O fenômeno climático El Niño representa uma grande ameaça à saúde pública, conforme alerta recente da Organização Mundial da Saúde (OMS). A entidade aponta que o evento desencadeia múltiplos perigos no Brasil.
Entre os riscos estão ondas de calor severas, que podem agravar patologias preexistentes, a piora na qualidade do ar por queimadas, além de surtos de desnutrição e cólera causados por secas e inundações.
No Brasil, os reflexos dessas alterações no padrão de chuvas e nas temperaturas geram forte preocupação, principalmente nas áreas do sul e do oeste da Região Norte.
Impactos nas vias respiratórias e na qualidade do ar
As modificações atmosféricas afetam diretamente a concentração de poluentes, em especial nos grandes centros urbanos. A combinação de baixa umidade e ondas de calor mais frequentes cria um cenário hostil.
Este quadro é perigoso para indivíduos com condições crônicas, como asma e bronquite. A incidência de alergias e infecções respiratórias em toda a comunidade também é elevada.
Ameaças de doenças por vetores e o ciclo das águas
O evento climático provoca chuvas torrenciais intercaladas com períodos de estiagem. Isso estimula a proliferação do mosquito Aedes aegypti, vetor da dengue, zika e chikungunya.
O cenário também favorece a propagação de enfermidades como malária. Problemas associados à qualidade da água e à escassez de saneamento básico adequado também são potenciais riscos.
Riscos cardíacos e grupos mais vulneráveis
Temperaturas elevadas exigem mais do corpo humano para manter a estabilidade térmica. O coração, por exemplo, é forçado a trabalhar mais para dissipar o calor. Este é um fator de risco severo para portadores de insuficiência cardíaca.
O médico geriatra e intensivista Alessandro Nunes, docente da Faculdade Integrado de Macapá (AP), explica que idosos com multimorbidade são especialmente vulneráveis à desidratação. Eles estão suscetíveis a episódios de delirium e descompensação de insuficiência cardíaca e renal.
Enquanto crianças desidratam com facilidade devido à menor capacidade de termorregulação, a população idosa possui menor reserva sistêmica. Ambos os grupos sofrem de forma acentuada com os picos térmicos.
Medidas preventivas essenciais
Para mitigar quadros clínicos críticos e proteger a integridade física, o especialista recomenda cuidados diários, especialmente aos habitantes da Região Norte:
- Hidratação e proteção solar: Ingerir água constantemente e evitar exposição direta ao sol entre 10h e 16h.
- Redução de esforço ao ar livre: Evitar atividades físicas externas em momentos de alta concentração de fumaça ou calor excessivo.
- Combate a vetores: Eliminar recipientes com água parada para estancar a reprodução de mosquitos transmissores.
- Climatização de espaços: Manter ventilação adequada ou usar refrigeração em recintos durante os dias mais quentes.
- Controle clínico rigoroso: Realizar acompanhamento médico constante de condições crônicas, como hipertensão, diabetes e asma.
- Vigilância redobrada: Monitorar continuamente crianças, idosos e enfermos quanto a sinais de desidratação (boca seca, tontura, redução do volume urinário) ou desconforto respiratório.
- Busca por suporte precoce: Procurar atendimento médico imediato ao surgirem episódios febris ou indícios iniciais de desidratação.
