Cuidar desde pequeno

Elck Oliveira

Ter uma dieta saudável e equilibrada é a meta de vida de muitos adultos. No entanto, com o agravamento de alguns quadros – como a obesidade – entre as crianças, os cuidados com a alimentação dos pequenos também passaram a ser uma preocupação geral. Pais, mães, escolas e nutricionistas estão cada vez mais focados em garantir, para meninos e meninas, uma variedade rica em frutas, verduras, legumes e com cada vez menos frituras, produtos processados e açúcares. 

Segundo dados do Ministério da Saúde divulgados no final do ano passado, três entre cada dez crianças, com idade entre cinco e nove anos, atendidas pelo Sistema Único de Saúde (SUS) estão acima do peso, o que dá 4,4 milhões. Do total de crianças, 16% (2,4 milhões) estão com sobrepeso, 8% (1,2 milhão) com obesidade e 5% (755 mil) com obesidade grave. Abaixo de cinco anos, são 15,9% com excesso de peso.

A nutricionista Cecília Vilhena, doutora na área de Biotecnologia e professora universitária, explica que atualmente, além da obesidade, as crianças têm sofrido muito com problemas como diabetes e hipertensão precoce, que estão diretamente ligados a uma alimentação inadequada e à alta oferta de calorias. “É comum também a deficiência de alimentos ricos em ferro e cálcio, o que pode comprometer o desenvolvimento cognitivo dessas crianças, ou seja, dificultar o aprendizado e atrapalhar o desenvolvimento pleno durante o crescimento, na chamada idade do estirão”, observa. 

De acordo com a especialista, o ideal é que essa preocupação comece mesmo com a família, para que a criança tenha um ambiente de referência para os bons hábitos alimentares, passando pelos aspectos higiênicos e até mesmo a forma como o alimento é adquirido e preparado. Posteriormente, a escola também deve encampar essa bandeira. “Sem dúvida, a escola, assim como a família, contribui para a formação das preferências alimentares das crianças, tudo isso de acordo com os recursos e a formação cultural da região”, aponta.

Mas, nem sempre, é o que acontece. A engenheira florestal Karina Pantoja, de 43 anos, conta que o filho mais velho, João, hoje com nove anos, ainda pequeno foi diagnosticado com intolerância ao glúten e ao leite. A partir disso, toda a família teve que fazer uma reeducação alimentar. “Por causa disso, aprendi os benefícios de uma alimentação saudável. Hoje, com nove anos, João já pode comer qualquer coisa, mas preferi continuar com os hábitos saudáveis. O José, meu segundo filho, que tem apenas dez meses, já está sendo introduzido nessa alimentação”, relata.

Potira Silva e família (Acervo Pessoal)

Para a engenheira, nem sempre as escolas estão preparadas para oferecer opções saudáveis para as crianças. “A maioria das lanchonetes é terceirizada e procura apenas o melhor custo-benefício para elas”, opina, acrescentando que, por conta dessa situação, passou a fazer os próprios lanches do filho. “Inicialmente você fica perdido, mas hoje existe um mercado amplo, com produtos naturais e saudáveis. Nas redes sociais, é fácil encontrar prestadores de serviço nesse ramo e os supermercados já têm seções só de produtos saudáveis, sem contar com as lojas especializadas, então, tudo se tornou mais fácil”, avalia. 

Essa também é a visão da bancária Flávia Nogueira, de 37 anos, que tem dois filhos: Samuel, de três anos, e Antônio, de um ano e oito meses. Ela procurou priorizar os alimentos saudáveis desde que os dois começaram a deixar a fase de amamentação exclusiva. Reconhece que não é fácil, especialmente na escola, onde, muitas vezes, a supervisão é falha, mas garante que o esforço vale a pena. 

“Meu conselho para os pais é justamente montar um cardápio semanal. Organizar-se para fazer feira uma vez por semana com as opções do cardápio. Envolver a família toda nessa rotina. A fruta do lanche do meu filho é a fruta do meu lanche e do meu marido no trabalho. Isso facilita bastante. Montar cadernos de receitas práticas e saborosas que podem, por exemplo, ser feitas de manhã cedo pelos pais. Organização é o segredo, além, é claro, da persistência”, explica ela, que costuma preparar pratos saudáveis com a ajuda dos filhos. 

Para a bióloga Potira Silva, de 39 anos, é preciso, sim, priorizar uma alimentação saudável, mas também sem restrições pesadas. Mãe de três filhos com idades diferentes (Clara, com onze anos, Danilo, com cinco, e Cauã, com um ano e quatro meses), ela sabe que não adianta apenas “proibir”. “Nos alimentamos bem durante a semana toda, então, aos finais de semana podemos consumir, por exemplo, sorvete e chocolate, de que todos nós gostamos. Com a Clara, que chegou em uma época da minha vida em que eu ainda consumia refrigerantes, negocio para que ela tome moderadamente, apenas aos finais de semana também. Mas os outros nunca chegaram a provar, então, fica mais fácil”, ressalta ela, que é adepta das atividades físicas. Como tudo na vida, Potira acredita que a alimentação das crianças pode e deve conter equilíbrio e muito amor.

Troppo
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