Investir ou não? Paraenses contam suas experiências no mercado financeiro

Conheça as melhores opções para iniciantes e saiba qual a expectativa do mercado para 2020

Rodrigo Cabral

Investir em ações é uma aposta. Quando Paulo Rodrigo Garcia decidiu começar, ele apostou todas as suas fichas. E isso não é uma metáfora. Aos 27 anos, empregou 100% do valor da recisão do seu trabalho anterior. Tudo aconteceu no ano passado e, de lá para cá, a sua experiência com o mercado financeiro aumentou e os resultados também. “Entrei no ramo de investimento no final de 2018, quando resolvi sair de um emprego que não me satisfazia mais. Conversando com meu pai a respeito de novas possibilidades, surgiu a ideia de investir. Naquela época, um amigo dele detinha boas ações no mercado e me serviu de inspiração. Mas, antes de tudo, eu estudei bastante sobre economia, em casa mesmo, na internet. Li alguns livros e tive a orientação de outras pessoas que já possuíam experiência com essas operações”, conta.

Mesmo com o nervosismo inicial, em pouco tempo, Paulo se familiarizou com o mercado financeiro. “Fiquei um pouco receoso porque investi todo o dinheiro da minha rescisão, mas logo vi que não se tratava de bicho de sete cabeças, apesar de ser um investimento muito arriscado, principalmente porque eu estava apostando um valor muito significativo. Após alguns meses operando na Bolsa de Valores, tive bons ganhos, mas também tive experiências negativas, que consegui contornar. Foi quando eu comecei a buscar formas mais seguras de fazer aplicações e encontrei o Tesouro Direto, um investimento de Renda Fixa, onde a rentabilidade é conhecida ou prevista no momento da aplicação. Optei por mudar para essa modalidade e já colhi bons frutos”, afirma.

Paulo Rodrigo Garcia (Dudu Maroja / Divulgação)

Investir é contagiante. Quem é picado pelo bichinho do investimento dificilmente fica atrelado a uma única possibilidade. “Quem investe deve sempre estar antenado. Eu, por exemplo, já estou pesquisando outros tipos de fundos de investimentos para aplicar e, agora, estou de olho nos imobiliários. Muitos especialistas alegam que eles vão crescer muito nos próximos meses. Então, estou estudando para começar a aplicar nessa área. Acredito que todo mundo deveria investir seu dinheiro em um fundo de investimento. Infelizmente, no Brasil, muita gente se limita a aplicar em poupança, que não rende quase nada. Por isso, a minha dica é estudar fundos de investimentos e quais ações são as tendências para os próximos meses. Você precisa entender bem como funciona o mercado para poder entrar. Na internet existem muitas páginas, blogs e vídeos de economistas que ajudam, desde o início, a investir o seu dinheiro. Eu super-recomendo e sempre incentivo meus amigos e familiares a fazer o mesmo”, destaca Paulo Rodrigo.

Dicas que valem ouro

Pedro Henrique Bueno Meirelles de Azevedo, 28 anos, é um assessor de investimentos. Engenheiro de Produção com MBA em Gestão Financeira, é sócio credenciado de uma grande empresa de investimentos, com sede em Belém. Desde 2016, realiza assessoria para quem deseja desbravar o mercado financeiro. “Para quem está começando a investir, os primeiros passos são buscar ajuda especializada e criar uma reserva de emergência. Para isso, faz mais sentido optar por títulos conservadores, aqueles atrelados à taxa Selic (a taxa básica de juros da economia), como o Tesouro Direto, que nada mais é do que você emprestar dinheiro para o governo e recebê-lo acrescido de juros na data de vencimento definida no momento da compra do título. Essa, com certeza, é uma opção bem interessante, assim como as CDBs, LCIs, LCAs (respectivamente, Certificado de Depósito Bancário, Letra de Crédito Imobiliário e Letra de Crédito do Agronegócio). Mas, obviamente, a escolha vai depender muito do perfil do investidor. Clientes com perfil mais agressivo já podem ir direto para a renda variável”, orienta.

O especialista destaca que não precisa de muito dinheiro para começar a investir. A partir de R$ 100,00 é possível comprar um título do Tesouro Direito, que rende mais do que a poupança. “Mais importante do que se preocupar com um capital mínimo é você ter a educação financeira de se programar para, todos os meses, ir aportando dinheiro em seus investimentos. Isso sim vai fazer a diferença lá na frente. A procura dos paraenses pelos investimentos tem evoluído muito. As pessoas, aqui, estão buscando entender mais sobre o assunto. Quando a gente começou, em 2016, recebemos certa resistência pelo fato de se existir aqui uma cultura muito enraizada no investimento em imóveis. Mas, atualmente, já existem em torno de 14 mil paraenses aplicando na Bolsa e a gente não tem dúvida de que esse número pode crescer muito mais”, destaca Pedro Bueno.

Investir é buscar minimizar riscos. E vários deles são fáceis de identificar e evitar. “Existem muitas pegadinhas por aí. O investidor deve se manter longe de promessas de rendimentos exorbitantes. Aquelas que oferecem crescimento de 7 a 10% ao mês, já sabemos que não são saudáveis. Outra indicação é desconsiderar a poupança, que já deixou de ser um investimento interessante no país há muito tempo. É melhor migrar para um Tesouro Selic, por exemplo, que trará resultados mais robustos”, explica. 

Entre os assuntos da vez, os bitcoins têm chamado a atenção de muitas pessoas. Mas a recomendação é ter cautela nesse investimento. “Por se tratar de uma moeda que não é lastreada, é pura especulação. Diante disso, nossa recomendação é de que o investidor tenha o mínimo do seu patrimônio - de 0,5% ou 1% - exposto a essa moeda. Assim como ela valorizou muito nos últimos anos, pode ter uma queda vertiginosa. Então, exponha apenas o capital máximo que você aceita perder em bitcoins. Ou seja: se aquele capital máximo virar zero, você terá aceitado a perda; e se a moeda continuar valorizando e virar algo bem grande no futuro, você fez parte dessa valorização e poderá ter algo relevante”, pontua o assessor de investimentos.

Ainda de acordo com Pedro Bueno, os números de 2019 trazem perspectivas animadoras para o ano que vem. “Algumas modalidades de investimento se destacaram este ano. Mais uma vez, ações da Bolsa foram um dos principais ativos que se valorizaram até então. Fundos imobiliários também tiveram importante crescimento, assim como os títulos atrelados à inflação do governo, as famosas NTN-Bs (Notas do Tesouro Nacional da série B, títulos públicos que possuem rendimento atrelado ao IPCA). Para 2020, a expectativa é grande. Estamos vivendo uma nova era de investimentos no Brasil. A taxa Selic alcançou uma média mínima histórica, com uma tendência dessa taxa de juros baixar ainda mais até o fim de dezembro. Isso é extremamente positivo para o mercado de renda variável. O número de investidores na Bolsa já bateu 1,5 milhão de pessoas”, comemora.

Diversificação de investimentos

De olho no futuro, o advogado e professor Felipe Prata Mendes, 27 anos, tem buscado diversificar a sua carteira de investimentos. “Hoje, eu tenho produtos variados, alguns mais conservadores, como os de renda fixa, que proporcionam um risco menor e controle maior sobre os resultados. Também passei a canalizar valores para outras modalidades com risco um pouco maior, como fundos imobiliários e fundos multimercados. Além disso, estou começando a me aprofundar no estudo do mercado de ações”, enumera o investidor, que teve sua iniciação no mercado financeiro no ano de 2016, quando percebeu que guardar dinheiro na conta corrente, na verdade, era deixar de ganhar. 

Investir é estudar. No início, ele teve alguns receios. Mas sempre procurou buscar conhecimento. “Fiz muitas pesquisas, cursos on-line e, fundamentalmente, contei com o apoio de um assessor de investimentos, que me dá todo um suporte até hoje, apresentando os conhecimentos técnicos em uma linguagem muito acessível.  Atualmente, os meus investimentos são contínuos e já obtive bons resultados, dentro dos meus objetivos”, finaliza Felipe.

Troppo
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