunda-feira, 31, o Plano Estadual de Preparação e Resposta em Saúde para o El Niño. A iniciativa visa a mitigar os efeitos do fenômeno climático ao reunir diretrizes para os 645 municípios paulistas. Cada região do Estado elencou três probabilidades do que pode acontecer em seu território.
"Pensamos no público como um todo, mas temos que ter um alerta para as crianças e os idosos. As crianças porque estão em formação e os idosos porque têm mais idade, também têm comorbidades, podem ter riscos associados. E por isso a preocupação com esses extremos", comentou Regiane de Paula, responsável pela Coordenadoria de Controle de Doenças da secretaria.
Entenda o El Niño
O El Niño é um fenômeno climático natural que ocorre quando as águas do Oceano Pacífico ficam mais quentes. Essa alteração modifica a circulação atmosférica em escala global, impactando o regime de ventos, chuvas e temperaturas em todo o planeta. Para o Estado de São Paulo, a força do fenômeno pode significar ondas de calor fortes, tempestades e vendavais concentrados, com impacto em diversos setores.
O período de 2026-2027 pode registrar um dos El Niños mais intensos desde o início dos registros modernos, em 1850. A temperatura da superfície do mar no Oceano Pacífico pode apresentar anomalias superiores a 2°C. O fenômeno contrário, chamado de La Niña, envolve o resfriamento das águas do Pacífico e também gera efeitos climáticos globalmente.
Principais Riscos à Saúde e Doenças Associadas
O plano da secretaria de saúde envolve o reforço no combate a diversas doenças. Entre as causadas por insetos, destacam-se:
- Dengue
- Chikungunya
- Febre amarela
Além dessas, há preocupação com:
- Doenças diarreicas
- Leptospirose
- Hepatite A
"As arboviroses são uma das questões. Tivemos epidemias grandes nos últimos anos e a gente tem essa preocupação com a eliminação de criadouros, uma vez que hoje você tem fortes chuvas e calor extremo, então a tendência é ter mais vetores circulando. Nos preocupamos com a dengue, com a chikungunya", comenta Regiane de Paula.
Outro risco são os acidentes com animais peçonhentos, como cobras e escorpiões, que tendem a deixar seu habitat natural e invadir áreas urbanas. Para esses casos, a coordenadora enfatiza a importância de garantir o fornecimento de soro contra os venenos em todas as regiões.
Estratégias e Monitoramento
O planejamento também abrange o monitoramento da assistência farmacêutica, visando impedir a falta de medicamentos. Institui, ainda, ações de saúde mental, direcionadas tanto à população afetada por desastres climáticos quanto aos profissionais da linha de frente.
A estratégia aponta, adicionalmente, riscos como desidratação, exaustão térmica e insolação durante as ondas de calor. Tais condições podem piorar doenças cardiovasculares, respiratórias e renais. Um plano específico está sendo desenvolvido para pacientes que necessitam de tratamento contínuo, como os em terapia renal substitutiva, tratamento oncológico ou que utilizam oxigenoterapia domiciliar.
