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Automedicação: prática comum que pode agravar doenças e levar à dependência de remédios

Especialistas orientam sobre o uso consciente de medicações e a importância da prescrição médica para evitar complicações

O Liberal
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Apesar de comum no cotidiano de grande parte da população, a automedicação representa um risco real à saúde. O uso de medicamentos sem orientação profissional pode provocar efeitos adversos, reações perigosas e até atrasar o diagnóstico de doenças mais graves. Especialistas alertam sobre o uso consciente de remédios e reforçam a importância da prescrição médica para evitar complicações.

A automedicação é caracterizada pelo uso de medicamentos por conta própria, sem avaliação clínica adequada, prática que inclui desde a reutilização de receitas antigas até a indicação feita por terceiros. Segundo o médico neurologista e professor Emanuel Sousa, esse comportamento pode trazer consequências importantes, mesmo quando envolve medicamentos considerados comuns.

“A automedicação, o uso de medicamentos sem avaliação ou prescrição de um profissional de saúde, é muito perigosa. Mesmo medicamentos considerados simples podem causar efeitos adversos, interagir com outras substâncias ou ser usados de forma inadequada. Além disso, um sintoma aparentemente banal pode ser sinal de uma doença mais séria”, explica.

Embora muitos acreditem que medicamentos de venda livre não oferecem riscos, o especialista ressalta que há diferenças importantes em relação aos medicamentos controlados, mas que ambos exigem cautela no uso.

“Medicamentos de venda livre são aqueles considerados seguros quando usados corretamente e por curto período, sem necessidade de receita médica. Já os controlados exigem prescrição por apresentarem maior risco de efeitos colaterais, dependência ou necessidade de acompanhamento. No entanto, ambos apresentam riscos. Analgésicos, anti-inflamatórios e antialérgicos, por exemplo, podem causar desde problemas gástricos até complicações renais, hepáticas e neurológicas se usados de forma inadequada”, aponta Emanuel Sousa.

Riscos

O médico alerta que entre os principais problemas causados pela automedicação estão intoxicação, reações adversas, dependência e interações medicamentosas. Os efeitos podem ser ainda mais preocupantes, com sintomas que variam desde pequenos mal-estares até quadros mais graves.

“No sistema nervoso, podem ocorrer sonolência excessiva, confusão mental, tontura, crises convulsivas, piora de transtornos psiquiátricos e até quadros de delírio, principalmente em idosos. Alguns medicamentos também podem desencadear cefaleia por uso excessivo”, ressalta Emanuel Sousa.

O especialista chama atenção para sinais que indicam que o organismo pode estar reagindo negativamente ao uso de um medicamento, como vertigem intensa, alterações de comportamento, náuseas persistentes, reações alérgicas e falta de ar, situações que exigem a interrupção imediata do uso e a busca por atendimento médico.

Outro ponto de atenção é a capacidade dos medicamentos de mascarar sintomas, dificultando a identificação de doenças mais graves e atrasando o início do tratamento adequado.

“Esse é um dos maiores riscos. Ao aliviar sintomas como dor, febre ou inflamação, o medicamento pode ‘esconder’ a evolução de uma doença. O paciente melhora temporariamente, mas a causa real continua evoluindo, o que pode levar a diagnósticos tardios e redução das chances de tratamento eficaz.”

Efeitos colaterais

A mistura de fármacos sem orientação também representa um perigo frequente, inclusive quando envolve substâncias consideradas simples.

“A combinação de medicamentos pode gerar interações que potencializam efeitos colaterais ou reduzem a eficácia. Associar antialérgicos com outros sedativos pode causar sonolência intensa e risco de quedas. Misturar analgésicos e anti-inflamatórios pode aumentar o risco de sangramentos e sobrecarga renal”, explica Emanuel Sousa.

Orientação adequada

Para o clínico geral William Rodrigues, buscar a orientação correta evita até mesmo casos de morte. “O uso de medicamentos prescritos pelo ‘doutor vizinho’, como muitas vezes brincamos no meio médico, acaba sendo um dos piores riscos. Em alguns casos, como no câncer de estômago, o diagnóstico pode ocorrer tardiamente porque o paciente utiliza várias medicações e até ‘garrafadas’ sem qualquer avaliação, o que prolonga o quadro e prejudica o tratamento”, exemplifica.

Ele explica ainda que o uso inadequado e contínuo de medicamentos pode levar à necessidade de doses cada vez maiores, ao agravamento da doença e a outros problemas associados.

“Se o diagnóstico correto não for feito, o uso inadequado persiste, e o corpo passa a exigir doses maiores. Isso pode levar à dependência, como no caso de analgésicos opióides, além de exigir medicamentos cada vez mais potentes. No caso dos antibióticos, o uso indiscriminado contribui para a resistência bacteriana, tornando infecções simples mais difíceis de tratar”, cita William Rodrigues.

O médico reforça que crianças, idosos e pessoas com baixa imunidade estão entre os grupos que mais sofrem com os efeitos da automedicação, devido à menor capacidade do organismo de responder a essas interferências, à maior sensibilidade aos efeitos dos medicamentos e ao maior risco de complicações.

“Por serem extremos de idade ou imunossuprimidos, esses pacientes têm menos respostas compensatórias do corpo, o que aumenta o risco de quadros graves associados à automedicação.”

Os especialistas orientam que qualquer tratamento seja feito com base em avaliação profissional, garantindo mais segurança e eficácia no cuidado com a saúde.

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Saúde
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