Super pai

Lorena Filgueiras

A vida moderna foi diminuindo os tamanhos das famílias. O censo brasileiro de 2010, por exemplo, apontava uma enorme tendência de famílias com um casal de filhos apenas. Quase uma década depois, conhecemos pais que optaram por uma casa cheia. O resultado é amor de sobra.

O empresário Leandro dos Mártires Guerra, 51 anos e a esposa, Naiá Guerra, são casados há 29 anos e tiveram seis filhos (“um está no céu”, conta Naiá): Filipe, 28; Natália, 26; as gêmeas Izabela e Izadora, 22; e o Rafael, de 10 anos, “a raspa do tacho”, o pai enfatiza. Pergunto quando decidiram ter uma “casa cheia de filhos”. “Na verdade, já somos de famílias de muitos irmãos e desde o namoro já pensávamos em muitos filhos”, revela Naiá. “Nunca tomamos uma decisão de ter ou não ter uma casa cheia. No namoro, a gente já conversava e falava de ter cinco filhos e somos de famílias grandes... então foi algo natural, que já estava dentro do nosso coração, da nossa convivência e do ambiente em que a gente cresceu e viveu”, pontua Leandro. “Interessante que, tanto na minha casa, quanto na casa da minha esposa, isso foi algo que deixou boas marcas, boas lembranças e que trouxe pra nós, para nosso namoro e matrimônio a vontade, o desejo e, posso dizer que até de certa forma, uma tranquilidade quando pensávamos em filhos e ter muitos filhos”, completa.

Leandro dos Mártires Guerra, a esposa, Naiá Guerra e os filhos: Filipe, Natália, Izabela, Izadora e o Rafael (Arquivo Pessoal)

Se as gravidezes foram planejadas? “De jeito nenhum!”, ele enfatiza. “Os filhos aconteceram – e cada um, em seu momento particular e, pra nós, sempre foram momentos de muita alegria e satisfação”. Sobre as naturais dificuldades e limitações, Leandro explica que “não era porque não tivessem desafios. Tínhamos recursos limitados, tivemos que trabalhar duro, mas havia uma paz muito grande, uma vontade muito grande de ser melhores. Era sempre algo que me realizava e realizava à minha esposa... e nunca olhamos para filhos como pesos, pesos de sustento, como peso de responsabilidades... como peso de que o mundo tá ruim ou de como vai ficar? Jamais dissemos: ‘nossa, como dá trabalho demais!’. Para nós, sempre foi mesmo e sem demagogia, porque hoje, posso olhar pra trás e ver tudo que foi realizado, sempre foi sinal de alegria, de amor, sinal forte de realização pessoal como pai, homem e como mãe, mulher”.

O primogênito, Filipe, casou ano passado. Como é missão de todos os primeiros filhos, Filipe representou um divisor de águas na vida dos pais. “Quando temos o primogênito, é maravilhoso demais! Como pai, foi o romper, transpor uma linha que me fez entender que havia alguém ali que dependia 100% de mim”, afirma Leandro. E continua: “e era 100% mesmo! Era uma folha de papel em branco nas minhas mãos, que eu ia ter que ajudar a construir uma história que dependia do meu cuidado, do meu exemplo, do meu amor, meu carinho e minha atenção. A experiência do primogênito foi essencial para mim: de romper essa linha de um jovem que passou a conhecer o que era ser pai”. “Cada filho que cresce, é uma experiência única e, ao mesmo tempo, comum, de ser melhor. Você quer que seu filho cresça e diga: ‘esse é meu pai’, com a boca cheia, os olhos brilhando”, segreda. Leandro conta que sente um orgulho enorme quando ouve elogios a respeito dos filhos. “Cada vez que ouço que eles são educados, gentis, eu tenho a sensação de dever cumprido”.

No relato de Leandro, emociona bastante ouví-lo falar da relação com a esposa. “Temos uma ligação impressionante. Quando ela perdeu a terceira gravidez, do Miguel, foi um momento muito triste. Só quem perdeu um filho, no ventre ou no mundo, sabe o quanto é duro. É uma dor difícil demais... havíamos decidido que teríamos logo todos os filhos, de poder viver essa maternidade/paternidade ainda com juventude e força. Quatro meses depois, ela soube que estava grávida novamente eu, viajando. Nossa conexão é tão forte, que quando ela me ligou contando que tinha uma novidade, eu falei que já sabia: ‘você está grávida!’. Ela ficou surpresa e disse ‘mas tem mais uma coisa’, ao que respondi ‘também já sei: são dois’. Ela ficou novamente surpresa e eu disse a ela que era um presente pra nós. E realmente eu senti, dentro do meu coração, uma alegria enorme. Um filho não compensa o outro. Mas quando perdemos o Miguel, ganhamos Izabela e Izadora, duas meninas lindas. Já tínhamos o Filipe e a Natália e vieram duas, muito lindas e amadas”, emociona-se. O último filho, Rafael, veio a pedido dos demais filhos. “Estávamos todos na cama, brincando, e alguém sugeriu um sétimo elemento na família. E as crianças amaram a ideia... e veio o Rafael, reavivendo na casa toda a agitação”.

“Meu marido, como pai, é muito amigo dos filhos. Apesar de trabalhar muito sempre, viajar passar muitas horas no trabalho, conseguiu e consegue ter qualidade de tempo com os filhos e construir sempre um relacionamento de amizade. Apesar de eles o respeitarem, sabem que tem no pai um amigo, com o qual podem falar qualquer assunto, até mesmo as meninas tem esta abertura com ele”, revela a esposa, Naiá.

Disney pra quê? Temos a Ferrazlândia!

Um ruído delicioso invade a sessão fotográfica da capa desta edição. São os Ferraz chegando, com destaque para a pequena Maria Eduarda, de 6 anos.
O pai, Jefferson Sodré Ferraz, 54 anos, puxa o bonde. São 6 filhos: Rafael, 26; Louise, 23; Davi, 22; Lucas, 20; Leonardo, 15 e Maria Eduarda, a caçulinha, de 6 anos. Acompanhados da mãe, Cris Ferraz, que havia dito horas antes pra gente não estranhar a bagunça. Adoramos conhecÊ-los!

“Não houve uma decisão formal de ter muitos filhos, apenas não nos fechamos à essa possibilidade”, inicia Jefferson. “E eles vieram naturalmente, como tinha de ser”. O primogênito, Rafael, aqueeeele divisor de águas, nasceu prematuro. “Eu estava me preparando pra paternidade e o último mês não existiu, porque o Rafael veio prematuramente, então eu e Cris aprendemos no dia-a-dia a lidar com o novo e fomos levando muito bem. A necessidade nos impulsionou às habilidades necessárias – tal qual é na vida cotidiana. A necessidade faz a gente aprender, buscar, se superar”, relata. 

“Cada filho é diferente um do outro e cada um é uma dádiva de Deus. Vejo que as alegrias, os dons se tornam mais completas com o nascimento de cada um. A Maria Eduarda, de 6 anos, veio de maneira inesperada e foi uma alegria. Hoje, ao olharmos pra trás, não imaginamos a vida sem ela! Deus faz tudo melhor e tudo diferente!”, finaliza.
Pra driblar a timidez do marido, Cris nos ajuda a compreender a rotina da família. “Sempre tivemos que escolher. Nada foi conquistado ‘na folga’”, afirma Cris. “Abrir mão de uma coisa para ter outra, sempre foi recorrente, mas Deus é muito generoso e superou todas as nossas expectativas! Tenho uma filha fazendo Medicina; um filho dentista... e eu, com uma escola. Se alguém me dissesse que conseguiríamos isso, eu teria dúvidas. Até hoje, temos nossas inseguranças, principalmente com isso ‘de saber lidar’. Com relação à questão financeira, é importante dizer: Às vezes as pessoas têm medo de ter filhos porque precisam ter tal coisa, ir pra Disney, ganhar carro aos 18. Aqui, nunca tivemos isso. Nos preocupamos com o mais importante. A pizza do delivery e a pizza do supermercado, por exemplo, fazem o mesmo sucesso. Tomar banho no igarapé da estrada de Mosqueiro ou banho de piscina no clube badalado têm o mesmo peso. Desde que estivéssemos juntos, tudo estava bom. Quando dava, ótimo. E quanto não dava, não dava, sabe? Nem sempre os filhos aceitam de boa, mas isso não é decisivo para ser feliz”, finaliza Cris, que é só elogios para o super pai. “Ele é e sempre foi um pai apaixonado pelos filhos. Não no sentido de ser “meloso”, mas no sentido de se importar e cuidar: sempre foi ele quem dormiu comigo na maternidade ao nascerem, sempre dividimos os cuidados com eles, ia no pediatra, no dentista, nas festas infantis e, mesmo sempre trabalhando muito, tenta estar presente quando mais precisam. De todas essas coisas, o que sempre me marca mais é algo que ele sempre tenta passar aos filhos: que o mais importante nesta vida é Deus. Isso é a base de nossa família!”. 
Se rola surpresa quando revelam que são seis filhos? Sempre! “Meu Deus, como é a casa de vocês?!?!?”. Com tranquilidade, eles respondem “a Ferrazlândia é cheia de graça!”. 

Ele é e sempre foi um pai apaixonado pelos filhos. Não no sentido de ser “meloso”, mas no sentido de se importar e cuidar: sempre foi ele quem dormiu comigo na maternidade ao nascerem, sempre dividimos os cuidados com eles, ia no pediatra, no dentista, nas festas infantis e, mesmo sempre trabalhando muito, tenta estar presente quando mais precisam.  De todas essas coisas, o que sempre me marca mais é algo que ele sempre tenta passar aos filhos: que o mais importante nesta vida é Deus. Isso é a base de nossa família!

Troppo
.

Desculpe pela interrupção. Detectamos que você possui um bloqueador de anúncios ativo!

Oferecemos notícia e informação de graça, mas produzir conteúdo de qualidade não é.

Os anúncios são uma forma de garantir a receita do portal e o pagamento dos profissionais envolvidos.

Por favor, desative ou remova o bloqueador de anúncios do seu navegador para continuar sua navegação sem interrupções. Obrigado!