Anajú Dorigon: Ela reluz!

Mais do que um rosto bonito: empreendedora de natureza e apaixonada por moda, Anajú lançará, em breve, sua própria marca; se prepara para cursar uma nova faculdade e mantém uma estreita relação com a espiritualidade

Por Lorena Filgueiras

Aos 26 anos, a ex-modelo e atriz  surpreende até os olhos (e ouvidos) mais acostumados. Dona de uma beleza que a destaca, a moça extremamente gentil, tem voz tranquila e uma sabedoria atípica: ao terminar o bate papo com ela, fiquei muito impressionada. Ganhadora de prêmios como atriz, Anajú reforça a primeira impressão, por ser muito mais do que um rosto bonito: empreendedora de natureza e apaixonada por moda, ela lançará, em breve, sua própria marca; se prepara para cursar uma nova faculdade e mantém uma estreita relação com a espiritualidade – uma qualidade que permitiu que atravessasse o período da pandemia com muita serenidade.

Vivendo ainda o isolamento na companhia dos pais e de “um filho canino”, como ela brinca, a convidada especial desta edição refugiou-se em Campinas, no interior de São Paulo, e diz que seus diálogos com Deus ficaram mais intensos, além de estar morrendo de saudade dos avós.

Troppo + Mulher: Eu gostaria de começar pelo começo, já que você modelou por um tempo. Como foi que você descobriu o amor às artes e em qual momento reconheceu-se como atriz?
Anajú Dorigon: Foi uma combinação de fatores. Hoje percebo que desde pequenininha eu via o mundo sob uma ótica de atriz. Existe também essa coisa de que o ofício acaba escolhendo a gente também e, por algum motivo, eu precisava viver essa profissão e contar histórias. Uma coisa me marcou muito, quando eu tinha entre 15 ou 16 anos: eu não tinha ideia de que eu queria ser atriz, tampouco de que seria atriz [ela ri], e fui convidada para fazer um longa-metragem, que contava com o Lázaro Ramos, Mayana Neiva. Fiz o teste, passei... sem jamais ter estudado e lembro que no primeiro dia de filmagem, no meio do set, pensei “nossa, isso é o que quero fazer pro resto da minha vida!”. A partir daí, tudo fez sentido e decidi que deveria estudar o máximo que eu pudesse. E as coisas foram acontecendo.

T+M: Aos 16 anos, convenhamos, tamanha convicção é atípica à uma adolescente... 
AD: Sabe que eu não sei? Acho que quando aquilo toca o nosso coração, quando a gente se encontra em algo, isso é tão mais forte que a gente. Eu já trabalhava com o público, concurso de beleza, já era miss e sempre gostei muito de tudo que envolvesse conversar com o outro, passar uma mensagem. As coisas foram se complementando e Deus me colocou nesse lugar. 

"Desde o início, sempre tive o apoio da minha família. Sou filha única e desde pequena meus pais sempre me apoiaram a fazer algo que me deixasse feliz (Fotos: Fabio Pereira)

T+M: Você teve apoio dentro de casa, dos seus pais? Embora hoje a decisão por ser artista envolva menos rótulos, é uma carreira sem muita estabilidade...
AD: Desde o início, sempre tive o apoio da minha família. Sou filha única. Minha mãe é dona de escolas infantis e meu pai tem uma empresa de marketing. Desde pequena, ambos sempre me apoiaram a fazer algo que me deixasse feliz. Já quis ser jornalista, já quis trabalhar com moda... Eles me incentivaram em tudo que fazia meu olho brilhar, tanto que, até os meus dezoito anos, me acompanharam em absolutamente tudo! E até hoje, sem dúvidas, os dois são meus melhores amigos.

T+M: Anajú, beleza abre portas, como se sabe. Você é uma moça linda...
AD: Ah, muito obrigada pela gentileza!

T+M: Imagina. Mas, ao mesmo passo em que abre portas, há um aspecto cruel e muitas atrizes, profissionais têm criado coragem de trazer seus testemunhos sobre assédio, importunação, à tona, especialmente nos tempos recentes. Atrizes de outras gerações, que não da sua, têm falado muito sobre isso. 
AD: O fato de que ter tido a companhia muito intensa do meus pais... Tenho plena de que é um privilégio gigantesco tê-los ao meu lado constantemente. Isso me ajudou muito em todos os momentos, inclusive naqueles que poderiam ser arriscados. Nada justifica o assédio, nada justifica o abuso! Nada! Eu, pessoalmente, não posso dizer que passei por algo que tenha me machucado profundamente. Como disse, tive o privilégio de ter os meus pais ao meu lado até que eu completasse dezoito anos e, a partir disso, as experiências que tive foram extremamente positivas. A partir do momento que atingi a maioridade, viví experiências muito boas. 

T+M: Você, ainda sendo estreante e novata no meio, viveu uma personagem controversa em Malhação e que, no desenrolar da trama, descobria sua sexualidade e assumiu o amor por outra mulher, um papel que já foi muito desafiador para uma atriz com pouco tempo de carreira. Como foi que encarou esse momento?
AD: Foi uma grande surpresa. Aliás, surpresas pintaram aos montes, uma atrás da outra! Eu não fazia ideia de que a história tomaria esse rumo. Foi algo que, conforme a estória era sendo escrita, junto com a opinião do público e os entrelaces, aconteceu. Quando soube que a personagem desenvolveria uma relação afetiva com uma outra mulher, foi um susto e só porque não havia qualquer pista de que as personagens assim o fariam! Também não fazia ideia de que ela era a grande assassina! Fui descobrindo, camada por camada, a personagem, o que é muito estimulante! O processo de construção dela, por si, já foi muito enriquecedor! E era algo muito engraçado, ao receber os capítulos, ser tomada por sustos! Foi um desafio tremendo, mas muito interessante!

T+M: Em face desse momento que estamos vivendo, buscaste refúgio em algum lugar?
AD: Na minha família! Estou em Campinas, onde minha família mora, e estamos juntos até hoje: eu, minha mãe, meu pai e meu cachorrinho, que é meu filho canino.

 

T+M:Quando olhas para esse novo mundo, ou novo normal, que tem se desenhado, o que esperas que o momento traga para nós, a título de reflexão?
AD: Acho que, naturalmente, este é um processo muito dolorido. Não acredito que não haja um único ser humano que não tenha sido afetado pelo que estamos vivendo – seja fisicamente, emocionalmente... Em algum aspecto, todos fomos afetados de alguma forma, portanto acho que o momento exige o “desacelerar”, o “olhar para o lado”. “Para onde você está conduzindo sua vida?”. “É pra lá que você quer ir mesmo?”. “O que você ama?”, “O que te faz sentir vivo?”, “Quais são as escolhas que você vai fazer a partir de agora?”. São tantos os questionamentos diante de um período de transformações tão profundas! Mas acho que voltaremos a nós mesmos, que reconheceremos aonde queremos chegar e, se chegaremos lá, quem levaremos conosco? Temos um período de transformação e transição em todas as camadas do ser humano. Espero, profundamente, que traga um mundo com mais tranquilidade, consciência, responsabilidade, amor, mais afeto e mais percepção do outro e de si.

T+M: Quais planos seus foram momentaneamente adiados?
AD: Vixe Maria! É tanta coisa! [ela cai na gargalhada] É super interessante falar sobre isso porque eu sempre fui muito, muito viciada em trabalho! Total workaholic! Amo trabalhar, criar e desenvolver! Isso me causou problemas com ex-namorado! [ela ri um pouco mais] Tenho uma linha de roupas, uma coleção, para lançar. Os croquis estão prontos! Projetos artísticos também vão esperar: novela, série. Mas faz parte! Não tem como lutar contra algo que esta acontecendo desta forma. Cabe a nós tentar tirar o melhor, disso tudo, que a gente puder tirar. 

T+M:Pegando carona na tua resposta, tem-se falado muito sobre o empreendedorismo nos tempos atuais. Inclusive, ele é tema de uma matéria especial também na edição em que você será capa. Mas o empreendedorismo tem sido muito discutido porque, antes de ser um exercício de criatividade, ele tem sido, sobretudo, um meio de sobrevivência, já que ninguém estava esperando o que veio. Nesse sentido, pergunto se tiveste que voltar a estudar ou iniciaste cursos sobre coisas que não conhecias...
AD: A gente sempre pode aprender e esse é um dos grandes baratos de estar na Terra. Não só tive que estudar, ler sobre isso, fiz cursos de investimentos e já penso em fazer a faculdade de Administração ano que vem. Tenho descoberto um lado meu que eu não conhecia e estou muito empolgada. A verdade é que quanto mais a gente mergulha na gente, mais a gente se completa. Tem sido muito legal – acho que poder construir seu sonho, coordená-lo, semear e vê-lo frutificar, é algo tão mágico! Tenho buscado inspiração na minha mãe, no meu avô. Todos nós podemos. É uma questão de sentar, analisar, compreender onde se quer chegar.

T+M:Como workaholic, não deve ter sido fácil parar. Como buscaste esse equilíbrio? Ou fluiu naturalmente?
AD:Eu faço yoga desde os 12 anos! Não sei o que teria sido de mim! É muito interessante perguntares isso, porque sempre rezei muito. Sempre orei muito. Sou católica. Sempre tive uma fé constante. Há períodos, é claro, em que ela é maior; noutros, menor. Mas nessa pandemia, senti que minha conexão com Deus, minha conexão com meu espírito, de fato, aumentou muito! Eu, que já rezava muito, que fazia todas as novenas, que pedia às Nossas Senhoras, vi aumentar mais. [ela se emociona] Mexe comigo até falar sobre isso.

T+M:Eu super compreendo, Anajú. 
AD:[ela fica em silêncio por mais um tempinho]

T+M:Quando for seguro sair de casa, qual será a primeira coisa que você fará?
AD:Abraçar meus avós!

Para conhecer mais: @anajudorigon

Troppo
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