Um toque de cuidado

Campanha alerta homem sobre os autocuidados necessários e a importância do diagnóstico precoce do câncer de próstata

Lorena Filgueiras

Neste ano, em que cuidar da saúde esteve em primeiro plano para muitos, por conta da pandemia de Covid-19, novembro chega para reforçar e conscientizar a respeito das doenças masculinas, em especial o câncer de próstata, que é a segunda doença mais frequente entre os homens, ficando atrás apenas do câncer de pele.  

De acordo com o médico urologista João Frederico Andrade, estima-se que aproximadamente 75 mil casos de câncer de próstata são diagnosticados anualmente no Brasil, porém a falta de procura por diagnóstico faz com que os dados não sejam tão precisos. "Os homens têm um pouco de dificuldade na busca de consultas preventivas, ou seja, quando nada estão sentindo, mas elas são necessárias, não só para diagnosticar o câncer de próstata, assim como outras doenças em fases iniciais", destaca o especialista em saúde masculina.

João Frederico Andrade (Acervo pessoal)

A busca por consultas de rotina pode ser essencial para que a descoberta da doença seja realizada o quanto antes, pois, conforme explica o médico, ela não apresenta sintomas na fase inicial. Porém, já em estágio avançado, pode espalhar-se para outros órgãos e levar à morte. 

Por isso, o objetivo principal da campanha Novembro Azul é fazer com que o público masculino procure os consultórios para realização de exames periódicos, pelo menos anualmente. A indicação de João Frederico é de que os exames preventivos sejam realizados a partir dos 50 anos. Já em pessoas com histórico familiar [ocorrências da doença entre parentes], pais ou irmãos, o rastreamento deve iniciar entre os 40 e 45 anos. "É importante lembrar sempre que com o diagnóstico precoce a expectativa de cura é acima de 90%, ou seja, quanto mais cedo melhores são as chances, quanto mais tarde, elas caem para próximo de zero", pontua o urologista. 

Segundo ele, é importante que o paciente faça um acompanhamento de acordo com o calendário determinado pelo médico, para que os exames sejam realizados continuamente, conforme a necessidade. "Não adianta o paciente fazer um primeiro exame e depois passar cinco, sete anos sem realizar nenhum outro exame, pois a doença pode aparecer justamente neste intervalo em que ele deixou de fazer as consultas e ir avançando silenciosamente", pondera.

Exemplo e incentivo

A rotina corrida de trabalho do aposentado Clirdemar Vasconcelos, de 67 anos, que viajava por diversos interiores do Pará para realização de obras, fez com que as consultas médicas ficassem sempre para segundo plano. Em junho de 2015, durante uma mudança de emprego, ao ser solicitado o exame admissional, foi identificada uma alteração que culminou na investigação e posterior confirmação do diagnóstico de câncer de próstata. "Nunca tinha feito exames para câncer de próstata. Sempre ouvia falar, mas trabalhava muito e, geralmente, quando vinha a Belém era só para passar final de semana. Foi uma surpresa, mas tive a sorte de estar em estágio inicial", conta.

Ele completou cinco anos de tratamento, acompanhamento e controle em junho. Realizou 30 sessões de radioterapia durante o período, além da quimioterapia e, em setembro, recebeu alta. Entre os desafios, destaca a preocupação se o tratamento seria eficaz, pois teve um vizinho e outro conhecido que faleceram da mesma doença, por descobrirem em estágio já avançado. 

"Fiquei muito preocupado, eu, minha esposa, meu filhos e irmãos. Mas sempre acreditei que sairia dessa, graças ao meu bom Deus e à Virgem de Nazaré. Foi muito importante a empresa ter solicitado esse exame, se não, não sei quando e como poderia descobrir", afirma Clirdemar, que destaca que durante todo o tratamento foi muito bem acolhido.

A experiência, sem dúvidas, lhe deixou uma boa lição e fez com que passasse a se preocupar mais com sua saúde e exames de rotina, muitas vezes "brigando" em casa para já fazer novas consultas e exames. O alerta também alcançou os seus familiares. Hoje seu filho, de 39 anos, já realiza exames anuais e seus três irmãos também passaram a se preocupar mais com a saúde. "Passei a incentivar outros homens que conheço, pois não sentia nada e tive a sorte te der esse diagnóstico precoce, por uma eventualidade. Graças a Deus, tudo ocorreu bem e hoje posso contar minha história e ser um exemplo para os outros homens, para que não deixem de cuidar da saúde”, destaca o aposentado.

Ele alerta ainda para o preconceito na realização do exame de toque retal, um dos exames realizados para detecção do câncer de próstata. "É uma tremenda bobagem o medo ou preconceito de realizar o exame. É indolor, é uma coisa muito simples, que todos os homens deveriam fazer. Acabar com esse machismo, porque é algo muito importante", diz. 

Diagnóstico precoce 

Diferente de seu Clirdemar, João Luiz Da Silva Teixeira, 72, sempre esteve atento à saúde. Ele já realizava exames preventivos de câncer de próstata há mais de dez anos. No ano passado, uma alteração do PSA, exame que detecta alterações específicas na próstata, levou a constatação de um nódulo, que, somente há dois meses foi retirado, por meio de cirurgia.

"Ele passou a ter dificuldade para urinar, depois sentia que a bexiga estava o tempo toda cheia, não dormia direito por levantar a todo instante para fazer xixi e aí o último exame deu alterado com aumento da próstata e presença de um nódulo", conta a Cidia, filha de Luiz. 

Embora a biópsia tenha apontado para um nódulo benigno, há dois meses, seu Luiz realizou cirurgia e segue em tratamento. Todo o processo de diagnóstico lhe causou angústia e depressão.

"A mensagem que deixo, é que todos os homens procurem se cuidar, realizar exames, mesmo com todas as dificuldades, que são muitas ao longo do caminho, como conseguir consulta com urologista na rede pública e exames que demoram meses, com longas filas de espera", avalia José Luiz.

Apesar de ser uma doença considerada característica da terceira idade e que, segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca), em 75% dos casos no mundo ocorre a partir dos 65 anos, o alerta é para todos os homens, como reforça Cidia: "Meu filho, que tem apenas 21 anos, teve um problema na próstata. Inclusive, por isso, ele foi orientado a fazer o exame de toque e precisa fazer também outros exames anuais".

"Quanto mais cedo se conseguir descobrir, realizar o tratamento, melhor. Quem está com câncer não pode esperar. Gostaríamos muito que fosse mais rápido, mais ágil e que as políticas públicas pudessem fazer algo para ajudar estas pessoas, que muitas vezes são idosos e debilitados", completa ela, desabafando sobre as dificuldades encontradas pelo pai durante o tratamento.

Troppo
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