Idosos devem ter cuidado redobrado com a pele

Por Vanessa Van Rooijen

A pele é o maior órgão do corpo e pode ser um dos mais vulneráveis dependendo do clima e raios solares. Pelo tempo de exposição, é o órgão que mais precisa de proteção.

Rita de Cássia Monteiro, 63, sabe muito bem disso. A comerciante trabalhou durante toda a vida em um restaurante na praia. Cerca de 10 anos atrás, Rita percebeu que as peles do corpo e do rosto estava com manchas e decidiu procurar um médico especialista. Depois de entender que as manchas eram causadas pelo clima e exposição ao Sol, Rita decidiu sair da praia. Mesmo com os cuidados que ela tomava - protetor solar e boné - a comerciante adquiriu doenças na pele devido a insolação.

A comerciante Rita de Cássia Monteiro, 63, trabalhou durante toda a vida em um restaurante na praia e adquiriu doenças na pele devido à insolação. (Acervo pessoal)

Rita conta que hoje evita ao máximo o contato com o Sol, principalmente devido as consequências da menopausa que a faz transpirar muito. "Eu uso muito hidratante e protetor solar, tudo apropriado para a minha pele. O Sol traz vários problemas, como manchas na pele, por exemplo. A partir dos 40 anos temos que ter muito cuidado porque a região Norte é muito quente. Mesmo quando chove, o Sol aparece. Temos que cuidar da nossa pele porque o Sol acaba envelhecendo, principalmente se ficarmos expostos em horários inadequados. Não podemos achar que a idade não apresenta problemas porque isso é bobagem. Se não nos cuidarmos podemos ter uma insolação ou um câncer de pele", pontuou. 

Dados da Sociedade Brasileira de Dermatologia mostram que há, aproximadamente, 15 milhões de idosos com problemas de pele no Brasil. Os tumores cutâneos (benignos, pré-malignos e malignos), as micoses superficiais e o ressecamento/espessamento da pele são os problemas mais comuns nos brasileiros com 65 anos ou mais. Eles também se queixam de manchas, alergias e psoríase, que aparecem na sequência. 

O médico dermatologista, Jorge Nazareno Barros Junior, afirma que o clima quente e úmido do Pará favorece quadros de desidratação na pele, além de criarem um microambiente propício para a proliferação de fungos causadores de dermatoses. "Os idosos essencialmente são mais sensíveis aos efeitos da desidratação, podendo sofrer com tonturas, visão turva, sensação de desmaio. Logo, oferecer mais líquido para esses pacientes, além do uso da loção hidratante, torna-se uma medida essencial. Não se deve esquecer do uso correto do filtro solar, fundamental para se prevenir queimaduras e o mais importante: a prevenção do câncer de pele.

O médico dermatologista Jorge Nazareno Barros Junior afirma que o clima quente e úmido do Pará favorece quadros de desidratação da pele e de proliferação de fungos causadores de dermatoses (Fabrício Santana)

Ele explica que a pele do idoso possui particularidades, já que ela se torna mais fina e delicada – portanto mais susceptível à desidratação. "A diminuição da atividade das glândulas sebáceas culmina numa maior susceptilidade a infeções por fungos e bactérias, devido a diminuição do seu fator protetor. Portanto medidas de autocuidado e detecção precoce de alterações na pele devem ser reforçadas e estimuladas”, afirma. 

Além das medidas de autoexame, hidratação e foto-proteção, é essencial o adequado controle de doenças crônicas. Como exemplo, o especialista cita o diabetes, uma doença cujo processo cicatricial pode ficar comprometido num cenário de descontrole da doença. “O status imunológico do paciente diabético o torna mais susceptível a infeções por fungos e bactérias, podendo apresentar dermatoses caudadas por esses agentes com uma frequência maior em relação aos pacientes com bom controle clínico da doença, tais como as micoses e quadros como erisipela e celulite. O acompanhamento com o médico dermatologista deve ser estabelecido para a detecção precoce de potenciais agravos a saúde e a correta intervenção", afirma.

O enfermeiro dermatológico com ênfase no tratamento de feridas, Marcelo Mendes, afirma que são imprescindíveis a hidratação da pele com hidratantes de PH levemente acidificados, ingestão de líquidos, evitar exposição excessiva ao sol, uso diário de protetor solar com Fator de Proteção Solar acima de 30 e, para as mulheres, evitar dormir com maquiagens na prevenção às doenças de pele. "O cuidado com a pele não deve ser feito somente no que diz respeito à estética. Devemos lembrar que a pele representa cerca de 15% do nosso peso corporal, necessitando de cuidados como qualquer outro órgão", pontua.

"Devemos lembrar que a pele representa cerca de 15% do nosso peso corporal e necessita de cuidados como qualquer outro órgão", pontua o enfermeiro Marcelo Mendes (Naiara Jinknss)

O especialista explica que os tumores malignos cutâneos se dividem basicamente em dois tipos: melanoma e câncer de pele não-melanoma. O primeiro é menos frequente e muito agressivo. As principais características é o surgimento de uma “pinta” nova, correspondente a 70% dos casos; ou mudança na cor, contorno, tamanho ou aparecimento de algum sintoma (dor, prurido ou sangramento) numa “pinta” já existente, o que equivale a 30% dos casos. De acordo com Marcelo, a prevenção é essencial. "Autoexame e prestar atenção na pele; procurar um médico sob qualquer suspeita; exames completos da pele, se possível anualmente; evitar exposição ao Sol sem a adequada proteção, especialmente no período de maior risco, entre 10h e 15h; e usar protetor solar, acessórios protetores como óculos de Sol, chapéu ou boné e sombrinhas, além de roupas com foto-proteção são formas de evitar doenças. 

Marcelo Mendes descreve que existem diversos tipos de tratamento que vão desde cirurgias dermatológicas ambulatoriais a cirurgias mais extensas, podendo haver a necessidade de quimioterapia e outras terapias específicas para o combate ao câncer de pele. Os sintomas do câncer são: Dor, prurido ou sangramento numa “pinta”; “espinha” que não cicatriza após 1 ou 2 meses ou de lesões/feridas com crescimento rápido e progressivo associado a escamações e que, eventualmente, doem ou sangram; e, por último, as manchas avermelhadas com textura áspera, ressecada, às vezes com escamas espessas e aderentes, muito frequentes no rosto e braços de pessoas de pele clara, são muito incidentes e podem indicar lesão pré-maligna. "Seja qual for o sintoma, é importante procurar imediatamente um serviço de saúde, de preferência um serviço de dermatologia, visando o diagnóstico precoce", destaca. 

Maria Raimunda dos Santos faz tratamento há três anos para curar uma úlcera vascular ocasionada por uma "bolinha" que surgiu na perna direita (Naiara Jinknss)

Maria Raimunda dos Santos, tem 62 anos e faz tratamento há três anos para curar uma úlcera vascular ocasionada por uma "bolinha" que surgiu na perna direita. O mesmo ocorreu anos atrás na perna esquerda da doméstica, mas devido ao avanço da doença e infecção, o membro precisou ser amputado. Isso não é razão para tristezas. A doméstica afirma que está firme e forte no tratamento e que já sente as melhorias. "O tratamento que eu faço é maravilhoso. A ferida está quase seca e hoje eu me sinto muito bem. Não sei o que causou a ferida. Lembro de ficar vermelho e estourar, então a primeira coisa que fiz foi procurar um médico", lembra. A partir das experiências vividas. Maria dá dicas para outros idosos. "Temos que cuidar da nossa saúde. Os idosos precisam ter um cuidado maior porque os casos são complicados. Eu espero que, quem estiver com algum problema de pele, faça como eu estou fazendo: procurei um médico, estou fazendo o tratamento e já percebo as melhoras significativas", orienta.

Envelhecimento, externo e alimentação

De acordo com o Marcelo Mendes, o envelhecimento da pele pode ser divido em intrínseco (interno) e extrínseco (externo). O primeiro é genético e cronológico, decorrente do passar dos anos. Já o extrínseco resulta de fatores externos. "Danos ambientais, principalmente da radiação ultravioleta (UV) emitida pelo sol (foto-envelhecimento), além de outros fatores como tabagismo, profissão, hábitos nutricionais e poluição são os influenciadores", destaca o especialista.

Ele afirma que grande parte das marcas que identificamos numa pele envelhecida é consequência do foto-envelhecimento. A exposição crônica a radiação solar por várias décadas é principal responsável pelas modificações na pele.

Proteger-se de doenças de pele vai além de não se expor ao Sol. Marcelo Mendes explica que uma boa alimentação também contribuiu para que doenças não se desenvolvam. A alimentação deve ser rica em fibras, de preferência dietas naturais, com uma boa ingesta hídrica. Além disso, evitar os industrializados e optar por carnes brancas. Esses elementos nutricionais auxiliam na manutenção de um organismo saudável, em especial a pele.

Troppo
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