Riso Solto: Carla Cristina conta tudo sobre 'Lulu', em Bom Sucesso

Lorena Filgueiras

Carla Cristina vive a personagem Lulu, na novela Bom Sucesso, da Rede Globo. Protagonista de momentos de muitos risos e emoções ao lado do parceiro de cena, Anderson Müller, Carla é só gratidão. “A Lulu é meu grande tesouro”, declarou no bate-papo conosco. Além de se derreter em elogios para Müller, Antonio Fagundes e Grazi Massafera, artistas com os quais convive mais habitualmente no dia-a-dia, Carla rememorou os tempos difíceis, falou da mãe e de suas motivações para jamais ter desistido do sonho de viver de Arte. 

Troppo + Mulher: Como pintou o convite para estar em Bom Sucesso, Carla? 
Carla Cristina: O produtor de elenco Fábio Zambroni, me ligou dizendo que, fui escolhida pela Rosane Swartman, Luiz Rios, Paulo Halm, Fabrício Santiago, para fazer a Lulu. Eles já conheciam meu trabalho e me deram a Lulu como meu grande tesouro. Eu estava terminado de gravar a quinta temporada, de “Os Suburbanos’, da Multishow. Foi incrível saber que fui escolhida para viver a maravilhosa Lulu.

Carla Cristina (Flavio Ramos)

T+M: Você tem muito humor na veia. Como foi que percebeu que tinha facilidade para fazer rir? 
CC: Sempre tive humor em casa, com a minha falecida mãe Iracema. Desde muito nova que passava por coisas ou falava coisas, que muita gente ria. Eu não curtia, por achar que estavam rindo de mim. Mas chegou uma época que comecei a não ligar. E no Teatro consegui enxergar o dom que recebi. Eu sempre quis ser atriz, mas não imaginava que o humor já estava em mim. 

T+M: Como é conviver com o Anderson Müller, que é uma graça de ator também? E com Grazi e Fagundes? 
CC: Sou muito mais feliz do que eu imaginava. Gratidão. É um ritual para mim em Bom Sucesso. Já era fã de coração dele, mas Anderson é um amigo irmão eterno, que cuida da gente como se fosse da família. Ele dá toques incríveis e tem um carinho pelos colegas. Ele é maravilhoso e o rei das caronas na saída do Projac. Talentoso em cena e na vida. Grazi é uma amiga de infância total (risos). É minha parceira generosa, confidente do meu coração! Ela é uma guerreira brasileira para mim. Precisou provar o valor que sempre teve: linda e talentosa! É uma sobrevivente, que merece o nosso respeito. O que ela tem de vida, nenhuma faculdade proporcionará. Vida inteira de luta. E nem por isso deixou de ser simples, carinhosa e feliz. Eu e o Brasil a amamos. Já [Antônio] Fagundes é amável, incrível... de outro planeta! Um encanto em todos os sentidos. Gênio total! Ele estala os dedos e faz a cena! Agradável e transparente. Não existe nervosismo porque ele não permite. Ele acalma quem trabalha com ele. Um sonho trabalhar com o múltiplo dos talentos Fagundes. Que sorte a minha. Mamãe Iracema manda beijos de lá do céu. 

T+M: Me conta um pouco da tua trajetória? 
CC: Comecei a fazer Teatro na Escola que eu estudava. Nunca tive condições e nem minha mãe podia me levar. Então [só quando já era] maior de idade que comecei a fazer Teatro. Entrei para as oficinas de criação do Ernesto Piccolo e Rogério Blat e fiquei quase 14 anos. Lá, atuei em vários espetáculos e virei, após alguns anos, assistente de direção do maravilhoso Ernesto Piccolo. Logo após, comecei a dar aulas, para o grupo das crianças da mesma oficina. Dali outras coisas vieram. Fiz uma participação em um longa, Bendito O fruto, de Sérgio Goldenberg 2001, que a cena ficou tão maneira, que o Sérgio colocou no trailer. Atuei na peça “Capitães da Areia”, dirigida por Pedro Vasconcelos, em 2004, a convite de Silvinho Guindane para substituir uma atriz. Ali fiquei um ano e meio. Participei de dois Linhas diretas, que achei incrível. Depois de uma peça que fiz nas oficinas de espetáculo, o produtor de elenco Luiz Antônio Rocha, me convidou para um teste e fiz minha primeira novela na Rede Record, Prova de Amor, de Tiago Santiago. Depois veio Viver a Vida, de Manoel Carlos, quando fiz o teste pelo mesmo produtor. Com ‘Capitães da Areia” e “Dona Flor e Seus Dois Maridos” viajei o Brasil. Assim que terminei a temporada brasileira de Dona Flor, os amigos que fizeram Teatro comigo, me convidaram para ler o Espetáculo “FAVELA”, no festival de Angra, o FITA. Dali não paramos mais. Entrou em temporada nos teatros cariocas e fiquei 5 anos. Após o Rodrigo Santana assistir à peça “O Tombo”, me convidou para ler Os Suburbanos e que fiz 5 temporadas e ainda rendeu um longa, previsto para 2020! E depois veio o convite da Andrea, produtora de elenco, juntamente com Marcius Melhem, para passar um período no Zorra [humorístico de sábado da TV Globo]. Quando acabou o Zorra, no final do ano, além das gravações da quinta temporada dos Suburbanos, veio Bom Sucesso.

T+M: Com uma trajetória tão incrível, qual o papel dos teus sonhos, Carla? 
CC: No futuro, acho que seria incrível fazer uma travesti, uma prostituta, surda muda, ou alguma personagem espiritual. Sou louca para fazer! Taí um sonho que eu tenho, mas ator não escolhe. O melhor são os desafios, que deixam o ofício mais prazeroso.
 
T+M: Você personifica a mulher brasileira: trabalhadora, flexível... mas preciso perguntar qual a tua visão da participação do negro nas artes. Você já sentiu preconceito? 
CC: A participação do Negro não pode ser participação! Acho que tinha que ser uma coisa natural, porque o Brasil é mistura. Talento e vocação não têm cor! Acho importante ter todas as raças em qualquer produção: identificação é importante para quem é diferente. Já enfrentei preconceito na vida, [mas foi] sutil. Quando criança, eu percebia mais. Minha mãe sempre me criou com a frase “não se contamine”. Isso não quer dizer que não possamos nos defender, se acontecer. Mas também não podemos viver com barreiras.
 
T+M: Qual o maior desafio em ser atriz, negra, de origem humilde no Brasil?
CC: Todos. O desafio nunca acaba e a única “arma” que Deus me deu, foi a Arte e, nela, tenho tudo. Por isso, correr atrás e ser feliz todos os dias é a resposta, embora eu sinta falta de ter mais opções para nós. 

Para conhecer mais:
@carlacristinateatro

Troppo
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