Um estudo realizado por pesquisadores da Universidade Estadual Paulista (Unesp) e da Universidade de Birmingham, no Reino Unido, identificou compostos tóxicos em resíduos de plásticos, espumas, estofados e artigos infantis. As substâncias eram usadas pela indústria como plastificantes e retardantes de chama. A pesquisa analisou 207 amostras coletadas na região metropolitana de Sorocaba, em São Paulo. Os materiais vieram de desmanches de veículos, aterros, associações de reciclagem e empresas de estofados. Segundo os pesquisadores, 95% das amostras continham pelo menos um dos compostos analisados. Em 13 delas, os níveis foram considerados mais preocupantes. VEJA MAIS Netinho é internado em Salvador após retorno do câncer; artistas mandam mensagens de apoio Netinho decidiu se afastar temporariamente das redes sociais para se dedicar à recuperação Gêmea com síndrome rara de envelhecimento precoce morre aos 5 anos Elis Lima Carneiro foi diagnosticada com a síndrome progéria de Hutchinson-Gilford ao lado da irmã gêmea, Eloá Risco à saúde Entre as substâncias encontradas estão TCIPP, TDCIPP e TCEP. Elas foram utilizadas em produtos como espumas de móveis e colchões, peças plásticas de eletrônicos, artigos infantis e materiais de construção. Os compostos têm potencial tóxico e podem afetar os sistemas hormonal e reprodutivo. Alguns também apresentam potencial carcinogênico. A exposição pode ocorrer pelo contato com os materiais, pela ingestão ou pela inalação de poeira. Reciclagem Os pesquisadores alertam que materiais antigos podem continuar contendo substâncias que já não são usadas na fabricação de novos produtos. Segundo David Burgos, engenheiro ambiental da Unesp e autor do estudo, a reciclagem sem triagem adequada pode transferir contaminantes de produtos antigos para novos materiais. O Ministério do Meio Ambiente informou que os retardantes bromados PBDEs já são proibidos em novos equipamentos eletrônicos no Brasil. A pasta afirmou, porém, que equipamentos antigos ainda podem conter essas substâncias. De acordo com o ministério, os sistemas de logística reversa permitem a coleta, a triagem e a destinação de resíduos eletrônicos, mas não exigem testes específicos para identificar PBDEs.