A menopausa ainda é atravessada por falta de informação, dificuldade de acesso a atendimento especializado e impactos físicos e emocionais entre mulheres que vivem em áreas periféricas. É o que aponta um estudo antropológico realizado com mulheres brasileiras e mexicanas, que buscou compreender como o envelhecimento feminino é vivido nesses territórios.
O levantamento foi realizado pela Avon Renew no primeiro semestre de 2025 e ouviu 35 mulheres, com idades entre 36 e 71 anos, no Brasil e no México. A pesquisa aborda temas como menopausa, acesso à saúde, trabalho, autocuidado, autoestima e as formas encontradas pelas entrevistadas para lidar com essa fase da vida.
Segundo o material divulgado, o estudo parte de um cenário de envelhecimento da população brasileira. Dados do Censo Demográfico de 2022, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), citados na pesquisa, apontam 32,1 milhões de pessoas na maturidade. Nas comunidades periféricas consideradas pelo levantamento, vivem mais de 16,3 milhões de habitantes, dos quais 51,7% são mulheres.
Estudo ouviu mulheres no Brasil e no México
De acordo com a pesquisa, uma em cada cinco mulheres vive em áreas periféricas, com presença majoritária de mulheres negras e indígenas. O levantamento também aponta que cerca de 50% atuam em trabalhos informais e que, em muitos casos, a própria residência é transformada em espaço de trabalho.
Entre os aspectos observados estão dificuldades geográficas para acessar serviços públicos de saúde e relatos de exaustão física e mental.
O estudo, intitulado “À Margem, Histórias de Envelhecimento Feminino”, também buscou identificar como as entrevistadas compreendem e falam sobre o próprio envelhecimento.
Menopausa é marcada por desinformação, aponta pesquisa
Segundo o levantamento, a maioria das participantes relatou falta de informação e dificuldade para obter atendimento médico durante a menopausa.
Entre os sintomas físicos mencionados estão calor intenso, ressecamento e sensibilidade da pele, surgimento de melasma e dores articulares. As entrevistadas também citaram irritabilidade, insônia e exaustão entre os impactos percebidos nessa fase.
“Estou enfrentando um climatério precoce, ganho de peso, melasma gritando, cabelo caindo, mexe no físico e no psicológico”, relata Vanderleya, brasileira entrevistada no estudo.
Apesar desses impactos, a pesquisa afirma que a menopausa raramente apareceu espontaneamente nas conversas com as participantes. Segundo a análise apresentada, fatores sociais e culturais influenciam a maneira como as mulheres percebem e comunicam as mudanças ocorridas nesse período.
O levantamento aponta ainda que parte das entrevistadas aprendeu a lidar de forma silenciosa com as transformações do corpo, relacionando esse comportamento ao preconceito associado ao envelhecimento feminino.
Mulheres recorrem a estratégias acessíveis de cuidado
Para lidar com sintomas da menopausa, as mulheres ouvidas relataram recorrer a alternativas como chás, toalhas geladas, receitas caseiras e redes de apoio comunitárias.
No cuidado com a pele e a aparência, o estudo utiliza a expressão “beleza possível” para descrever adaptações feitas diante das limitações financeiras. As participantes relataram ajustar as rotinas de cuidados e optar por produtos compatíveis com a própria renda.
A pesquisa também identificou uma percepção da maturidade associada a recomeços e maior autonomia. Algumas entrevistadas relataram o desejo de se afastar de imposições sociais acumuladas ao longo da vida e buscar mais independência afetiva e financeira.
Estudo busca ampliar debate sobre envelhecimento feminino
Segundo Tatiana Ponce, CMO e head de Inovação da Natura, o levantamento pretende dar visibilidade às diferentes experiências de envelhecimento feminino nas periferias da América Latina.
“Envelhecer é uma experiência que atravessa diferentes realidades sociais e culturais. Com esse novo estudo, buscamos ampliar o olhar para as mulheres que envelhecem nas periferias da América Latina e trazer visibilidade às suas histórias, além de ampliar o diálogo sobre os processos da menopausa. Mais do que compreender os desafios, queremos contribuir para que o envelhecimento feminino seja vivido com mais respeito, autonomia e possibilidades”, afirma.
O estudo combina entrevistas e análises demográficas e teóricas para abordar as experiências das mulheres ouvidas e suas perspectivas sobre envelhecimento, menopausa e cuidados pessoais.
A iniciativa integra ações da Avon Renew voltadas à discussão sobre menopausa e envelhecimento. Entre projetos anteriores citados pela marca está o desenvolvimento de uma pele bioimpressa capaz de reproduzir efeitos da menopausa na pele para estudos relacionados ao período.
