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investigação

Corpo de jovem desaparecida em MG é encontrado; ex da vítima e namorada dele são presos

As testemunhas relataram aos policiais que Beatriz recebeu uma ligação de um número desconhecido no dia que desapareceu

Estadão Conteúdo

22 de outubro de 2026 às 14:36

Beatriz Vitória Aparecida Neves Mota foi encontrada morta

Beatriz Vitória Aparecida Neves Mota foi encontrada morta ( Foto: Reprodução / TV )

O corpo de Beatriz Vitória Aparecida Neves Mota, de 27 anos, que estava desaparecida desde 9 de outubro, foi localizado na tarde de quarta-feira, 21, na zona rural de Jaboticatubas, na região metropolitana de Belo Horizonte.

Em entrevista coletiva nesta quinta-feira, 22, a delegada Anala Lelis, da Delegacia de Jaboticatubas, afirmou que, no dia do desaparecimento, Beatriz estava em um bar na cidade com alguns amigos.

Segundo o delegado Alexandre Fonseca, da Divisão Especializada de Referência à Pessoa Desaparecida, uma câmera de monitoramento registrou o momento em que um carro parou a alguns metros do bar.

O delegado disse que três pessoas estavam no carro: o ex-namorado de Beatriz, Samuel Castro Melo, de 18 anos, a atual namorada dele, Carla Luza da Silva, de 23 anos, e uma adolescente, que não foi identificada.

A advogada Tatiany Barbosa, responsável pela defesa de Carla, afirmou que a mulher alega ser inocente e optou por ficar em silêncio na delegacia, mas que apresentará sua versão à Justiça.

Procurada, a defesa de Melo não retornou o contato do Estadão. O espaço segue aberto.

As testemunhas relataram aos policiais que Beatriz recebeu uma ligação de um número desconhecido, mas que, pelo teor da conversa, identificaram que o ex-namorado dela estava do outro lado da linha.

Segundo Anala, após receber a ligação, a vítima foi em direção a uma rua de terra e, depois, retornou ao bar. As testemunhas disseram aos policiais que Beatriz voltou para a rua de terra, mas, antes de deixar a mesa, avisou que, caso não voltasse em cinco ou dez minutos, eles deveriam procurar por ela.

Quando a jovem não retornou, os amigos tentaram localizá-la, mas não tiveram sucesso. No mesmo dia, eles comunicaram o desaparecimento à família e à Polícia Civil.

A investigação

Fonseca afirmou que os três ocupantes do carro foram ouvidos, mas que havia contradições nos depoimentos. Na quarta-feira, os policiais decidiram procurar o pai da adolescente, que conversou com a menina e a convenceu a colaborar com a investigação.

"Ela demonstrou muito medo dos demais autores, mas colaborou e indicou para nós a região onde o corpo estava desovado", disse Fonseca. Segundo ele, o corpo estava em uma região conhecida como "loteamento dos portugueses", onde está sendo construído um condomínio de alto padrão.

Um dos investigadores identificou uma área com terra remexida e muitas moscas. Os policiais já haviam levado equipamentos para escavação e localizaram o corpo, com as mãos e os pés amarrados, em uma cova de profundidade baixa a média.

O Corpo de Bombeiros chegou a ser acionado pela Polícia Civil para auxiliar na retirada do corpo, mas não precisou intervir.

Os agentes também localizaram um chinelo e uma capa de celular que pertenciam a Beatriz. O irmão da vítima confirmou a identidade dela após ver uma foto de uma tatuagem extensa na perna, identificada por uma perita.

Melo e Carla foram presos na noite de quarta-feira, e os celulares deles foram apreendidos. Segundo Fonseca, Melo afirmou em depoimento que a adolescente era responsável pela "mentoria, dinâmica e execução" do crime. Ele também disse que Carla não teria participado da ação.

O delegado afirmou que a adolescente disse ter ficado dentro do carro e não ter participado da dinâmica do crime. Ela teria percebido algo de errado quando Beatriz não retornou para o veículo.

O caso é investigado como feminicídio. Segundo o delegado, a motivação identificada até o momento seria uma desavença entre Carla e Beatriz.