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CRISE CLIMÁTICA

OMS alerta para 7 riscos à saúde causados pelo El Niño no Brasil

Organização Mundial da Saúde aponta ameaças de ondas de calor, incêndios e enfermidades por vetores; veja como se proteger

O Liberal

2 de outubro de 2026 às 07:31

Na pele, o uso diário de protetor solar é essencial, mesmo para quem passa a maior parte do tempo em ambientes internos, pois a radiação ultravioleta atravessa vidros.

Na pele, o uso diário de protetor solar é essencial, mesmo para quem passa a maior parte do tempo em ambientes internos, pois a radiação ultravioleta atravessa vidros. ( Foto: Foto: Reprodução / iSTOCK )

O fenômeno climático El Niño representa uma grande ameaça à saúde pública, conforme alerta recente da Organização Mundial da Saúde (OMS). A entidade aponta que o evento desencadeia múltiplos perigos no Brasil.

Entre os riscos estão ondas de calor severas, que podem agravar patologias preexistentes, a piora na qualidade do ar por queimadas, além de surtos de desnutrição e cólera causados por secas e inundações.

No Brasil, os reflexos dessas alterações no padrão de chuvas e nas temperaturas geram forte preocupação, principalmente nas áreas do sul e do oeste da Região Norte.

Impactos nas vias respiratórias e na qualidade do ar

As modificações atmosféricas afetam diretamente a concentração de poluentes, em especial nos grandes centros urbanos. A combinação de baixa umidade e ondas de calor mais frequentes cria um cenário hostil.

Este quadro é perigoso para indivíduos com condições crônicas, como asma e bronquite. A incidência de alergias e infecções respiratórias em toda a comunidade também é elevada.

Ameaças de doenças por vetores e o ciclo das águas

O evento climático provoca chuvas torrenciais intercaladas com períodos de estiagem. Isso estimula a proliferação do mosquito Aedes aegypti, vetor da dengue, zika e chikungunya.

O cenário também favorece a propagação de enfermidades como malária. Problemas associados à qualidade da água e à escassez de saneamento básico adequado também são potenciais riscos.

Riscos cardíacos e grupos mais vulneráveis

Temperaturas elevadas exigem mais do corpo humano para manter a estabilidade térmica. O coração, por exemplo, é forçado a trabalhar mais para dissipar o calor. Este é um fator de risco severo para portadores de insuficiência cardíaca.

O médico geriatra e intensivista Alessandro Nunes, docente da Faculdade Integrado de Macapá (AP), explica que idosos com multimorbidade são especialmente vulneráveis à desidratação. Eles estão suscetíveis a episódios de delirium e descompensação de insuficiência cardíaca e renal.

Enquanto crianças desidratam com facilidade devido à menor capacidade de termorregulação, a população idosa possui menor reserva sistêmica. Ambos os grupos sofrem de forma acentuada com os picos térmicos.

Medidas preventivas essenciais

Para mitigar quadros clínicos críticos e proteger a integridade física, o especialista recomenda cuidados diários, especialmente aos habitantes da Região Norte:

  • Hidratação e proteção solar: Ingerir água constantemente e evitar exposição direta ao sol entre 10h e 16h.
  • Redução de esforço ao ar livre: Evitar atividades físicas externas em momentos de alta concentração de fumaça ou calor excessivo.
  • Combate a vetores: Eliminar recipientes com água parada para estancar a reprodução de mosquitos transmissores.
  • Climatização de espaços: Manter ventilação adequada ou usar refrigeração em recintos durante os dias mais quentes.
  • Controle clínico rigoroso: Realizar acompanhamento médico constante de condições crônicas, como hipertensão, diabetes e asma.
  • Vigilância redobrada: Monitorar continuamente crianças, idosos e enfermos quanto a sinais de desidratação (boca seca, tontura, redução do volume urinário) ou desconforto respiratório.
  • Busca por suporte precoce: Procurar atendimento médico imediato ao surgirem episódios febris ou indícios iniciais de desidratação.