Manchas que marcam a pele por toda a vida

É importante saber lidar porque, mesmo não sendo grave, não há cura, mas há vários tratamentos disponíveis

Flávia Ribeiro

O sol tão típico da região amazônica, associado a outros fatores, como hormônios, pode ser desencadeante de um problema tipicamente feminino: o melasma. As manchas escuras que aparecem quase sempre na face, mas que podem ocorrer no colo, braços e pescoço, ocorrem majoritariamente em mulheres, na fase reprodutiva e com os tons de pele mais escuros.

A dermatologista Rafaela Vilaça explica que o melasma é uma condição crônica e recidivante e sem causa definida. “Sabe-se que o principal fator está relacionado à exposição aos raios ultravioleta; à luz visível; à genética individual; à ação de hormônios femininos presentes nos anticoncepcionais orais; à gravidez, período em que alterações hormonais estimulam a atividade dos melanócitos (célula produtora de melanina na pele); em disfunções da tireóide, além do uso de cosméticos irritantes ou de algumas medicações”, informa.

Rafaela Vilaça (Divulgação)

Segundo a médica, o principal fator desencadeante é a exposição aos raios ultravioleta (UV), mas até mesmo a luz visível, como de lâmpadas, computadores e celulares, pode intensificar o melasma. “A maior parte das pessoas com melasma possui um histórico de exposição diária ou intermitente ao sol, porém nem todos os pacientes que se expõem ao sol tem melasma, o que afirma que condição genética é também bastante relevante”, comenta.

Como a exposição solar é o fator preponderante, então a principal forma de prevenção é evitá-la, e quando não for possível, colocar barreiras para a ação do sol. Ou seja, o uso de protetor solar com alta proteção, a raios UVA e UVB e de preferência que sejam com cor, uma vez que o pigmento oferece uma proteção a mais para a pele. Além disso, uso de roupas com tecido tecnológicos, chapéus e bonés. “Atualmente, utilizamos antioxidantes orais que aumentam a proteção do DNA contra a ação nociva dos radicais livres produzidos pela radiação UV” 

O diagnóstico é feito por meio do exame clínico com a luz de Wood para avaliar a pigmentação da pele. Depois disso, é começar o tratamento mais adequado para cada caso. “Isso deve ser realizado desde o início das primeiras manchas a fim de evitar a evolução e extensão do melasma. Geralmente utilizamos cremes com ativos clareadores e antioxidante, como a vitamina C, por exemplo, realizamos infusão de medicamentos através da técnica de microagulhamento, onde conseguimos ‘colocar’ ativos clareadores em camadas mais profundas da pele, além de também utilizarmos lasers para o melasma mais resistente. O tempo de tratamento depende do grau de clareamento e a expectativa do paciente. Já as sessões de laser podem ser feitas com intervalos de 15 em 15 dias para que não ocorra irritação excessiva e efeito rebote da mancha”, afirma a médica, ressaltando que o melasma não tem cura, só controle.
A empresária, Neyla Paixão, 49 anos, convive com as manchas no rosto há quase vinte e cinco anos. Desde a primeira gravidez percebeu algumas manchas, mas não se incomodou. Já na segunda gravidez, percebeu que estavam ficando mais escuras. Ainda, assim não deu muita importância. Foi com o incentivo das filhas, hoje, com 24 e 20 anos, que ela procurou ajuda médica. “No começo eu não me importava muito, mas foi piorando nos últimos anos. As minhas filhas começaram a chamar a minha tenção para o problema e quando filha fala, a gente tem que escutar. Eu também comecei a não gostar, quando olhava no espelho”, fala.

A partir disso, ela cuidados específicos com a pele passaram a fazer parte da sua rotina. “Não pode pegar sol de jeito nenhum sem proteção solar. Então, passei a usar protetor solar todos os dias, até mesmo em dias nublados ou de chuva. Com os tratamentos já melhorou bastante, mas não pode descuidar porque elas voltam a escurecer”, avalia a empresária.

Também foi durante a gravidez que Adriana Ramos Barros, empresária, 45 anos percebeu uma alteração no rosto. “Uma pequena mancha apareceu no meu nariz durante a segunda gravidez, mas não evoluiu por anos. Até que começou a crescer e ocupou as maçãs do rosto”, relata.

Adriana (Naiara Jinknss)

 

Há cinco anos começou vários tipos de tratamentos. Por ser proprietária de uma farmácia, Adriana tem acesso a cremes e cosméticos, mas ela diz que as melhoras são momentâneas. “As manchas amenizam por um tempo, mas voltam piores. Eu percebi que alguns tratamentos também deixam a pele mais fotossensíveis, então basta o vapor quente de um carro fechado ao sol para que voltem ou a luz do computador para o melasma piorar”, destaca.

Depois de algum tempo em tratamento, ela comenta que parou por algum tempo, só manteve os cuidados. “Às vezes, esse ciclo de tratamento é cansativo. Já vi pessoas de outras regiões com resultados excelentes, mas aqui é complicado porque não há como fugir do sol. Alguns tratamentos exigem que não tenhamos nenhum tipo de exposição ao sol, mas mesmo em dias nublados, o sol vem. Já me disseram que não tem cura. Só tratamento e que é continuo, então é saber levar”, enfatiza a empresária

Troppo
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