Uma mulher na vida de Miguel Rômulo

Conheça um pouco mais da vida do ator que interpreta a drag queen Sabrina em "Verão 90"

Lorena Filgueiras

Apesar da pouca idade, Miguel Rômulo coleciona alguns bons anos em cena. Mais recentemente, ele estreou na novela “Verão 90”, encarnando a drag queen Sabrina – um papel inédito em sua jovem, porém longeva, carreira. Consciente de seu papel como artista e, sobretudo, como cidadão, Rômulo conversou conosco sobre este momento de sua carreira e do Brasil – papo que você acompanha a partir de agora.

Troppo + Mulher: Como foi esse despertar teu para a dramaturgia?
Miguel Rômulo: Foi uma história muito feliz, muito positiva. Acho que começar uma carreira, tão feliz e, graças a Deus, com tanta coisa para contar, se deve, principalmente à minha família, porque comecei muito novo e continuei... emendando, até me perceber adolescente, fazendo Teatro, Novelas... enfim. Só tenho a agradecer a essa história tão bonita que venho escrevendo.

T+M: Acabas de estrear na novela como a Sabrina, uma drag queen. Como foi tua preparação para incorporar essa personagem?
MR: Um personagem desse, tão importante e tão necessário ao momento atual do país, é tão bonito. Fiquei emocionado de receber esse convite. A preparação, independentemente de ser um personagem difícil, é bem parecida com os outros personagens que fiz. Quanto mais o personagem te tira da zona de conforto, melhor, né? 

T+M: Tiveste oportunidade de conversar com outras artistas drag? 
MR: Eu tenho uma relação muito boa e próxima com a comunidade LGBT, especialmente em relação à luta e posicionamento político, principalmente. Já conhecia o universo drag – não de maneira aprofundada, como tenho estudado para este personagem, mas sempre lidei sem conservadorismos, como tanta gente tem. Foi difícil construir esse personagem, mas muito fácil me entregar a ele. 

"Interpretar um personagem LGBT é uma honra! Quanto mais a gente puder sair da zona de conforto e interpretar um personagem que traga uma mensagem tão importante à sociedade, melhor!"

T+M: Os homens latino-americanos, de certa forma, se sentem desconfortáveis com assuntos que venham ao encontro de fragilidades – é muito recorrente perceber que a masculinidade destes indivíduos seja tão frágil. Isso te incomodou?
MR: Tenho muita gente positiva ao meu redor e, da minha parte, por exemplo, não houve incômodo algum [em relação ao questionamento da masculinidade]. Sou ator e dou vida a qualquer personagem que me convidarem – com respeito, principalmente. O respeito existe muito forte no personagem. Fazer a Sabrina, com uma pegada de mais importância à sociedade, é muito importante. Zero preconceito, zero amarras. Interpretar um personagem LGBT é uma honra! Quanto mais a gente puder sair da zona de conforto e interpretar um personagem que traga uma mensagem tão importante à sociedade, melhor! Espero que o público esteja gostando, porque estou fazendo a Sabrina com muita defesa! 

Miguel Romulo (Binho Dutra)

 

T+M: Nasceste na década de 90, logo talvez não tenhas muitas lembranças do que foi viver esses anos tão marcantes – que são o tema da novela em que estás agora. Como tem sido essa experiência?
MR: Costumo dizer que sou uma pessoa antiga. Sempre gostei de ver filmes, desenhos antigos. Meu pai [Sérgio Vita] teve uma participação enorme nisso também! Nasci em 92, então até os anos 2000, eu não tinha nem 10 anos de idade e acho que estou tendo o privilégio de estar numa novela tão bacana e reviver esse tempo, ainda mais interpretando um homem gay, drag queen. É tão difícil ser gay hoje em dia! Vivemos no país que mais mata LGBTs no mundo! É muito triste viver num país tão aberto e que viva um preconceito tão velado! Há muito preconceito. Tem sido um choque de realidade muito importante: ter nascido nos anos 90 e interpretar um homem gay nos anos 90.   

T+M: Fizeste aniversário no sábado e a revista já circula no sábado mesmo...
MR: Sério? Oba, me deem parabéns!

T+M: Feliz aniversário, Miguel! Risos. Qual teu maior desejo para este novo ciclo?
MR: Eba! Meu maior desejo é trabalhar, que eu continue feliz na minha profissão e que me seja permitido interpretar mais personagens significativos à sociedade; que eu possa passar mensagens positivas para todo mundo que goste do meu trabalho. Neste meu momento de vida, só quero trabalhar e exercer pra sempre minha profissão de ator.

"Estamos tão longe e era para estarmos mais perto da educação de qualidade para todos. Temos uma realidade tão diferente daquilo que, na década de 90, se pensava que seria os anos 2000, 2019!"

T+M: O aniversário é teu – mas te pergunto: qual teu desejo para o país?
MR: Que possamos ter mais respeito mútuo, entre todos. Até quero ajustar meu desejo para meu novo ciclo: quero fazer personagens sem que tenhamos preconceitos ou amarras. Sem ódio e a disseminação do ódio. Quero um Brasil sem preconceitos, em que as pessoas sejam amadas em suas diferenças. Meu desejo é um país com uma educação de qualidade... é tão importante isso. Estamos tão longe e era para estarmos mais perto da educação de qualidade para todos. Temos uma realidade tão diferente daquilo que, na década de 90, se pensava que seria os anos 2000, 2019... o futuro. Estamos tão longe da utopia, vivemos uma utopia! Gostaria de respeito e paz, independente da orientação sexual, da cor, independente de qualquer coisa!

T+M: O que fazes no tempo livre?
MR: Gosto muito de me divertir! (ele ri). Gosto de jogar videogame, futebol. Gosto de ir na praia, passear com meus cachorros, de ir ao cinema com minha mulher. A vida é feliz com coisas simples.

O Liberal
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