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Tecnologia amplia armazenamento de energia solar em comunidade de Barcarena

A solução permite instalar baterias de lítio disponíveis no mercado em sistemas solares já em funcionamento, aumentando a quantidade de energia que pode ser guardada para uso nos períodos em que não há geração solar

Gabriel Pires

Uma tecnologia desenvolvida por pesquisadores da Universidade Federal do Pará (UFPA) permite ampliar o armazenamento de energia solar sem trocar toda a estrutura elétrica que já existe. Na prática, a solução permite instalar baterias de lítio disponíveis no mercado em sistemas solares já em funcionamento, aumentando a quantidade de energia que pode ser guardada para uso nos períodos em que não há geração solar. Isso significa mais tempo de fornecimento de energia, menor dependência de geradores e redução dos custos de implantação, já que não é necessário substituir a infraestrutura existente para aumentar a capacidade do sistema. Na Ilha das Onças, em Barcarena, a solução já integra uma pequena rede elétrica que atende 11 residências e uma igreja.

A tecnologia também facilita a expansão das microrredes conforme a demanda das comunidades cresce. A energia gerada pelos painéis solares é utilizada para iluminação e para o funcionamento de refrigeradores, televisores, bombas de água e motores empregados no processamento de polpas de frutas. Parte da energia gerada durante o dia é armazenada nas baterias para ser utilizada à noite ou nos períodos de menor incidência de luz solar. O projeto é realizado como parte da pesquisa de doutorado do pós-graduando em Engenharia Elétrica Lucas dos Santos, do Grupo de Estudos e Desenvolvimento de Alternativas Energéticas (Gedae) da UFPA.

O projeto, que recebeu patente do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), utiliza dois equipamentos responsáveis por controlar o carregamento e o fornecimento de energia. Um deles é conectado aos painéis solares e às baterias de lítio de 48 volts. O outro faz a ligação das baterias com a rede de 24 volts responsável pela distribuição de energia à comunidade.

Impacto no dia a dia

Com a energia gerada pelos painéis solares, é possível utilizar eletrodomésticos comuns do dia a dia, como geladeira, televisão, computadores, bombas de água e motores empregados no processamento de polpas de frutas. O sistema também garante a refrigeração de pescados e outros alimentos, além de viabilizar o uso de equipamentos de comunicação e outras estruturas essenciais às atividades das comunidades.

“A patente que desenvolvemos tem o objetivo de adicionar baterias de lítio de 48 volts, que são o padrão do mercado, a uma rede de corrente contínua de 24 volts já existente. O objetivo era conseguir implementar essas baterias de uma forma simples, que não onerasse muito o custo das instalações existentes e permitisse incorporar baterias com uma tecnologia melhor”, relata Lucas.

Alternativa

A tecnologia foi criada como alternativa a equipamentos comerciais de conversão de energia de maior capacidade, que têm custo mais elevado e são mais difíceis de obter no mercado nacional. Sobre o processo de idealização da solução, o pesquisador explica: “A gente partiu do conhecimento dos equipamentos com os quais já trabalhava no laboratório e da forma de operação que precisava obter. A partir disso, começamos a fazer os testes para criar o protótipo, utilizando equipamentos fáceis de conseguir, relativamente baratos, robustos e de fácil acesso”, pontua o pesquisador

Sistema

A configuração permite incorporar as novas baterias à estrutura já existente, sem a necessidade de substituir a instalação ou modificar a tensão da rede. O sistema também pode ser programado para determinar os momentos de liberação da energia armazenada, levando em consideração a quantidade disponível nas baterias e o consumo da comunidade.

“Nosso objetivo era aplicar essa tecnologia às redes que atendem comunidades próximas de Belém, mas que ainda não tinham acesso a um recurso energético adequado, que é importante para todos que vivem nesses locais. Então, buscamos desenvolver uma forma simples, prática e robusta de inserir essas baterias, que são muito melhores do que as utilizadas atualmente”, relata Lucas.

Abastecimento

O sistema contribui para manter o abastecimento de água, a conservação de alimentos e as atividades domésticas e até mesmo econômicas. A energia também pode ser empregada no funcionamento de pequenos empreendimentos e na operação de ferramentas utilizadas nas atividades de trabalho. O sistema ainda possibilita a recarga de pequenas embarcações elétricas destinadas aos deslocamentos dentro das comunidades.

“Eles não tinham energia e utilizavam apenas o modo tradicional, que era o gerador a diesel, que funcionava algumas horas por dia. O projeto começou com a inserção dessas mini redes em algumas casas e, em seguida, mais residências foram incluídas”, conta o pesquisador.

O uso de componentes disponíveis no mercado facilita a compra de peças, a manutenção e a instalação da solução em outras localidades, como relata o pesquisador. A invenção proposta é adequada para redes de tensão não reguladas, uma vez que os conversores convencionais com saída regulada não operam adequadamente nesse tipo de rede.

“A gente viu a necessidade de utilizar baterias melhores na rede. Estávamos trabalhando, há algum tempo, com baterias de chumbo-ácido, que já estavam desgastadas, e percebeu que elas não estavam suprindo adequadamente a rede naquele momento. Então, chegamos a um período em que precisávamos fazer a troca desses armazenadores e vimos a possibilidade de inserir baterias de lítio, que começaram a chegar ao mercado. A forma de aquisição desses equipamentos, por eles já estarem disponíveis no mercado, é muito mais fácil”, observa.

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