Esportes gringos com sotaque paraense

Sabias que o Pará possui uma federação de futebol americano? A gente te fala mais sobre essa e outras modalidades esportivas que são fortes em outros países, mas já ocupam espaço por aqui

Rodrigo Cabral

Se pensavas que, morando no Pará, o mais próximo que poderias chegar de uma partida de hockey era assistindo a um filme da "Sessão da Tarde", vais levar um tombo - de patins - ao saber que aqui tem bastante gente treinando e até disputando campeonatos nacionais. Coincidência ou não, foi em uma dessas produções do cinema americano que Mário Augusto Freitas Ferreira, 37 anos, se encantou pela dinâmica do esporte que une patinação, velocidade e altruísmo. “Comecei a andar de patins na década de 1990, mais precisamente no ano de 1993. Naquela época, tinha começado uma febre de patins em Belém. O pessoal andava frequentemente no CAN (hoje Praça Santuário de Nazaré). Depois surgiu um espaço de patinação na travessa Castelo Branco, quase na esquina da Conselheiro Furtado. No rink (pista de patinação), passava muito o filme dos Ducks, ‘Nós Somos Campeões’, que contava a história de um time americano formado por crianças. Lá, vendo o filme, a gente se interessou em jogar, em 1994. Na época havia cerca de 12 times, até que esse espaço fechou em 1998. Fiquei afastado do esporte até 2012, quando voltei a reencontrar as pessoas daquela época”, conta o jogador, que também é formado em Sistemas de Informação e trabalha com desenvolvimento de sistemas pra web.

O Hockey tem certa semelhança com o futebol de salão. São quatro jogadores de linha e um goleiro em cada time. O objetivo é fazer gol. “É um esporte bem veloz, a adrenalina está sempre lá em cima”, destaca Mário, que, hoje integra a ‘Belém Búfalos’, equipe fundada em 2018. Além de treinos e disputas de campeonatos, o time mantém um projeto social, que ensina e estimula a prática do hockey gratuitamente. “No ano de 2014, a gente treinava nas dependências de um sindicato. Depois de um certo tempo, mudou a direção da entidade e ficamos sem quadra para treinar. Um de nossos atletas era professor e dava aulas na Escola Técnica Magalhães Barata. Ele lembrou que, lá, havia uma quadra abandonada. Nos reunimos e fizemos um projeto de reforma para adaptá-la para a prática do hockey. A iniciativa foi a provada pelo conselho escolar e pela Seduc. Fomos liberados para realizar a reforma e Belém passou a ter a primeira arena de hockey da cidade”, lembra. Com o passar do tempo, o time foi crescendo e a quadra ficou pequena. O Búfalos precisou buscar outro espaço para treinar, mas os jogadores não conseguiram se afastar daquela pista e de tudo que ela representou para a constituição do time. 

Diante desse apego emocional e do compromisso em contribuir para o crescimento do hockey no Pará, o Búfalos decidiu criar um projeto social, uma escolinha que ensina técnicas avançadas de patinação e as regras do esporte. Totalmente gratuita, atende alunos de quatro a 55 anos de idade. “Pra quem não tem patins, a gente dispõe de uns pares e empresta. Quanto mais pessoas aprenderem, mais jogadores teremos, mais times serão formados e, assim, fortalecemos a prática local.  A patinação para o hockey é diferente da patinação de rua, exige mais agilidade, técnicas de curva, de freio. No Pará, além do Búfalos, há outro time chamado ‘Belém Bulldogs’ e uma nova equipe que está sendo montada em Parauapebas. Juntando o nosso time e os membros da escolinha, contamos com cerca de 50 pessoas praticando, entre homens, mulheres e crianças”, afirma Mário Augusto. 

Mário Augusto Freitas Ferreira (Naiara Jinknss)

 

O desempenho dos atletas do Belém Búfalos vem crescendo na velocidade dos patins. Este ano, a equipe masculina foi campeã do Campeonato Norte e Nordeste de Hockey, de forma invicta. A primeira viagem do time masculino aconteceu em 2017, para participar da Liga Brasileira de Hockey, quando chegou até às semifinais. Em 2018, o Búfalos cometeu a façanha de ser o primeiro time da região norte a participar do Campeonato Brasileiro, realizado em Curitiba-PR. Agora é a vez da equipe feminina participar do nacional. “Mais do que títulos, esse esporte nos traz muitos ensinamentos para a vida. No hockey, é inadmissível a simulação. No jogo, se você cai, você levanta. O jogador só tem duas opções: ou está em pé ou está levantando. Não tem isso de ficar no chão. Se está machucado, vai para o banco. Além disso, a noção de trabalho em equipe é muito forte. O hockey não funciona com um só jogado; é preciso o envolvimento coletivo, respeitar o outro e procurar ajudar”, ressalta. 

Apesar de ser um esporte com intenso contato físico, o rugby é um esporte que também cresce no Pará, ressaltando cinco pilares comportamentais, que os atletas seguem à risca: paixão, integridade, solidariedade, disciplina e respeito. “No rugby, você não vê um jogador desrespeitando o juiz ou outro jogador. Não são toleradas jogada suja e palavrões. Em cada partida, existe um terceiro tempo. Depois da competição, os times se reúnem e celebram a competição”, destaca Lorena Silva dos Santos, 25 anos, gerente administrativa e, há 2 anos, praticante dessa modalidade esportiva. Ela integra o time Cabanos Rugby. Além dele, no Pará, existem outros três times ativos, o Acemira Rugby, o Japuaçu Rugby (ambos de Belém) e o Yawara Rugby (de Castanhal); além de outros dois em processo de reestruturação: o Lokomitva Rugby (de Castanhal) e o Godzilla Rugby (de Marituba).

O Rugby surgiu na Inglaterra e é disputado por duas equipes em que os jogadores conduzem uma bola oval com as mãos, podendo utilizar os pés para chutes e lançamentos. Por aqui, existem campeonatos regionais e estaduais. Neste semestre, vai acontecer o Pará Sevens, com 3 Etapas. A primeira será dia 14 de setembro. A segunda, em outubro e a última, em novembro. Como ainda não temos Federação, as competições regionais são organizadas pelos times, mas seguindo padrão de outras competições. Mas também existem muitas competições fora do estado e muitos atletas também transitam entre as regiões. O Cabanos Masculino foi convidado para participar do Pequi Sevens e, talvez, sonhar com uma vaga para o Super Sevens, a maior competição no País. “Temos chance! O Cabanos Masculino é um time muito competitivo e muito forte. Acho que podemos sonhar com uma vaga. Eu, a Camila, que também é do meu time, e a Di Paula (atleta do Acemira) fomos convidadas pelo Delta (time federado do Piauí) para jogar, de forma emprestadas, o Super Sevens (a maior competição de Sevens feminino)”, afirma Lorena.  

Forte e acolhedor. Acredite, assim é o futebol americano

Manoel Luiz Caracol Marques Junior, 27 anos, é wide receiver. Você sabe do que se trata? Em tradução literal, significa “recebedor de passe” e é uma posição no time de futebol americano. Sim, as terras paraenses já possuem tradição nesse esporte, inclusive com federação estadual, a Federação Paraense de Futebol americano (FEPAFA). Manoel é acadêmico de Educação Física e seu primeiro contato com esse esporte foi em 2014. No ano seguinte, ele participou da seletiva para o time local ‘Vingadores’, foi selecionado e hoje faz parte da equipe que é pentacampeã do campeonato paraense, campeã da região Norte, campeão da conferência Norte e Centro-Oeste e vice-campeã brasileira. Você leu certinho: o time paraense foi finalista no campeonato nacional, realizado no ano passado, em São Paulo. 

Vingadores (Naiara Jinknss)

 

“Eu sempre tive envolvimento com esporte individual. A primeira vez que tive contato com esporte coletivo foi com o futebol americano. Sua dinâmica e regras me atraíram muito. É um esporte bastante inteligente, onde você precisa ter um conceito de jogada muito bem definido, estudar bem para poder executá-las. Hoje, o esporte já está muito mais evoluído, em relação ao início. Aqui no Estado, são seis times: Vingadores, Belém Titans, Yelow Blacks (Castanhal), New Tigers, o Remo e o Paysandu. Algumas das conquistas dos Vingadores foram invictas, em que nós nos destacamos no cenário nacional pelos números que alcançamos sobre os times adversários. Chegamos a vencer por 70 pontos a zero”, destaca. 

Considerado um esporte agressivo para muitos, o futebol americano foi um verdadeiro acalanto para o nosso personagem em um momento muito especial de sua vida.  “Para mim, o time representa uma família. Houve um período da minha vida que eu tive depressão. E graças ao esporte, às pessoas que estavam próximas a mim no time, tive  motivação a continuar e consegui superar. Eu tenho um apego muito grande ao esporte porque me tirou dessa situação e pode ajudar as pessoas sempre, independentemente dos problemas que estejam passando. O esporte tem o poder de mudar a mente das pessoas”.

Manoel Caracol (Nayara Jinkkings)

 

Atualmente, os Vingadores estão disputando acesso pra essa liga nacional, dos times de elite. Hoje, o time está jogando em São Luís (MA). Em seguida, vai jogar em Belém e segue para a final, em Manaus. Por aqui, já estamos na torcida desde já.

Para saber mais:
@belembufalos 
@vingadorespa
@cabanosrugby

Troppo
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