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Vai um cafezinho numa biblioteca virtual?

Como a paraense Priscila Zoghbi viralizou nas redes, em tempos de isolamento social, com o resgate de uma antiga forma de distrair e também de interagir, através da conta do Instagram @cafenabiblioteca

Se as pesquisas dizem que o número de leitores, no Brasil, está diminuindo, a paraense Priscila Zoghbi, 27, provou o contrário ao criar uma conta no Instagram para dar dicas de leituras na internet. Criada em fevereiro, a conta @cafenabiblioteca já tem mais de 5k seguidores e tem atraído o interesse de autores e resenhistas de todos os cantos do Brasil. Priscila atribui esse sucesso a uma fórmula muito simples: trocas e conversas sobre livros. “Com a ausência de distrações externas, a busca pela literatura se intensificou, assim como a necessidade de conversas”, relata.

Doutoranda em direito da USP, Priscila conta que sempre adorou conversar sobre livros, trocar experiências. Como muitos projetos digitais que vêm surgindo desde março de 2020, a pandemia, também, foi o fator de impulsionamento para que o @cafenabiblioteca nascesse. Mas a leitura, para ela, vai além de histórias. Ela representa afeto. Sobre a paixão, diz: “a verdade é que sempre amei ler, desde pequena. Minha avó era professora do primário e me alfabetizou em casa”.

Dentre os livros indicados ou resenhados até o momento na plataforma, os gêneros e formatos são diversos, mas um dos que mais se destacam são os livros escritos por mulheres. A sua mais recente indicação foi para comemorar o dia do livro e foram citadas 5 autoras, de vários lugares do mundo, que narram suas vivências misturadas ao impacto das suas culturas. Estão nessa indicação: Nossa Senhora do Nilo, de Scholastique Mukasonga; Kramp, de Maria José Ferrada; Tudo é Rio, de Carla Madeira; Adua, de Igiaba Schego; e A Cachorra, de Pilar Quintana.

Algumas indicações do perfil no Instagram

Priscila conversou com a jornalista Raisa Araujo sobre essa aventura cultural na internet, sobre os propósitos do projeto e os planos para o futuro.

RA: Como surgiu a ideia de criar o café na biblioteca?

PZ: Para um leitor é sempre enriquecedor trocar experiências. No começo, eu postava minhas leituras no meu perfil pessoal, mas com a pandemia, senti ainda mais a necessidade dessas trocas que, antes, eu fazia pessoalmente. Então, surgiu o @cafenabiblioteca, como uma forma de conversar, interagir sobre livros e literatura. 

RA: Qual o propósito do projeto?

PZ: O objetivo do Café na Biblioteca é diminuir distâncias: buscamos conectar pessoas mesmo em tempos de isolamento social, usando os livros para formar esse elo. 

RA: Você acha que a pandemia mudou a relação das pessoas com os livros? 

PZ: A pandemia mudou muita coisa... inclusive nossa relação com os livros. Com as medidas restritivas e de isolamento, acabamos passando mais tempo em casa e, como consequência, buscamos (ou reencontramos!) outras formas de diversão, como a leitura. Com a ausência de distrações externas, a busca pela literatura se intensificou, assim como a necessidade de conversas. O surgimento do Café na Biblioteca levou em consideração esses dois pontos.

RA: Como acontece a seleção dos livros que vão para o perfil?

PZ: Eu sempre falo que o perfil não é meu, é da família Café na Biblioteca. No começo, eu escolhia a maior parte dos livros, agora recebo várias sugestões. Então, tenho levado em consideração – as muitas –  indicações que me dão.

RA: Muita gente trocou os livros pelas redes sociais. Mas o seu projeto usa justamente a plataforma digital para divulgar livros.

PZ: As redes sociais podem até competir pelo tempo despendido, mas não oferecem o nível de reflexão que os livros em geral proporcionam. Só que a internet, e mais especificamente as redes sociais, são uma realidade. Temos que utilizá-las a nosso favor. Por isso, nosso meio de comunicação é o Instagram.

RA: Como nasceu sua paixão pelos livros e que dica você daria às mães?

PZ: Gosto de ler desde criancinha. Fui alfabetizada pela minha avó em casa, que era professora do primário. Ela sempre me incentivou a ler, assim como meus pais, apesar de não ser um hábito familiar. A leitura vira uma paixão desde que não seja obrigação. Então, ler em conjunto, conversar sobre as experiências depois, procurar assuntos que já interessem às crianças e adequar as leituras à idade do leitor são boas opções para incentivar o hábito. Funcionariam comigo... (risos).

RA: Quais suas preferências literárias? Estilos, autores? 

PZ: Apesar de amar clássicos, ultimamente tenho tido uma preferência pela literatura contemporânea, principalmente a brasileira. Além disso, sempre pondero o número de autoras mulheres e autores homens que estou lendo. Mais do que necessário, é muito prazeroso ler e divulgar autoras talentosas. 

RA: Quais os planos para o Café na Biblioteca?

PZ: Continuaremos postando resenhas dos livros, interagindo e, claro, buscando aumentar a família do Café na Biblioteca cada vez mais! Todos têm um espaço especial reservado... desde os curiosos, aos que já têm o hábito da leitura, até os que querem iniciar esse hábito. Todos são bem-vindos no @cafenabiblioteca.

 

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