Ceia farta pode ser ceia fit?

Rodrigo Cabral

Se você pensa que festas de fim de ano não combinam com alimentação equilibrada, precisa olhar melhor para os itens mais famosos e tradicionais da ceia. Há uma infinidade de opções com menos calorias que não precisam ser sinônimo de festa sem sabor. 

“A ceia de Natal é repleta de alimentos ricos em gorduras boas, como castanhas, nozes, pistache e pinhão, por exemplo. Além disso, contamos com proteínas como o peru assado de forno, especialmente, suas partes magras; carboidratos como o arroz com uvas passas; frutas como uva, pêssego, ameixa e damasco, que, além de saboroso é rico em vitaminas A, C, ferro e cálcio. Então, não resta dúvida de que podemos, sim, elaborar um prato com valor nutricional nas festas de fim de ano”, afirma o nutricionista João Oreste Viggiano Capelari, que mostra ser possível (e muito gostoso) comer de forma saudável nas celebrações deste período, sem ter que levar uma marmita a tiracolo. 

João Oreste Viggiano Capelari (Naiara Jinknss)

Se for para exagerar, que seja na felicidade. O especialista destaca que o principal vilão das ceias é o exagero na ingestão de bebida alcoólica misturada aos doces da época. “O álcool atrapalha a quebra de gordura corporal. Sem esse manejo, o corpo tende a acumular ainda mais o que deveria ser queimado, gerando um acúmulo excessivo de gordura corporal e desequilíbrio no controle da compulsão e escolhas nos alimentos. Podemos valorizar todos os alimentos naturais, como ameixa, figo, romã, lichia nas saladas bem elaboradas. Purês e risotos com temperos naturais, mix de castanhas e doces com açúcar reduzidos. O que vale é a harmonia entre a comida, amigos e familiares dividindo esse momento da forma mais saudável. Isso garante longevidade e saúde para todos”, orienta João Capelari.

Para quem está em processo de reeducação alimentar, existem várias alternativas para atravessar as tentações das festas de fim de ano. “Siga o foco, elaborando um prato equilibrado, utilizando a salada como fonte de fibras, pequenas porções de carboidratos e maiores ingestões de gordura boas e proteínas. Utilizando a fibra (salada) como efeito redutor do impacto glicêmico dos alimentos, podemos adicionar pequenas porções de doces, sem exagero. Tudo em excesso pode causar problemas metabólicos, como obesidade, hipertensão, complicações cardíacas”, destaca o nutricionista.

Sem açúcar, mas com (muito) afeto

Além da escolha por alimentos com baixas calorias, a culinária fit também tem trazido descobertas surpreendentes para os paladares de quem decidiu emagrecer, mas não dispensa um doce. A engenheira sanitarista e ambiental Amanda Barros dos Santos, 24 anos, já encomendou um panetone sem glúten e sem açúcar para a noite de Natal. Há quatro anos, ela optou por um novo estilo de vida, atendendo a necessidades de saúde e estéticas. “Sempre fui gordinha e aceitar que é necessário ter um estilo de vida saudável é bem difícil. Em 2015, comecei a buscar me alimentar melhor. Claro que ainda como fast food, mas tento manter uma alimentação mais limpa e saudável, com frutas e verduras. Aos 19 anos, comecei a ter problemas no joelho, em função do sobrepeso. Nenhuma mudança de hábito é simples no início. No entanto, quando você consegue ver que é para o seu bem e que não tem restrição, vai ficando mais fácil com o tempo. Meu maior problema sempre foram os doces, amo um brigadeiro de panela, chocolate, doces em geral”, conta. 

Amanda Barros dos Santos (Naiara Jinknss)

Emagrecer, de fato, com receitas fakes parece um trocadilho infame, mas tem ajudado muito a vida de Amanda. “Na minha casa, minha mãe me apoia, mas não participa junto da reeducação alimentar. E meu pai é muito do viver o hoje e comer tudo que quer. Então, geralmente preparo minhas comidas separadas. Tento fazer receitas fake de comidas gordas e vou seguindo. No Natal, podemos usar as versões normais mesmo. O peru é magro, uma proteína bem limpa. O problema são os acompanhamentos. O Círio foi bem mais difícil (risos). Estou pensando em fazer um bacalhau com legumes para a ceia, que fica uma delícia e é pouco calórico. O mau hábito que temos é pensar que, para ser light, precisa ser apenas um prato cheio de folhas, sem molho, sem e nem nada. Já garanti um panetone livre de açúcar, glúten e lactose, mas que não deve nada em sabor para os tradicionais”, destaca a engenheira.

A primeira ceia sem gordura e açúcar a gente nunca esquece

Fernanda de Aguiar Leal, 30 anos, é engenheira de computação e vai fazer sua primeira ceia 100% saudável este ano, seguindo a decisão que tomou para a vida. “Desde a adolescência, eu lido com o famoso efeito sanfona (engorda-emagrece-engorda). Sempre fiz dietas restritivas e até emagrecia. Mas, por ser muito restrita, quando acabava aquele prazo da dieta, voltava a engordar tudo de novo. Este ano, resolvi dar uma chance para uma alimentação mais saudável e sem muitas restrições, com mais consciência. Passei, também, a avaliar o porquê de comer alguma coisa: se era vontade real ou apenas ‘comer por comer’. Esse processo não foi tão simples no começo, principalmente porque cresci e internalizei que, para emagrecer tem que comer salada e grelhado e nenhum doce. Há uma infinidade de opções gostosas e saudáveis. O segredo é variar o cardápio e entender que você pode comer tudo, mas não o tempo todo. E claro, tentar ao máximo fazer escolhas melhores”, pontua.

O marido de Fernanda já embarcou na mesma dieta, mas ela assumiu o desafio de levar esses sabores menos calóricos para todos os seus parentes e convidados na ceia de Natal. “Será a primeira vez que farei algo assim. Eu gosto de cozinhar para as pessoas, mas gosto que elas comam tudo e gostem de verdade. Então, quero que seja uma experiência agradável e saborosa não somente pra mim, mas pra os convidados também. Farei uma receita de arroz de couve flor com bacalhau - o couve flor é super versátil -; uma farofa lowcarb com castanha de caju, manteiga ghee e bacon; e um salpicão de frango utilizando creme de ricota light ao invés de maionese. E claro, o tradicional peru de Natal, que é gostoso e super saudável. Vou encomendar uma torta e panetones do mesmo jeito. Estou confiante que vão gostar e vão pedir bis nos próximos eventos de família”, afirma.

O doce sabor das oportunidades

Aline de Oliveira Silva, 34 anos, é bacharel em Ciência da Computação e analista judiciário. Adepta de uma rotina de exercícios e alimentação saudável desde a adolescência, sempre procurou alternativas de comer coisas gostosas e que, também, façam bem para a saúde. Quando ela percebeu que, cada vez mais, as pessoas ao seu redor estavam começando a se conscientizar sobre cuidar da saúde e mudar o pensamento em relação aos hábitos alimentares, enxergou uma nova oportunidade de negócios ao oferecer doces magros, feitos por ela artesanalmente.  

“Sempre gostei de cozinhar e, como forma de poder comer também os doces sem sair da dieta, resolvi adaptá-los e fazer receitas que não utilizassem açúcar na preparação. Além disso, meu pai possui diabetes e minha mãe descobriu que é intolerante ao glúten e à lactose. Então, pensando neles e nas pessoas na mesma situação, comecei a produzir os doces fit com mais frequência. A princípio, fazia apenas para familiares e amigos. Levava para as festas e eventos que frequentava e todo mundo gostava. De repente, os amigos dos amigos já começaram a encomendar e percebi que precisava expandir e começar um negócio. E, assim, nasceu seu negócio. Desde então, comecei a fazer cursos e estudar sobre alimentação saudável para aprimorar, cada vez mais, as receitas. Hoje em dia, recebo bastante encomenda de pessoas com várias restrições alimentares e de outras que querem se manter saudáveis e se preocupam com a saúde como forma de prevenir doenças futuras”, relata Aline. 

Segundo a empreendedora, o aumento do número de pedidos demonstra que o público de Belém está mais atento para a necessidade de manter uma alimentação equilibrada. “Hoje em dia, a preocupação com a saúde e o bem-estar está em evidência e as pessoas estão procurando se cuidar mais. Comer um doce gostoso e que não faça mal para a saúde pode ser uma boa alternativa para quem procura se alimentar bem. Para o Natal, criei um cardápio próprio para a época, que mescla receitas tradicionais e receitas com um toque natalino. Os panetones de frutas e chocotones magrinhos foram os carros-chefe deste Natal. Todo mundo amou e algumas pessoas que não gostam do panetone tradicional gostaram da minha versão. Também desenvolvi tortas e bolos com frutas vermelhas e castanhas, bem a cara da época. As vendas aumentaram bastante neste Natal, precisei até fechar a agenda de encomendas antes do previsto, pois a demanda foi maior do que esperava. A primeira experiência que tive de fazer doces para festas foi no Círio, e daí já tinha uma ideia de como seria no Natal, mas superou minhas expectativas.

Troppo
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