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Igreja Católica chegou a proibir o Sairé por quase meio século

Leia essa e outras histórias na coluna do Padre Sidney Augusto Canto

Pe. Sidney Augusto Canto

Setembro é mês de Sairé em Alter do Chão. Muita festa, alegria, dança, divertimento e comércio. Mas esta festa sempre esteve envolta em controvérsias. Algumas pessoas me perguntaram, após a publicação da minha coluna anterior, sobre alguns pontos que passo a elencar aqui, a partir dos questionamentos feitos. No entanto, quero lembrar que este espaço é deveras muito curto para discorrer sobre um assunto secular, que teve momentos de crise e também de vitoriosas conquistas.

A igreja proibiu o Sairé?

Sim. A igreja católica no início do século XX, não via com bons olhos as festas religiosas no interior da Prelazia de Santarém. O processo de romanização tardia, aqui prefigurou-se pela moralização das festas em honra aos santos. O sairé foi proibido por Monsenhor Anselmo Pietrula, OFM, então administrador da Prelazia de Santarém. Ele aproveitou-se de uma portaria publicada pelo Estado, que também buscava moralizar as festas no interior, proibindo a venda de bebidas alcoólicas, considerado o motivo de brigas e mortes durante essas festas. Foi assim que o Sairé, até então uma festividade religiosa, em honra de Nossa Senhora da Saúde, foi proibido pela igreja católica, de ser realizado na vila de Alter do Chão.

Como o Sairé voltou a ser realizado?

Na década de 1970, durante o regime militar, alguns órgãos ligados à cultura, bem como outras instituições independentes do governo, como o MEB, por exemplo, fizeram um levantamento da realidade cultural da nossa região. Foi aí que o Governador Fernando Guilhon, sabedor da realização da festa, procurou incentivar o seu retorno, o que de fato ocorreu em 1973. Esse Sairé, que voltou a ser realizado por incentivo do Governo, tinha outra roupagem, além de manter algumas das tradições do passado, agregou a si as apresentações culturais de danças como a “Valsa da Ponta de Lenço” e o “Cruzador Tupi”. Naquela altura, o Sairé não estava mais ligado à festividade de Nossa Senhora da Saúde, sendo realizado em data diferente, no meio do ano. Até recentemente, ainda acontecia no mês de julho. Depois, por questões mais ligadas às questões políticas e econômicas do que por questões culturais, o Sairé foi transferido para setembro.

O Sairé de Alter do Chão tem mais de 300 anos?

Ainda não. Como o Sairé é uma festa de origem catequética católica, realizada em honra dos santos (no caso de Alter do Chão, em honra de Nossa Senhora da Saúde), a realização do Sairé naquela vila não pode ter acontecido antes de 1737, quando foi fundada a Missão de Nossa Senhora da Saúde, hoje Alter do Chão. Agora, o Sairé tem mais de 300 anos na Amazônia? Sim. Belém e Santarém tinham o Sairé realizado ainda no século XVII. A controvérsia se instala por conta de acharem que o Sairé era realizado somente em Alter do Chão, o que não é verdade.

 

(*) Padre Sidney é presbítero da Arquidiocese de Santarém. Pós-graduado em História da Amazônia. Membro fundador do Instituto Histórico e Geográfico do Tapajós – IHGTap e da Academia de Letras e Artes de Santarém – ALAS.

Santarém
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