Drones ampliam mercado e lazer no Pará e avançam sob novas regras da Anac
Da produção audiovisual às viagens pessoais, a tecnologia ganha espaço no Estado enquanto a Anac reforça normas para garantir segurança nas operações
A tecnologia ampliou ainda mais as capacidades humanas de visualização e até deslocamento, com a evolução das tecnologias de drones, utilizados em diferentes setores, como o produtivo, serviços e até no lazer. Um episódio recente no carnaval do Rio de Janeiro, por exemplo, chamou a atenção da Agência Nacional de Aviação (Anac), que notificou o uso de um dos equipamentos por uma das escolas, que colocou uma pessoa para sobrevoar a avenida em um drone. No Pará, as múltiplas utilidades da tecnologia também se repetem, como descrevem usuários locais.
O videomaker Naalen Rachene começou a operar drones em 2023, motivado pela necessidade de agregar valor aos próprios serviços audiovisuais. A ideia, segundo ele, era ampliar o leque de entregas e, consequentemente, aumentar o ticket médio dos trabalhos. O primeiro contato com a pilotagem surgiu a partir de uma demanda de cliente que exigia imagens aéreas. “Eu tinha que fazer um vídeo para um cliente e ele queria drone, então arrumei um, fui lá e fiz”, relata.
Sem formação específica na área, Naalen buscou orientação básica em conteúdos disponíveis em plataformas online, como o YouTube. Ele afirma que a familiaridade com videogames facilitou o aprendizado inicial, já que a lógica de controle do drone se assemelha à dinâmica de jogos eletrônicos. O investimento no primeiro equipamento próprio veio em 2024. Ele importou o modelo, desembolsando cerca de R$ 3,8 mil, valor inferior ao praticado no mercado brasileiro à época, onde o mesmo equipamento custava aproximadamente R$ 5 mil.
Ao longo da trajetória, já teve dois drones, mas atualmente opera apenas um. O uso do equipamento é predominantemente profissional, voltado à produção de vídeos. No entanto, o drone também acompanha o videomaker em viagens, quando aproveita para registrar paisagens e momentos pessoais.
Naalen destaca a evolução tecnológica dos aparelhos nos últimos anos, especialmente na qualidade de imagem e na estabilidade de conexão. Ele conta que já perdeu dois drones por falhas de sinal em áreas com muitas antenas, o que resultou na perda total dos equipamentos. “Hoje gravo em 4K com uma ótima qualidade de imagem. E sobre conexão, os drones estão cada vez com uma conectividade melhor”, afirma, ao observar que os avanços reduziram riscos e ampliaram as possibilidades de uso.
Lazer
O estudante de Geologia André Evangelista, da Universidade Federal do Pará (UFPA), utiliza drone principalmente para lazer. Segundo ele, o equipamento foi adquirido há cerca de um ano, com a proposta de registrar momentos pessoais, especialmente durante viagens.
O investimento, à época da compra, foi de R$ 2.400. André observa que atualmente o modelo está mais caro no mercado, o que demonstra a valorização e a crescente demanda por esse tipo de tecnologia.
A escolha do equipamento não teve foco profissional. “Comprei pensando no lazer, até porque viajo muito e pensei que seria legal ter um”, afirma. Apesar de cursar Geologia, área em que drones podem ser utilizados em mapeamentos e análises ambientais, o uso, por enquanto, permanece restrito a registros recreativos.
Regulação
No segundo semestre do ano passado, a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) lançou a primeira edição do Manual sobre Operação de Drones (UA), com orientações para uso seguro e eficiente da tecnologia em aeródromos. O documento foi elaborado em parceria com a indústria e reúne experiências nacionais e internacionais já aplicadas no setor, consolidando diretrizes técnicas e operacionais para padronizar procedimentos.
O manual detalha aplicações práticas dos equipamentos em inspeções de pistas e pátios, monitoramento de fauna, verificação de drenagem, acompanhamento de obras e apoio à segurança operacional. Equipados com câmeras de alta resolução, sensores térmicos e recursos de inteligência artificial, os equipamentos permitem identificar fissuras, objetos estranhos, falhas no balizamento e riscos envolvendo aves e animais. Segundo a agência, o uso da tecnologia reduz tempo de execução, custos operacionais e impactos ambientais, com testes realizados em aeroportos.
Além das aplicações técnicas, o documento estabelece recomendações para a comunicação entre pilotos remotos e o controle de tráfego aéreo, com adoção de fraseologia padronizada e elaboração de Cartas de Acordo Operacional. Também orienta sobre a realização da Avaliação de Impacto de Segurança Operacional (AISO) antes dos voos, medida considerada essencial para mitigar riscos de colisão com aeronaves tripuladas e garantir a integração segura dos drones às operações aeroportuárias.
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