Carnaval e saúde: veja dicas para evitar ressaca, desidratação e doenças

Cuidado no consumo de álcool, aumentar a hidratação e se alimentar bem estão entre as orientações de especialistas

Vito Gemaque

O Carnaval é conhecido como um período de excessos, quando muitas pessoas acabam colocando a saúde em risco, seja pelo consumo de bebidas alcoólicas, pela falta de alimentação e descanso adequados ou por relações sexuais sem prevenção. A utilização de remédios para se recuperar da ressaca também pode acarretar problemas. Especialistas orientam sobre os cuidados que todos que curtirão a folia devem ter.

A médica Ana Cecília Alves aponta que os hábitos mais danosos ao corpo estão interligados. “Alguns dos principais hábitos que as pessoas têm no Carnaval são justamente o aumento do consumo de álcool, associado à baixa ingestão de água e à diminuição da alimentação. Isso, somado a um clima quente como o nosso e à exposição solar, aumenta os riscos de desidratação, insolação e piora os efeitos do álcool, como a popular ressaca, bem como provoca alterações gastrointestinais, como vômitos e diarreia. A maioria dos atendimentos em pronto-socorro que já fiz nesse período do Carnaval está relacionada aos efeitos colaterais do excesso de álcool, como desidratação, vômitos e dores de cabeça”, explica.

Alimentação

A nutricionista Mikelly Pires reforça que uma das piores atitudes que as pessoas podem ter é pular refeições ou não se alimentar corretamente, além de não beber água durante a folia, o que piora a ressaca e os efeitos do álcool.

“É importante, antes do bloco, fazer uma refeição completa, com proteína, carboidratos e fibras. Durante o bloco, manter uma boa hidratação, intercalando a bebida alcoólica com água, além de tentar levar um snack para comer, como uma barrinha de proteína, por exemplo. E, depois, é importante manter a hidratação, pois o álcool desidrata, e priorizar o descanso”, sintetiza.

Já a nutricionista Lídia Pinheiro Cardoso alerta para atitudes que podem reduzir a disposição para a folia, como permanecer em jejum prolongado, alimentar-se de forma inadequada e não se hidratar corretamente. “Essas atitudes podem prejudicar a saúde e reduzir a disposição durante a folia, além de intensificar os sintomas da ressaca”, aponta.

Antes de sair para o Carnaval, a médica Ana Cecília orienta que os foliões melhorem o repouso e a alimentação. “E evitar sair de casa se houver quaisquer sintomas que sugiram a presença de doenças infectocontagiosas, como febre, sintomas de resfriado etc.”, orienta. Já durante a folia, a médica reforça a necessidade de hidratação, evitar o excesso de álcool, utilizar protetor solar, manter uma alimentação leve e evitar contato físico excessivo, como beijar indiscriminadamente e fazer sexo sem preservativo.

Cuidados com o álcool

O consumo de álcool é um ponto de atenção destacado pelos especialistas. A doutora Ana Cecília Alves afirma que os riscos causados pelo álcool podem variar de intolerância gastrointestinal, desidratação e alterações do nível de consciência até hepatite alcoólica e, em casos extremos — geralmente em grandes doses e na presença de comorbidades —, risco potencial de morte.

Mikelly Pires detalha que o consumo de álcool pode acarretar diversos malefícios, de curto e longo prazo. “Desde alterações no humor até problemas cardiovasculares e hepáticos. A gravidade vai depender sempre da quantidade, do contexto e da frequência. De forma geral, ele interfere na fome e no sono, pausa a queima de gordura, causa desidratação, entre muitos outros efeitos.”

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), desde 2023 não há nível seguro para o consumo de bebidas alcoólicas. “O álcool é uma substância que age diretamente no cérebro e é tóxica para o organismo, estando associado a mais de 200 doenças e condições de saúde. Seu consumo pode causar danos progressivos ao fígado, aumentar o risco de diversos tipos de câncer, favorecer problemas no coração e na circulação, comprometer a saúde mental, prejudicar a memória e o sono, além de contribuir para ganho de peso e obesidade”, lista a nutricionista Lídia Cardoso.

Recuperando o corpo após a folia

Após a folia, para recuperar o corpo, a orientação é reforçar a hidratação, manter uma alimentação leve e, se possível, incluir proteínas. Ana Cecília Alves enfatiza que o consumo de remédios para controlar os efeitos da ressaca não deve ser feito de forma indiscriminada.

“Devem ser respeitadas as alergias medicamentosas e a presença de comorbidades, como alterações da função hepática (do fígado) e renal. Há risco de toxicidade, tanto pela presença das comorbidades quanto pela possibilidade de superdose, devendo-se, se possível, consultar um médico”, orienta.

Também não se deve exagerar no retorno à rotina após o Carnaval como tentativa de “compensar” os excessos. “Não se deve fazer nada de diferente do que já se faz. Nem compensar treinando mais, nem fazendo jejum e muito menos cortando algum alimento. O que deve ser feito é voltar à rotina normal de exercícios e alimentação, que o corpo também volta ao normal”, assegura a nutricionista Mikelly Pires.

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