Pets sobre rodas: Conforto e alegria para as dificuldades motoras

Tarik Duarte

Quem já foi (ou é) tutor de um pet, entende melhor a força do vínculo entre o humano e o animalzinho de estimação. Não são raros os casos em que os animais passam realmente a integrar uma família, aumentando as responsabilidades sobre vidas completamente dependentes de seus donos. Conhecemos histórias de bichinhos de estimação que ganharam cadeiras de rodas, resgatando suas felicidades (e de seus tutores).

Entre os deveres de pais e mães de pet, um dos mais importantes é o passeio, pois é o momento em que o animalzinho vai socializar com outros de sua espécie, além de se exercitar e atender a um de seus instintos mais primitivos: o de forragear. Na biologia, ‘forragear’ significa vasculhar o território em busca de alimento, sendo inato a qualquer animal, tornando essa movimentação parte essencial desse processo, já que boa parte da locomoção animal é motivada pela caça por comida.

Mas e quando o animal não consegue mais se movimentar? Seja após um acidente, ou por uma má formação ao nascer e, até mesmo, em função do envelhecimento natural dos seres vivos: tem sido cada vez mais comum de pets necessitarem de apoio em sua atividade mais básica, que é andar.

Atento a essa demanda, o mercado tem se adaptado cada vez mais ao uso de órteses veterinárias, que nada mais são do que dispositivos que auxiliam os animais a manter funções vitais a sua vida, como a movimentação. Um grande exemplo são cadeiras de rodas para pets.

Lua (Naiara Jinknss)

Michelle Muriel, tutora da yorkshire Lua se viu nesta situação. “A Lua apresentou mais de uma hérnia de disco na coluna cervical, aparentemente devido à idade avançada e, além de perder o movimento das patas, perdeu o equilíbrio e a força. Com a fisioterapia, ela recuperou parte dos movimentos das patas, mas sem conseguir ficar de pé, então a cadeirinha de quatro rodas veio para ajudá-la a se movimentar. Fora da cadeira, ela não consegue andar”, afirma.

Após 15 anos de vida, Lua teve uma fase difícil ao perder gradativamente o movimento de suas patas, levando a uma grande tristeza, além de insônia. A pet sofria também com o tédio, já que precisava ser carregada para todos os lados. Agora a tristeza ficou no passado, já que voltou a andar pela casa toda, fato que a ajudou a normalizar o sono e exercitar cada vez mais o movimento de suas patas, deixando sua tutora mais tranquila. Como boas notícias andam acompanhadas, Michelle relata que nenhum outro cachorro estranhou a cadeira de Lua, já que interagem normalmente com a cachorrinha, cheirando seu novo “brinquedo”, ao qual ela se adaptou completamente.

Lua começou a usar a cadeirinha há quase dois meses, mas a busca pelo equipamento durou mais de um mês. O importante mesmo é que agora Lua é pura alegria por ter reconquistado sua qualidade de vida com mais autonomia. 

“Primeiro ela ficou assustada ao usar, já que inicialmente ela mexia só um pouco das patas traseiras, então, no primeiro dia ela ficou parada no lugar. No segundo já conseguiu sair do lugar e nos dias seguintes saiu andando sem controle. Agora ela já domina a cadeirinha e vai para onde quer”, comemora a tutora.
 

Cadeira de rodas para eles - A responsável pelo novo equipamento de Lua é a paraense Mara Picanço, que está à frente do projeto ‘Cadeira de Roda Para Cães’ e teve seu serviço descoberto por Michelle por meio de um amigo, que a indicou, mas engana-se quem pensa que ela é nova no negócio. Mara afirma já atender cães e gatos necessitados da cadeira de rodas há aproximadamente oito anos, tendo iniciado no ramo, logo após um cachorro de sua família tornar-se dependente do equipamento. Com auxílio e orientação do veterinário na época, a autônoma conseguiu montar a cadeira com uso de PVC (como base para a estrutura), além de complementar com esponjado, parafuso, lona e tinta, para customizar de acordo com a vontade dos tutores.

Ela conta que, após postar uma foto em suas redes sociais, da primeira cadeira feita, os pedidos começaram a surgir e hoje são uma importante fonte de renda para Mara, além de torná-la uma referência na cidade em relação a esse tipo específico de órtese. Hoje as encomendas vêm também de fora do estado e até do exterior, mas ela afirma concentrar sua produção para moradores do Pará, já que a cadeira muitas vezes precisa de ajustes para se adaptar perfeitamente ao pet, sendo que o equipamento é feito completamente sob medida.

“Caso haja alguma diferença, eu ajusto na hora da entrega, durante o primeiro uso do animal na cadeira, para deixá-lo bem acomodado. Ainda dou três meses de garantia, já que o pet pode crescer ou engordar. A ideia é deixar o mais confortável possível”, explica Mara, que chega a perder as contas de quantas encomendas entregou ao longo dos anos que decidiu iniciar essa prestação de serviço.

Segundo a própria, o tempo médio, entre o primeiro contato com o animal para fotos e verificar as medidas necessárias para a cadeirinha e a entrega do equipamento finalizado, é de uma semana, mais o tempo de eventuais ajustes. Mara diz que antes não conhecia ninguém que oferecesse o serviço e isso a levou a ver com outros olhos a necessidade do mercado, transformando-a em uma oportunidade de trabalho.

Atualmente, vários profissionais e clínicas veterinárias a indicam para a confecção de cadeiras, além de ser apontada pela própria Universidade Federal Rural do Pará (UFRA) como a profissional indicada para esses casos. Ela aponta que a maior demanda é para animais com baixa mobilidade em patas traseiras, mas conta que já entregou um equipamento para uma gatinha que nasceu sem as patas dianteiras.

“Quando o animal tem um curto período sem andar, ele consegue se adaptar na mesma hora [que utiliza a cadeira pela primeira vez], mas quando a locomoção está afetada por mais tempo, o processo acaba ficando um pouco mais complicado, mas nada que, eventualmente, não seja conquistado por eles”, conta.

Para quem confere a qualidade do equipamento, fica ainda mais surpreso ao saber que o serviço completo de Mara é de cerca de R$ 150 para gatos e R$ 200 para cães de pequeno a médio porte, variando de acordo com a necessidade do animal e de seu tamanho, mas tendo um valor inestimável para os tutores ao verem seus companheiros recobrando sua locomoção. Mara conta que também recebe muitos clientes que já nasceram com a mobilidade alterada, caso da poodle Sophia.

Thiago Soares, tutor, fala que a pet já nasceu com as patas traseiras arqueadas, o que dificultava um pouco seus movimentos, mas não a impediu de ser a cachorrinha mais sapeca da casa. O caso apenas se agravou com uma cirurgia realizada na pata direita traseira da poodle, deixando-a sem movimento no membro. Isso acabou aumentando o uso da pata contrária, levando Sophia a um estado de exaustão, além de ficar propensa a machucados, já que arrastava o lado sem movimento.

Thiago Soares (Naiara Jinknss)

 

A família agradece ter cruzado o caminho de Mara, pois, ao pesquisarem por cadeirinhas de rodas, os resultados eram apenas em outros estados, tornando a possibilidade muito cara, o que não foi o caso ao conhecer o trabalho oferecido pela paraense de Santarém, que hoje reside em Belém.

A grande surpresa foi da própria Sophia, já que a cadeira a tornou mais veloz do que antes, o que, em um primeiro momento, foi estranhado pela pet, mas após alguns ajustes e poucos dias de treino, já mostrou-se totalmente adaptada ao equipamento e comemora as novas possibilidades de movimentação.

Lembrando que a necessidade de caminhadas ajuda os pets a gastar a energia acumulada nas horas dentro de casa, os tornando mais calmos e menos propensos a maus comportamentos como roer móveis ou atacar visitas, então quanto mais exercício, mais saúde para toda a família do pet.

Para saber mais:
@cadeiraderodaparacaes

Troppo
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