Pesquisa revela que o consumo excessivo de açúcar pode agravar a asma; entenda
Segundo o estudo, o açúcar também é um fator de risco para a doença, pois aumenta as chances de crises alérgicas
Os ácaros, as poeiras e os pelos de animais domésticos podem agravar rapidamente um quadro de crise de asma, mas você sabia que a quantidade de açúcar consumida pelo paciente também influencia na doença? Isso foi o que um estudo publicado na revista Nutrients descobriu após identificar que o excesso de açúcar piora a inflamação pulmonar em curto prazo e aumenta o risco de crises alérgicas.
“Quando uma criança consome muito açúcar, pensamos em consequências como cárie ou obesidade. Mas raramente consideramos que, em um período tão curto, uma alergia preexistente possa ser agravada. Os resultados, portanto, têm um impacto importante tanto na prática clínica quanto na formulação de políticas públicas”, explicou a professora Caroline Ferreira, coordenadora do estudo em entrevista à Agência Fapesp.
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De que forma o açúcar influencia na doença?
De acordo com os experimentos realizados em camundongos, os pesquisadores constataram que o açúcar atua causando uma inflamação sistêmica, que envolve o fígado, o pâncreas e os intestinos grosso e delgado. Logo, esses tecidos vão passar a produzir substâncias inflamatórias que farão com que essa irritação viaje por todo o corpo e provoque uma alergia nos pulmões, causando, assim, a crise de asma.
“Observamos que o açúcar provoca inflamação no tecido adiposo mesmo em animais que não têm asma. Nos que consomem açúcar, mas não são alérgicos, o pulmão permanece normal, mas a gordura fica inflamada. Isso sugere que o processo começa na gordura e que substâncias liberadas ali acabam migrando para o pulmão, onde intensificam uma resposta alérgica já existente”, destacou a professora Caroline Ferreira.
Apesar dos resultados do estudo, os pesquisadores alertaram que a dieta rica em açúcar não é capaz de causar asma sozinha, mas atua como um potente amplificador da inflamação ao lado de outros fatores, como a poeira, por exemplo. Por esse motivo, as pessoas que possuem a condição devem controlar a ingestão de açúcar da mesma forma que controlam também a presença de mofo, poeira e poluição nos ambientes.
(Victoria Rodrigues, estagiária de Jornalismo, sob supervisão de Enderson Oliveira, editor web em O Liberal)
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