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Com grande participação da UFPA, 1ª Semana da Biodiversidade mapeia 26 mil espécies no Brasil

Movimento nacional coletou milhares de observações de fauna e flora, superando expectativas de participação popular

O Liberal

O Brasil deu um passo histórico na defesa de sua biodiversidade, com um movimento que se tornou uma das maiores iniciativas de monitoramento participativo da fauna e flora. Mais de 5 mil espécies foram registradas, com cerca de 26 mil observações coletadas em todo o país por participantes de diversas idades.

O balanço das atividades, divulgado em junho de 2026 pela Aliança pelo Monitoramento Participativo da Biodiversidade Brasileira (ampBio), revelou o alcance do engajamento social. O professor Fábio Roque, da UFMS e coordenador do PPBio-Pantanal, destacou o legado gerado para futuras gerações.

A primeira edição da Semana Nacional da Biodiversidade, entre 18 e 24 de maio de 2026, mobilizou os 26 estados brasileiros e o Distrito Federal. Aproximadamente 250 ações foram promovidas em escolas, universidades, centros de pesquisa, parques e praças.

Dados e Alcance Nacional

A participação superou as expectativas, com cerca de 3.100 observadores engajados na observação e registro de espécies em ambientes aquáticos, terrestres e marinhos. Nondas Okiama, diretor do Instituto ConservAção Brasil e integrante da coordenação da ampBio, ressaltou a ampla mobilização social alcançada.

Enrico Tosto, presidente da Rede Brasileira de Naturalistas (RBN), destacou a integração do público na "Ciência Cidadã". O aplicativo iNaturalist foi uma plataforma eficaz para a identificação e monitoramento de espécies, com aumento nos registros feitos por crianças, jovens, adultos e idosos.

Até 25 de maio, a ampBio contabilizou 5 mil espécies registradas no iNaturalist, com cerca de 20 mil observações de exemplares. Os dados passam por curadoria e validação para evitar duplicações e imprecisões, conforme explicou Enrico Tosto.

Impacto e Contribuição para o Futuro

A diversificação dos grupos de espécies observadas chamou a atenção dos pesquisadores. Houve um aumento nos registros de répteis, anfíbios, insetos e plantas, diferente do usual domínio de aves, indicando um interesse ampliado dos participantes no monitoramento da biodiversidade.

Para os organizadores, essa evidência representa uma contribuição significativa para o monitoramento da biodiversidade brasileira. O professor Leandro Juen, da UFPA e coordenador do evento em Belém, enfatizou que o monitoramento pode ocorrer em espaços cotidianos como jardins e praças.

Juen acrescentou que registrar organismos pelo iNaturalist ajuda a construir uma "memória viva" da biodiversidade local. Em um cenário de preocupação com mudanças climáticas, ações como essa podem se reverter em estratégias de prevenção a desastres e subsidiar políticas públicas.

Com o tempo, esses registros podem indicar a presença de espécies, padrões sazonais, áreas importantes para a conservação e alterações ambientais, concluiu o pesquisador da UFPA.

Destaques das Atividades Regionais

  • Campo Grande (MS): O Parque das Nações Indígenas sediou trilhas do projeto “Observa Aí!”, organizado por graduandos da UFMS, aproximando a população da biodiversidade local.
  • Anápolis (GO): Jovens escoteiros do Grupo Bernardo Sayão participaram de um safári fotográfico da biodiversidade urbana no Jardim Botânico de Anápolis, registrando espécies via iNaturalist.
  • Rio de Janeiro (RJ): A capital fluminense teve atividades de conexão com a natureza, como banho de floresta e oficinas de fotografia, organizadas pelo Refauna e Biocenas/UERJ.
  • RPPN Pedra D’Antas (PE): Em Pernambuco, a reserva recebeu participantes para observação da biodiversidade, reforçando a educação ambiental e a ciência cidadã.
  • Maringá (PR): A Universidade Estadual de Maringá e o Bosque das Grevíleas foram palco de uma Caminhada da Biodiversidade, promovendo conscientização ambiental.
  • Belém (PA) - Parque Estadual do Utinga: O Parque Estadual do Utinga Camillo Vianna foi sede do encerramento, reunindo pesquisadores, estudantes e visitantes em monitoramento participativo.
  • Belém (PA) - Capoeira do Black: Uma manhã de observação na Embrapa Amazônia Oriental resultou em 300 registros de 68 espécies, em colaboração com Centro Capoeira, RAS e PELD.
  • Reserva Extrativista Marinha de Caeté-Taperaçu (PA): O projeto Observatório do Mangue realizou oficina “Café & Mangue”, envolvendo a comunidade e a Escola Maria Augusta Corrêa da Silva, fortalecendo a ciência cidadã costeira.
  • Outras ações: Bioblitzes, trilhas ecológicas, observação de aves e estudos de biodiversidade marinha ocorreram em SC, RS, MT, MS, RJ, PE, TO e SP.

As iniciativas foram organizadas pelo Instituto ConservAção e pela Rede Brasileira de Naturalistas, sublinhando a relevância da biodiversidade brasileira e o engajamento coletivo na proteção dos ecossistemas.

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