Inteligência artificial e exames de alta precisão impulsionam nova fase da oftalmologia em Belém
Mais do que reduzir o tempo de atendimento ou proporcionar maior conforto durante os exames, a nova geração de equipamentos amplia a capacidade de detectar alterações em fases iniciais, quando as chances de preservar a visão são significativamente maiores
A inteligência artificial, os exames de imagem de alta definição e equipamentos capazes de analisar, em poucos segundos, estruturas microscópicas do olho estão transformando a oftalmologia em uma das especialidades médicas que mais evoluem tecnologicamente. Em Belém, clínicas vêm incorporando aparelhos cada vez mais modernos para tornar os diagnósticos mais precisos, antecipar o tratamento de doenças que podem levar à cegueira e oferecer procedimentos menos invasivos aos pacientes.
Mais do que reduzir o tempo de atendimento ou proporcionar maior conforto durante os exames, a nova geração de equipamentos amplia a capacidade de detectar alterações em fases iniciais, quando as chances de preservar a visão são significativamente maiores. Para os especialistas, a inovação tecnológica já deixou de ser um diferencial competitivo e passou a ser uma necessidade para acompanhar a rápida evolução da especialidade.
Segundo o oftalmologista Igor Parente, a oftalmologia está entre os ramos da medicina que mais avançaram nas últimas décadas e continua em constante transformação.
"A oftalmologia de 50 anos atrás é completamente diferente da de hoje. E, a cada dois ou três anos, cerca de 50% da tecnologia utilizada é renovada", diz.
Na avaliação do especialista, esse ritmo acelerado exige atualização constante tanto dos profissionais quanto das clínicas, que precisam investir em novos equipamentos para acompanhar os avanços do mercado.
"Quem trabalha com oftalmologia precisa acompanhar o que está sendo desenvolvido. As clínicas também precisam investir para não ficarem defasadas, porque a tecnologia evolui muito rapidamente", afirma.
Entre os equipamentos que mais revolucionaram o diagnóstico estão aparelhos capazes de mapear milimetricamente a superfície da córnea, avaliar detalhadamente as 11 camadas da retina e identificar alterações que, há poucos anos, passariam despercebidas nos exames convencionais.
Um dos principais exemplos é a retinopatia diabética, considerada uma das maiores causas de perda de visão no mundo. Segundo Parente, a tecnologia permite identificar a doença antes mesmo de ela provocar sintomas importantes.
"Hoje conseguimos fazer um diagnóstico da retinopatia diabética muito mais cedo do que fazíamos há cinco ou dez anos. Quanto mais precoce for este diagnóstico, maior é a chance de preservar a visão do paciente", explica.
O médico explica que esse ganho é decisivo porque muitos pacientes chegam aos consultórios em estágios avançados da doença, quando as possibilidades de recuperação visual já são menores.
Além dos equipamentos de imagem, outra ferramenta que começa a ganhar espaço é a inteligência artificial. Segundo Parente, a tecnologia já auxilia médicos na interpretação dos exames e na definição da melhor estratégia terapêutica para cada paciente.
"A inteligência artificial já faz parte da nossa rotina. Ela consegue cruzar as informações do paciente com grandes bancos de dados e ajudar a prever quais tratamentos apresentam maior chance de sucesso. É uma ferramenta que veio para complementar o trabalho do médico, oferecendo mais precisão na tomada de decisão", detalha Igor.
Na avaliação do oftalmologista, a tendência é que a expansão dessas tecnologias também contribua para reduzir custos ao longo dos próximos anos: "À medida que mais clínicas passam a oferecer equipamentos modernos, a tendência é que os procedimentos se tornem mais acessíveis. A inteligência artificial também deve ajudar a tornar o diagnóstico mais rápido, mais preciso e, consequentemente, mais barato".
Na prática clínica, esses avanços já fazem parte da rotina dos consultórios em Belém. O oftalmologista Luan Teles explica que exames como biometria óptica, OPD-Scan e tomografia de coerência óptica (OCT) permitem uma análise muito mais completa do olho do que era possível anteriormente.
Segundo ele, os equipamentos atuais conseguem estudar tanto a anatomia quanto o funcionamento das estruturas oculares, reunindo informações objetivas e também dados sobre a resposta visual do próprio paciente.
"Rapidez e conforto acabam sendo consequência da evolução dos aparelhos. O principal objetivo é aumentar a precisão do diagnóstico para que o tratamento seja mais eficaz."
Para o especialista, a evolução tecnológica também ampliou significativamente o número de doenças que podem ser avaliadas com maior detalhamento.
"Antes, os avanços estavam muito concentrados nas doenças da retina e no glaucoma. Hoje conseguimos avaliar praticamente todas as estruturas do olho por meio de tomografias da córnea, do segmento anterior e posterior e exames capazes de identificar aberrações ópticas. Isso permite indicar exatamente onde devemos atuar para alcançar o melhor resultado para o paciente", diz
Apesar da chegada de equipamentos cada vez mais sofisticados, Luan ressalta que os aparelhos tradicionais continuam desempenhando um papel fundamental na assistência oftalmológica: "Eles continuam sendo essenciais para a triagem e para o rastreamento inicial das doenças. Depois dessa primeira avaliação, quando há necessidade, o paciente é encaminhado para exames mais específicos realizados com tecnologias mais modernas"
Parente também destaca que, embora existam equipamentos de última geração, o acesso ainda é um desafio. Além do alto custo dos aparelhos, muitos procedimentos ainda permanecem fora da realidade financeira de boa parte da população e até mesmo dos serviços públicos de saúde.
Para Igor, o maior desafio não é apenas ter a melhor tecnologia disponível. Ela precisa estar acessível e ser utilizada no momento certo.
“Muitas vezes, fazer um exame imediatamente em um equipamento um pouco menos moderno é mais importante do que esperar semanas pelo aparelho mais avançado. Na medicina, o tempo também faz parte do tratamento", conta.
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