Casos de SRAG disparam no Pará e em quase todo o Brasil, alerta Fiocruz
Rinovírus, VSR e influenza A são os principais agentes etiológicos, afetando diferentes faixas etárias após o retorno às aulas
O Pará está entre os estados que registraram um aumento significativo nos casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) no período de 22 a 28 de fevereiro, conforme revelado pelo boletim InfoGripe, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), divulgado na sexta-feira, 6 de março. A tendência de alta foi observada em grande parte do país, acendendo um alerta para a saúde pública na região.
Os principais agentes causadores dessa síndrome no estado e no país foram identificados como o rinovírus, prevalente entre crianças e adolescentes de 2 a 14 anos; o vírus sincicial respiratório (VSR), em menores de 2 anos; e o influenza A (gripe), que afetou jovens, adultos e idosos.
Pará e outros estados em alerta para o aumento de SRAG
Com exceção de Roraima, Tocantins, Espírito Santo e Rio Grande do Sul, todas as demais unidades da Federação, incluindo o Pará, apresentaram crescimento na tendência de longo prazo dos casos de SRAG. Dentre elas, dez estados e o Distrito Federal atingiram nível de atividade de SRAG em alerta, risco ou alto risco nas últimas duas semanas, são eles:
- Acre
- Amazonas
- Pará
- Amapá
- Rondônia
- Mato Grosso
- Goiás
- Maranhão
- Sergipe
- Distrito Federal
No Pará, a elevação dos casos foi notável, impulsionada pelo rinovírus. O estado também registrou alta ou manutenção de infecções relacionadas ao VSR entre crianças de até 2 anos. Além disso, o vírus influenza A provocou o aumento de registros no Pará, Amapá, Mato Grosso e Maranhão.
Balanço Nacional: Mais de 14 mil casos e 840 óbitos por SRAG
Desde o início do ano, o Brasil contabilizou 14.370 casos de SRAG, com 840 evoluções para óbito. Nesses pacientes, os vírus mais frequentemente detectados foram o SARS-CoV-2, causador da Covid-19 (40,8%); o influenza A (28,1%); e o rinovírus (17,3%). A concentração de óbitos ocorreu, principalmente, entre os idosos.
Volta às aulas impulsiona contaminações no Pará e no Brasil
A pesquisadora do InfoGripe, Tatiana Portella, explicou que o crescimento dos casos nas últimas semanas, incluindo no Pará, reflete o retorno às aulas. “Recomendamos que, caso a criança ou adolescente apresente algum sintoma de gripe ou resfriado, que os pais evitem levá-la à escola, para evitar a transmissão do vírus para outras crianças”, pontuou em comunicado à imprensa.
“Se não for possível deixar a criança ou adolescente em casa, o ideal é que ela use uma boa máscara, especialmente dentro da sala de aula”, complementou a pesquisadora, orientação fundamental para a população paraense.
Além do impacto da volta às aulas, Juarez Cunha, diretor da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), destacou que este é o período do ano em que os vírus respiratórios apresentam uma sazonalidade mais definida, fator a ser considerado com atenção no Pará.
“Um dos principais vírus preveníveis pela vacinação é o VSR, causador da bronquiolite em crianças. Temos duas estratégias e a população ainda não está muito ciente: a vacinação da gestante, que protege o neném, e a imunização com o anticorpo monoclonal para crianças de risco, como as que nasceram de forma prematura”, orientou Cunha, reforçando a importância da conscientização no estado.
A vacina contra a influenza também está disponível. A imunização anual contra a gripe é especialmente recomendada para crianças, idosos e outros grupos prioritários, incluindo os paraenses.
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