Cuidados com a asma: doença exige atenção e pronto atendimento

Flávia Ribeiro

Quando uma das doenças respiratórias mais comuns vitimou fatalmente, no mês de agosto, Fernanda Young, escritora, roteirista e atriz, todas as atenções se voltaram para a asma. Ela faleceu aos 49 anos de idade, após uma crise seguida de uma parada cardíaca. A história dela acende o sinal para quem lida com a doença. Mesmo permitindo que muitos pacientes tenham uma vida comum, a asma inspira cuidados e pode até matar.

Com histórico de asmáticas na família, Lana Paula Luna recebeu o diagnóstico da doença há seis anos. “A minha mãe é asmática. A minha filha mais velha também. Sempre tive rinite, mas a asma só apareceu depois dos 37, após a gravidez do Pedro Miguel”, relembra, a doula e terapeuta holística.

A morte da escritora chamou a atenção para alguns aspectos da doença. “Eu achava uma doença tão comum. Mas ela é crônica e precisa de cuidados, realmente. Passei a tê-los. Desde redobrar a limpeza a tirar cortina do quarto e tirar tapete” afirma. Além disso, a vida da paraense já havia sido marcada por uma tragédia que envolve a asma. “Uma amiga minha de infância morreu, aí em Belém, quando nós tínhamos 18 anos. Ela passou mal, a bombinha não deu jeito. Foi levada ao Pronto Socorro da 14, só que não havia a medicação e ela foi a óbito. Depois do diagnóstico, e quando vêm as crises, eu me lembro da Ângela. E depois, com a situação da morte da Fernanda Young, eu lembro que estresse é um fator que também desencadeia crise” analisa.

Lana Paula Luna (Arquivo Pessoal)

Paraense, Lana mora há sete anos em Goiás e, antes do diagnóstico, pensava que o clima da região estava causando incômodos, pois há períodos em que a umidade do ar abaixa bastante. “Eu sentia uma falta de ar constante. Dificuldade para fazer as coisas. Cansaço. Rinite. E no exame clínico fui diagnosticada com asma. Desde então, não vivo sem a bombinha na bolsa. Já tive crises sérias de precisar ir na urgência. E agora, nestes tempos horrorosos, eu piorei. Tenho tido crises recorrentes. As práticas de Yoga, sobretudo os exercícios de respiração têm me ajudado a levar uma vida melhor apesar do estresse que esse país nos dá”, comenta. 

Apesar de os médicos recomendarem a natação como atividade física, ela conta que só nadava na piscina do prédio, como recreação e que se tornou instrutora de yoga para crianças. Apesar de seguir a medicação e de outros cuidados, asma já a impediu de realizar algumas atividades: falta fôlego para subir morros altos ou escadas com mais de 15 ou 20 degraus. “Já fui fazer trilha, não consegui seguir e voltei. Fiquei esperando o povo voltar”. Além disso, nos momentos de crise, até as tarefas rotineiras são comprometidas. “Quando não estou bem, tenho que parar as atividades. Não trabalho. Sou autônoma. Não levo as crianças para a escola ou às atividades que fazem”, pontua.

Já a professora Valéria Mariana da Silva convive com a asma desde os nove anos de idade. Hoje, com mais de 30 anos, ela conta que realmente se depara com a doença em crises. “É algo que nunca vou me acostumar porque quando tenho crise eu fico muito mal! Geralmente, as crises aparecem quando o clima daqui de Belém muda” destaca.

O diagnóstico foi em 1993, depois de um banho de chuva no Natal. Ela ficou muito doente, com falta de ar, chiado no peito e tosse. Na época, a mamãe a levou ao centro de saúde, onde foi constatado. Atualmente, a professora conta que não faz acompanhamento médico específico. Só em momentos de crise é necessário acompanhamento e atendimento e que o protocolo e quase sempre o mesmo: algumas injeções e aerossol.

Valéria Mariana da Silva (Naiara Jinknss)

Como a doença não tem cura e é crônica, o que a professora faz é tentar evitar as gripes porque isso piora as crises. Mas no geral, ela não deixa de fazer nada por causa da asma. “Eu corro e não sinto absolutamente nada! Na verdade, desde que comecei a fazer corrida as crises até diminuíram bastante” comenta Valéria, que é apaixonada por corrida de rua e que não precisa de remédios de uso frequente.

A pneumologista Flávia Ayres explica que a asma é uma doença crônica relacionada a fatores genéticos e ambientais que levam à inflamação das vias aéreas. “Pode ocorrer por um cheiro forte, cheiro de tinta, cigarro, etc. Não há uma causa determinada para a ocorrência”.

Ela ainda afirma que é necessário acompanhamento médico sempre, pois mesmo nos casos mais leves, pode ocorrer uma crise grave. “Os casos de asma não são iguais, algumas podem ser leves, mas há outras de difícil controle. Assim como há casos de quem é diagnosticado já na idade adulta, há pessoas que apresentam na infância, passam vários anos sem nenhuma manifestação até que ela volta”, alerta.

Flávia Ayres (Naiara Jinknss)

Entre os sintomas mais comuns estão falta de ar ou dificuldade para respirar, sensação de aperto no peito ou peito pesado, chio ou chiado no peito e tosse. A doença não tem cura e os sintomas podem variar durante o dia, podendo piorar à noite ou de madrugada e com as atividades físicas.

Asma em números - Segundo a Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT), a asma é uma das doenças crônicas mais comuns e afeta cerca de 300 milhões de pessoas em todo o mundo. A estimativa é de que no Brasil existam aproximadamente 20 milhões de asmáticos, entre adultos e crianças.

A asma é apontada como a terceira ou quarta causa de hospitalizações pelo SUS (2,3% do total), conforme o grupo etário considerado, com 350 mil internações por ano, segundo o DATASUS, o banco de dados do Sistema Único de Saúde, ligado ao Ministério da Saúde. É uma causa importante de faltas escolares e no trabalho

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