Pais: homens que não ajudam, dividem!

Flávia Ribeiro

A divisão de tarefas, responsabilidade e afetos, está presente no modelo de paternidade que cada vez mais homens têm escolhido na chegada dos filhos.

Aquela imagem do pai cuja a missão era encarada como apenas de sustentar a família está ficando cada vez mais distante da realidade das famílias. Com as mulheres no mercado de trabalho, os homens estão cada vez mais conscientes de que não basta ajudar a mãe na criação dos filhos: é necessário dividir, compartilhar as responsabilidades. E isso implica receber mais afeto e amor dos filhos também.

Uma prova de que o modelo de paternidade vem mudando é do fotógrafo Dudu Maroja. Foi com o pai que ele aprendeu muito do que vem aplicando hoje. “O meu pai é uma das pessoas mais maravilhosas que conheço. Ele sempre foi muito presente. Nunca levantou a mão para mim e os meus irmãos. Uma vez tentou dar um chinelada, mas voltou com os olhos cheios de água e pediu desculpas. Ele conseguia nos repreender só com o olhar”, relembra.

Do casamento com Graziella veio uma menina, de 1,3 anos de idade para fazer toda a diferença na vida do casal. “A vontade de ter uma criança era grande, tanto que antes mesmo da gravidez, já tínhamos o nome. Acabamos mudando. E agora a nossa prioridade é a Eduarda. Isso foi a principal mudança. Tudo o que fazemos é pensando no bem-estar dela” comenta o fotógrafo.

No dia a dia, pai e filha passam muito tempo juntos. Como Graziella precisa estudar e de tempo para a faculdade e por ter mais tempo livre em função do seu trabalho, Eduarda passa muito tempo com o pai. Uma divisão de tempo, que ele afirma vir acontecendo de maneira bem natural e que está funcionando os três.

“As pessoas se admiram de me ver com ela, como se eu estivesse fazendo uma coisa extraordinária ou um favor para a minha mulher. Já eu, estranho esse tipo de comportamento porque isso é normal para mim. Venho de uma família em que os pais são muito presentes da vida dos filhos. Eu não entendo esse tipo de espanto”, afirma.

Maroja acredita que a responsabilidade pela vida da criança e criação devem ser compartilhadas igualmente entre os pais e que é necessário valorizar esses momentos. “As pessoas perdem muito tempo tentando impressionar, tentando ganhar likes ou parecer ser algo que não são. Esse mesmo tempo poderia ser usado para momento ao lado da família e dos amigos”, destaca.

Assim, como Dudu, o supervisor de vendas Felipe Seabra também aprendeu em casa sobre o modelo de paternidade que queria exercer. Os pais se separaram quando ele tinha cinco anos de idade, mesmo assim, as lembranças são muito boas do pai. “Tenho muito na memória um modelo de participativo e presente de paternidade. Hoje, tenho um emprego bacana, casa e família e vem muito dessas lembranças a cultura de valores que aprendi e quero ensinar às crianças” afirma Seabra.

Do casamento com a Cris Pelaes, veio Malu, de dois anos de idade, mas a paternidade começou a ser exercida há nove anos, com o enteado Thiago, hoje, com 18 anos. “A nossa relação é muito de parceria. Sempre fomos muito próximos e estou aqui como a figura paterna mais próxima dele e da sua vida no dia-a-dia. Depois desses anos com ele, eu vejo que estava no caminho certo. Cresceu e é uma pessoa muito boa”, analisa Seabra, informando que também teve um padrasto e lembra bem da pessoa que ficou ao lado da mãe e o ajudou também no seu crescimento.
Ele adora ser pai e tenta passar muito do seu tempo com a família até por ter consciência de que as cobranças recaem mais pesadas em cima da esposa. “Às vezes, a mãe é mais dura até porque passa mais tempo com eles. Ela trabalha em casa, então além do trabalho tem que lidar com casa e filhos. É mais puxado. Quando chego em casa, eu sei que fico mais com o bônus e que ela pode estar naturalmente mais cansada. Por isso, assumo mais as coisas quando chego do trabalho e nos fins de semana para que ela descanse um pouco” pontua.

Ser pai tem sido uma experiência maravilhosa para ele e a mensagem de mais um dia doa pais é de que os homens se aproximem dos seus filhos e criem vínculos. “A chegado do Thiago me ajudou a amadurecer mais. A gente conversa muito e consegue se entender bem assim. A Malu foi um sonho nosso. Eu sempre quis ser pai de menina. Não foi planejado, mas foi esperado. Foi a primeira neta da família, a vinda foi muito comemorada. Eu sou muito feliz com a família que tenho e se pudesse, passaria mais tempo com eles porque sei que esses momentos vão influenciar muito da vida deles, como influenciaram na minha”.

Como Seabra e Maroja mostraram, foi- se o tempo em que a criação dos filhos era uma responsabilidade tida como exclusiva das mulheres. Eloi Iglesias, por exemplo, se define como “pai solteiro”. A paternidade é um dos lados menos conhecidos pelo seu público.

Muito lembrado pelas músicas e performances artísticas, o artista também é pai de Uirá Uaury. “Acho que me saí bem melhor que esperava. E ele cresceu mais justo aos sentimentos dele; os sentimentos dele de justiça são maiores que o meu. Hoje, ele é empresário e me enche de orgulho”, comenta o artista, afirmando que ser pai significa “ter a permissão de Deus para sermos anjo na vida de um ser que ele nos enviou”.

O fato de ser “O” Eloi Iglesias não causou empecilho para a criação do filho. “Quando se é artista parece que não temos trabalho. As pessoas acham que é sempre hobby, mas tive sorte de ser reconhecido como pessoa que vive de arte no meu estado e garantir meu acesso ao mundo”, comenta.

A relação dele com o filho é de respeito mútuo e para ele, paternidade responsável implica respeito e liberdade. Há três anos, Iglesias também se tornou avô de Gabriel, de quem se define como anjo reserva. “É uma delícia ser avô! Recomendo muito que todos sejam pais. Amo demais meu filho e o eduquei como meu pai me educou... logicamente, com algumas liberdades, né?”, diverte-se.

E neste Dia dos Pais a mensagem é: “Que respeito e liberdade são essenciais para uma relação de amor amizade fraternidade compreensão e sucesso”. É isso. Precisa mais?

Troppo
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