As notícias sobre o quadro pulmonar do papa Leão XIV chamaram a atenção para os nódulos pulmonares e levantaram dúvidas sobre as causas dessas alterações, os riscos para a saúde e a necessidade de investigação médica. Especialistas explicam que nem todo nódulo significa câncer, mas que a avaliação adequada é fundamental para identificar possíveis doenças e definir a necessidade de acompanhamento ou tratamento.
Os nódulos pulmonares são pequenas lesões que se formam no tecido dos pulmões e podem estar relacionados a diferentes condições, como infecções, inflamações, cicatrizes e tumores. Embora a maioria seja benigna, alguns podem representar um sinal inicial de câncer de pulmão.
Segundo o médico pneumologista Rubens Tofolo, os nódulos geralmente medem até três centímetros e podem ser identificados durante exames realizados por outros motivos. “As causas mais comuns incluem infecções pulmonares, doenças inflamatórias, cicatrizes de infecções antigas e, em alguns casos, tumores benignos ou malignos”, explica.
Na maioria das situações, essas alterações não provocam sintomas e são descobertas por acaso durante radiografias ou tomografias. Por isso, uma pessoa pode ter um nódulo pulmonar sem apresentar qualquer sinal de problema de saúde.
Nem todo nódulo é câncer
A presença de um nódulo no pulmão não significa, necessariamente, que o paciente tenha câncer. Para avaliar o risco, os médicos consideram características da lesão, como tamanho, formato, contornos e evolução ao longo do tempo, além do histórico clínico de cada pessoa.
De acordo com Tofolo, nódulos com contornos irregulares, crescimento em exames realizados em momentos diferentes e determinadas características observadas na tomografia podem levantar suspeitas de malignidade.
“Esses nódulos benignos podem apresentar calcificações comuns. Já as lesões com contornos irregulares, crescimento ao longo do tempo ou determinadas características na tomografia podem levantar suspeitas de um tumor maligno”, afirma.
O médico ressalta, no entanto, que não é possível definir se uma lesão é benigna ou maligna apenas pelo tamanho ou pela aparência. A conclusão depende da avaliação conjunta dos exames e das condições de saúde do paciente.
O oncologista Bruno Fernandes explica que muitos casos de câncer de pulmão começam a se manifestar como nódulos. Segundo ele, lesões que apresentam crescimento, principalmente aquelas com mais de um centímetro, precisam de atenção, mas não devem ser consideradas câncer sem uma investigação adequada.
“Em muitos casos, provavelmente na maioria dos casos de câncer de pulmão, a doença se origina e aparece inicialmente como um nódulo pulmonar. Então, na maioria das vezes, nódulos pulmonares em crescimento, principalmente os nódulos acima de um centímetro, podem corresponder a um câncer de pulmão inicial. Porém, é impossível determinar isso sem uma avaliação apropriada do paciente”, explica.
Quais são os fatores de risco?
O tabagismo é um dos principais fatores de risco para o desenvolvimento do câncer de pulmão. A possibilidade de desenvolver a doença aumenta de acordo com a quantidade de tabaco consumida e o tempo de exposição. O contato frequente com a fumaça de outras pessoas e a exposição a determinadas substâncias também podem contribuir para o risco.
A idade avançada, o histórico pessoal de câncer e os casos da doença na família também são considerados durante a avaliação médica.
Apesar disso, pessoas que nunca fumaram também podem desenvolver nódulos pulmonares, tanto benignos quanto malignos. Por esse motivo, os especialistas recomendam que a investigação leve em conta o conjunto das informações clínicas, e não apenas a presença ou ausência do hábito de fumar.
Quais sintomas merecem atenção?
Embora muitos nódulos não provoquem sintomas, alguns sinais precisam ser avaliados por um médico, principalmente quando persistem ou aparecem sem uma causa conhecida.
Entre eles estão tosse persistente, falta de ar, dor no peito, perda de peso sem explicação e presença de sangue ao tossir. O aparecimento de gânglios, conhecidos popularmente como ínguas, na região do pescoço ou próximo às clavículas também deve ser investigado.
Esses sintomas podem estar relacionados a diferentes doenças e não significam, necessariamente, câncer de pulmão. Ainda assim, a procura por atendimento médico é importante para identificar a causa.
“É importante que o paciente procure o médico precocemente, mesmo que ele seja mais jovem, mesmo que ele nunca tenha fumado, para a avaliação se pode haver ou não um câncer de pulmão envolvido”, orienta o oncologista Bruno Fernandes.
O médico também destaca que a descoberta de um tumor em fase inicial pode aumentar as chances de sucesso do tratamento. “A maioria dos pacientes que descobre o tumor em fase inicial fica curada com o tratamento adequado, quando são submetidos, claro, a esse tratamento adequado”, afirma.
Como é feita a investigação?
A investigação começa com a avaliação médica e a análise dos exames de imagem. A tomografia computadorizada do tórax é um dos principais exames utilizados para observar as características do nódulo e identificar sinais que possam indicar maior risco.
O pneumologista Rubens Tofolo explica que o exame permite avaliar o tamanho, a forma, os contornos, a densidade e a presença de calcificações. A comparação com tomografias anteriores também ajuda a verificar se a lesão cresceu ou permaneceu estável.
Dependendo dos resultados e dos fatores de risco do paciente, o médico pode solicitar exames complementares, que ajudam a avaliar a atividade metabólica da lesão, ou uma biópsia, procedimento que permite retirar uma amostra de tecido para análise.
Nem todos os pacientes precisam realizar esses procedimentos. A escolha depende das características do nódulo e da probabilidade de a alteração ser maligna.
Quando é necessário tratamento?
Nódulos pequenos e com características de baixo risco podem exigir apenas acompanhamento médico, com a realização de tomografias em intervalos definidos pelo especialista.
Já as lesões que apresentam crescimento, características suspeitas ou maior risco de malignidade podem precisar de uma investigação mais aprofundada. Nesses casos, a equipe médica pode indicar exames adicionais, biópsia ou avaliação para cirurgia.
Segundo Tofolo, a decisão deve ser individualizada, considerando as condições de saúde do paciente e os possíveis benefícios e riscos de cada procedimento. “A mensagem principal é que nem todo nódulo pulmonar é câncer, mas todo nódulo identificado deve ser avaliado adequadamente”, reforça o pneumologista.

