Pará vive a maior revolução na saúde dos últimos 30 anos, diz ministro Alexandre Padilha
Em entrevista exclusiva, o ministro da Saúde apontou os avanços dos cuidados à população no estado e apontou as ações da pasta mediante à vacina contra a dengue
No Pará, entre 2022 e 2025, o número de cirurgias eletivas cresceu 63% e, até junho deste ano, 5,5 mil pessoas foram atendidas em unidades móveis de Saúde da Mulher, oftalmologia e exames de imagem, segundo dados do Ministério da Saúde sobre o programa Agora Tem Especialistas. Para o ministro Alexandre Padilha, as ações no estado resultam na maior revolução na rede de atenção à saúde desde os anos 1990. Em entrevista exclusiva para O Liberal, durante agenda em Belém na última segunda-feira (15), Padilha também destaca que houve aumento de 50% no volume de recursos de média e alta complexidade no território.
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Em um cenário nacional, 2025 foi o ano com maior quantidade de procedimentos cirúrgicos previamente agendados em toda a história do Sistema Único de Saúde (SUS), totalizando cerca de 14,9 milhões. No Pará, de acordo com o ministro, mais de 1,2 milhão de cirurgias eletivas foram realizadas — um aumento de 20% em relação a 2024 e de 63% quando comparado a 2022. “Acreditamos que, nesse ano, nós vamos superar os próprios registros de cirurgia eletiva e de exames”, fala Padilha.
“Além disso, a gente tem mais de 200 médicos especialistas que vieram para cá por conta do programa, mas toda a estrutura, toda a rede que já estava presente foi potencializada, fazendo mais cirurgias, mais exames”, destaca. O ministro aponta que uma das prioridades do Agora Tem Especialista é reduzir o tempo de espera para cirurgias de catarata, visto que a condição afeta a rotina e o modo de vida daqueles que a tem.
Por meio do Agora Tem Especialistas, a população também pode receber atendimento de profissionais do programa Mais Médicos — inclusive em formato de telessaúde. O ministro destaca que o Brasil ultrapassou os 6 milhões de consultas em ambiente virtual, o que reduz o tempo de espera dos pacientes, e que no país há 27 mil médicos vinculados. “O médico, estando na Unidade Básica de Saúde na região do Marajó, com a comunidade ribeirinha, na área indígena, ele podendo fazer uma teleconsulta com o médico especialista que está aqui em Belém ou em São Paulo, no Rio de Janeiro, também dá mais segurança para esse médico continuar atuando na região”, afirma.
Tratamento contra o câncer
Por meio de expansão a outros municípios e renovação de materiais, o tratamento contra o câncer com radioterapia tem sido descentralizado da capital paraense, segundo Alexandre Padilha. Cidades como Castanhal, próxima à Região Metropolitana de Belém (RMB), e Santarém, no oeste paraense, são alvos das ações do Ministério da Saúde. O ministro ressalta a importância do Super Centro para Diagnóstico do Câncer, que recebe amostras de todo o país e reduz de seis meses para cinco dias o resultado de biópsias.
“Você tem o resultado e começa o tratamento. Com os novos equipamentos de radioterapia, você também vai reduzindo a fila de espera. Então no caso do câncer, o tempo de espera pode significar a diferença entre a vida e a morte. No caso do câncer, o tempo é vida. A nossa expansão que estamos fazendo nessa rede de tratamento do câncer para o interior do Pará vai mudar a realidade, inclusive dá chance de vida a muitas pessoas aqui no estado”, fala Padilha.
Fortalecimento da atenção primária
Com investimentos em maior números de profissinais e equipamentos nas Unidades Básicas de Saúde, a atenção primária é fortalecida. “Esse é o primeiro passo para a gente reduzir o tempo que as pessoas esperam na fila. Porque atendimento bem feito na atenção primária é o que reduz, é a coisa mais importante para reduzir as filas no SUS”, pondera o ministro. Além disso, Padilha também fala sobre a inclusão de novas especialidades no programa.
“No novo edital que nós estamos lançando agora, estamos colocando novas especialidades: cardiologia, que é uma especialidade que no primeiro momento não tinha, e estamos ampliando a possibilidade de anestesiologistas. Estamos ampliando novas especialidades a partir da demanda apresentada pelos municípios, pela própria rede estadual”, explica.
Enfrentamento a desigualdades
A luta contra as desigualdades de acesso aos atendimentos de saúde é combatida, primeiramente, com adequação à realidade local. Como exemplo, o ministro Alexandre Padilha cita os equipamentos de locomoção na Amazônia Brasileira: “Pela primeira vez, o Ministério da Saúde adquiriu micro-ônibus, vans para esse transporte, aquilo que pode ser feito pela estrada. O estado do Pará vai receber 140 desses equipamentos. É a primeira vez que o Ministério da Saúde faz esse investimento.”
Somado a isso, unidades fluviais também foram adaptadas e direcionadas à região. “O Agora Tem Especialistas colocou barcos, hospitais em toda a região do Marajó”, afirma. Padilha também destaca o uso do telessaúde, que permite uma conexão próxima entre profissionais.
“Você tem em cada unidade básica de saúde serviço especializado, conexão da internet, os kits do telessaúde que foram distribuídos, permitindo que o paciente, o médico, o enfermeiro que está lá na ponta possa dialogar, discutir o caso, mostrar os exames”, explica o ministro. Entre os benefícios da prática, está a redução do tempo de deslocamento, que resulta em queda na emissão de gases de efeito estufa — ação que, além de contribuir para a saúde do paciente, colabora com os efeitos das mudanças climáticas.
Investimentos no Pará
O estado do Pará recebeu, do Ministério da Saúde, investimentos que somam mais de R$ 150 milhões. Um deles, com mais de R$ 30 milhões, é a Policlínica Municipal de Belém, que será equipada com máquinas de tomografia, ressonância e ultrassom. “Isso é muito positivo, porque às vezes a pessoa é encaminhada para fazer uma tomografia, uma ressonância dentro do hospital. Ela chega lá, o exame é desmarcado, porque teve um caso de urgência que entrou no hospital. Então, quando você monta essa estrutura fora do ambiente hospitalar, você garante que esses equipamentos estejam exclusivos para quem está esperando na fila do SUS”, aponta Padilha. Além da capital paraense, Bragança também deve ser contemplada com uma policlínica.
Cenário da dengue no país
O Brasil teve queda nos casos de dengue. Segundo dados do Ministério da Saúde, a redução foi de 75% até abril desse ano. Em junho, após uma investigação de 42 casos de alerta pós-vacina, a imunização da Butantan-DV foi suspensa — em um consenso entre o ministério e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). De acordo com Alexandre Padilha, a vacina nacional foi aplicada em mais de 500 mil pessoas e todas estão protegidas contra os quatro tipos de dengue, além da redução de número de mortes em 97%.
Conforme o ministro, os acontecimentos após a vacinação não foram identificados durante os 18 estudos clínicos feitos anteriormente. “Fizemos essa pausa para fazer a apuração, concluir a investigação do que pode ter acontecido nesses 42 casos que levou a ter eventos adversos que não haviam sido descritos antes. Já tem a Anvisa, o Ministério da Saúde, tudo tentando com especialistas para fazer essa investigação. Estão trabalhando para, o mais rápido possível, a gente possa ter uma definição da estratégia do uso dessa vacina”, concluiu.
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