Crescimento vertiginoso das compras virtuais acende alertas

Que é cômodo, não há como negar, mas números de operações comerciais e de fraudes caminham juntos

Rodrigo Cabral

Grande parte dos brasileiros passou a se sentir mais confortável em realizar operações comerciais on-line. Segundo estudo realizado pelo NZN Intelligence, 82% dos consumidores com acesso à internet no país já se entregaram aos prazeres do e-commerce, seduzidos pela comodidade, agilidade e, claro, por menores preços. Outro número que salta aos olhos é o que demonstra o quanto essa modalidade está presente no dia a dia das pessoas: 74% delas preferem adquirir produtos pela internet a ir às lojas físicas, uma transformação que acompanha a consolidação da cultura digital.

O estudante de Marketing Crystian Denner Vieira de Souza, 20 anos, é um exemplo real disso. De uma geração considerada nativa da web, aquela que não conheceu o mundo antes da rede de computadores, ele realiza compras virtuais quase todos os dias da semana. “Eu prefiro fazer compras pela internet pela facilidade, pela acessibilidade, então, tudo fica mais fácil. Compro roupas, ingressos de shows e festas, remédios e, praticamente todos os dias, comidas em geral. Pelos aplicativos, peço meu almoço – alguma proteína, arroz, feijão etc. E, de tarde, a pedida é fast food”, conta.

Crystian Denner Vieira de Souza (Naiara Jinknss / Troppo)

Mesmo com tanta frequência e variedade em suas aquisições, ele ainda lembra da primeira vez que realizou uma compra a partir de cliques. “Foi em 2016. Fiz o pedido de uma calça em um site meio desconhecido. Parece mentira, mas o produto demorou seis meses para ser entregue. Eu, realmente, pensei que tinha sido enganado. Entrei em contato com a loja, por e-mail, e eles me responderam informando apenas que eu deveria continuar rastreando a encomenda pelos Correios. Jurava que nunca iria receber. Demorou tanto, que até me esqueci dela... Aí, do nada, a calça chegou em casa (risos)”. 

De 2016 para cá, a logística das empresas evoluiu e o tempo de entrega vem diminuindo. O que só fez com que o jovem Crystian estabelecesse um relacionamento sério com as operações comerciais on-line. “Eu, realmente, prefiro comprar pela internet, pois a facilidade é muito grande. A opção de delivery é muito satisfatória pra mim. No momento da compra eu, basicamente, dou uma pesquisada antes, pra ver se a loja é confiável”, afirma.

Não podemos esquecer que, nem sempre, o comprador da internet navega por um mar de rosas. Taylor de Souza Palermo Leão, 24 anos, designer gráfico e professor de Inglês teve uma experiência digna de “textão” nas redes sociais. “Há três anos, eu precisava de uma câmera esportiva que tivesse case à prova d’água e gravasse em HD (alta definição). Na época, consultei um site de compras e encontrei uma oferta que, aparentemente, atendia as minhas necessidades por menos de R$ 1 mil. Fiquei muito empolgado e não atentei às especificações e aos comentários de outros compradores. Logo fechei o negócio. Para minha surpresa, embora funcionasse debaixo d’água, recebi uma câmera de qualidade muito abaixo da esperada, com resolução pior do que a de um celular pocket”, relata. 

Na tentativa de solucionar a questão, Taylor recorreu ao site para devolver o equipamento e solicitar o estorno do valor pago, mas não obteve retorno. “Então, procurei os meus direitos através do PROCON. Depois de alguns protocolos, obtive da loja um voucher para desconto na próxima compra. Porém, para evitar mais dor de cabeça, optei por adquirir a câmera em outro site”. 

Taylor de Souza Palermo Leão (Naiara Jinknss)

Essa situação não o afastou do computador. “Continuo realizando compras on-line, em especial, de eletrônicos, porque o mercado é escasso em Belém, principalmente pra quem trabalha com mídia. Mas, agora, estou mais atento aos detalhes técnicos e à confiabilidade do site ou da loja. Avalio muito qual produto irei comprar e se a loja virtual tem boa reputação entre os consumidores”, destaca Taylor.

Não te deixes cair em tentação 
Oportunidades incríveis, últimas unidades do lote promocional, retorno imediato do seu investimento. É... a internet é envolvente e mestre na arte de seduzir com a utilização de gatilhos mentais. Com o crescimento do mercado de vendas on-line, multiplicou-se a oferta e a procura de produtos e serviços, bem como os perfis de pessoas mal-intencionadas, que se aproveitam da oportunidade de anonimato para aplicar golpes. 

O secretário de Justiça e Direitos Humanos do Pará, Rogério Barra, destaca alguns cuidados básicos que devem ser tomados para não comprar problemas. “Desconfie de ofertas muito abaixo do valor de mercado, procure stalkear [investigar] os perfis das empresas nas redes sociais e consultar as avaliações nos aplicativos, para conferir os comentários sobre o serviço e os produtos entregues, checar se não há relatos de situações de não entrega ou entrega irregular. Faça uma análise minuciosa e não se deixe enganar pela oferta de benefícios distantes da realidade”, orienta. Para questões relacionadas a prazo de entrega ou reclamações de produtos trocados, por exemplo, “procure o PROCON mais perto da sua residência e faça um registro para formalizar o processo. Em geral, a empresa é acionada para que se tente, de forma amigável, chegar a um acordo entre as duas partes em busca de uma solução”, indica Barra. 

Rogério Barra (Neth Vilhena)

De acordo com levantamento realizado pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e o Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil), 12 milhões de brasileiros foram vítimas de algum tipo de golpe na internet nos últimos 12 meses. A pesquisa ouviu pessoas a partir de 18 anos em todas as capitais do país. Entre as reclamações, 52% estão ligadas à não entrega de produtos comprados online. Destes, eletrônicos e roupas foram os mais citados. Na sequência do ranking, 42% das fraudes referem-se à divergência entre o que foi prometido pelo vendedor e o que foi entregue ao consumidor.  Além disso, 25% das pessoas ouvidas também afirmam que tiveram o cartão de crédito clonado. “Para casos em que se configure conduta criminosa, as vítimas podem procurar a Divisão de Prevenção e Repressão a Crimes Tecnológicos”, ressalta o secretário Rogério Barra

Troppo
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