Elas estão crescendo rapidamente

Conectadas com a realidade e com boa dose de percepção do atual momento, neste 12 de outubro o que elas mais querem é rotina de volta, liberdade e os abraços que não podem ser comprados

Jamille Reis

Bicicleta, patins, bonecos, jogos de videogame, bola... A lista de brinquedos é quase infinita, quando se questiona aos pequenos a respeito do que desejam ganhar no Dia das Crianças, data comemorada nesta segunda-feira, 12. Mas, será que são por bens materiais que eles estão realmente ansiosos? Conversamos com três crianças, de faixas etária diferentes, para saber quais as visões delas de tudo que está acontecendo no mundo, como estão encarando o "novo normal" e o que esperam daqui pra frente. 
 
"Se eu encontrasse o vírus, diria para ele ir embora, pegar as malas dele, as roupas, sapatos, os filhos e filhas e sair do Brasil e de todo o mundo". A frase é de Aimée Melo Martins Leal, de apenas 7 anos, mas reflete, de forma lúdica, o desejo de milhões de brasileiros. Assim como na vida de um adulto, a pandemia de Covid-19 também revirou a vida e a cabeça de crianças, de todas as idades, que passaram a lidar com uma nova realidade, porém, com a inocência e humor peculiares aos pequenos.

Estudante do 1º ano, Aimée tem dividido a rotina entre aulas presencial e on-line e aula de dança em casa. Ela conta que ficou sabendo sobre a pandemia por intermédio de sua avó, seus pais e pela TV, porque lá os "repórteres falam muito sobre ele". "O coronavírus é um vírus do mal, que deixa a pessoa doente. É um germe muito pequeno, por isso não conseguimos ver", explica ela, que gosta de cantar, dançar e pular corda. 
 
No dia a dia, a principal mudança sentida foi não poder mais abraçar os colegas na escola e brincar de mãos dadas. Mas, ela garante que não tem medo do ‘seu’ Covid, não. “É só usar máscara e sempre trazer um álcool, mas não podemos mais dar um aperto de mão... isso não pode mais”, conta Aimée, que acredita que o vírus é infinito, mas também pode ter uma vacina que cure todo mundo. “Quem ainda não pegou o vírus, pode tomar a vacina para não pegar. É tipo um escudo, mas que fica dentro da gente e protege”, explica a pequena, que está na contagem regressiva para deixar de usar máscara, pois “é algo que protege do vírus, mas não dá para respirar direito”.  
 
Ansiosa pelo Dia das Crianças, ela quer ganhar um overboard, um tipo de skate, e não tem pressa para deixar de aproveitar a data especial. “Eu gosto de ser criança, porque a gente ganha presente e não precisa ficar trabalhando. Ser adulto é chato, tem que sair todo dia cedo para trabalhar”, destaca. 
 
Pensamento positivo - Assim como Aimée, Marina de Araújo Medeiros de Morais, de 9 anos, também acredita que “algum cientista vai procurar uma vacina que todo mundo vai ficar bem e a pandemia vai acabar”. Ela acredita que a cura será logo em dezembro, mas também acha que pode ser só no ano que vem. Aluna do 4º ano, ela sentiu o impacto causado pelo distanciamento social, já que possui muitos amiguinhos na escola, balé, inglês, jazz e natação e, até agora, segue com as atividades em formato apenas on-line.  

“A parte mais difícil é que não pude rever os amigos. No normal, íamos para a escola, abraçávamos nossos amigos e eu conversava com a tia direito. E acabou que não dá mais para conversar e se ver como antes”, conta ela, sobre a adaptação das aulas pelo computador. “É legal, mas a internet não colabora muito, dá umas travadinhas”, completa.

Já o lado bom da pandemia, para Marina, foi ter a presença da mãe durante o período em que ela estava trabalhando em home office. “No começo foi muito bom, pois ela conseguiu ficar mais tempo perto de mim”, afirma.

Com o coração cheio de esperança e pensamentos positivos, ela acredita que no futuro tudo vai ficar melhor e voltar a ser como antes. E é justamente esse o seu pedido para o Dia das Crianças. “Primeiramente desejo que a pandemia acabe, que tudo fique melhor, que as pessoas fiquem bem e protegidas e que eu possa voltar a ir para a escola todos os dias. Quando chegar na escola vou comemorar e abraçar todo mundo”, destaca Marina.  
 
Mais segurança - Com um pouco mais de senso dos reais perigos causados pela Covid-19, João Felipe Costa Souza, de 14 anos, buscou informações da doença na internet, por meio do Google. No 8º ano e em regime de aulas on-line, ele teve medo da doença, pois sua mãe precisou passar por uma cirurgia durante a pandemia.“Foi bem complicado, pois minha mãe não tem carteira de motorista, geralmente andamos em carros de aplicativos e, com isso, fiquei com medo de ela pegar alguma doença”, revela.

O empecilho em visitar seus parentes, em especial os avós, que são idosos e moram em São Miguel do Guamá, também mexeu com os sentimentos de João. “Ainda não nos vimos pessoalmente esse ano, tivemos que nos adaptar e falar por ligações e videochamadas”, diz o estudante, que acredita que a situação, de forma geral, já esteja melhor, com diminuição na propagação da doença. 
 
Ele também teve a rotina interrompida e afirma que as mudanças foram grandes. João costumava ir caminhando até a escola todos os dias e, já que as aulas estão sendo ocorrendo a distância, ele se sente mais sedentário atualmente. “Sinto falta de ir para o curso, toda quarta, no museu, que aborda cultura amazônica e indígena, natureza e animais”, conta.  
 
Embora sinta saudades do dia a dia antes da pandemia, e mesmo com as dificuldades do ensino remoto, João prefere manter a segurança nesse momento. "Tenho certeza de que a cura chegará em 2021. Enquanto isso, mesmo com problemas no microfone e na internet durante as aulas, é melhor manter esta nova experiência", opina ele, que mora com a mãe e o irmão mais novo.
 
João, Marina e Aimée expressaram, com suas percepções de mundo, um pouco da explosão de sentimentos que todos sentiram, em algum momento, durante a pandemia. Ansiedade, medo, saudade e o desejo unânime de que tudo volte a ser como antes. Nesse Dia das Crianças, eles mostram que estão atentos a tudo e querem muito mais que brinquedos.

Troppo
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