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Caderno Especial: Dia do Meio Ambiente

A importância da biodiversidade paraense

Estado abriga 49% das atrações naturais da Amazônia, segundo Organização dos Estados Americanos (OEA)

Dados da Organização dos Estados Americanos (OEA) apontam que o Pará abriga 49% das atrações naturais da Amazônia. São rios, igarapés, praias, cachoeiras, fauna e flora que formam parte desse rico cenário. No dia mundial do meio ambiente, celebrado em 5 de junho e instituído pela Organização das Nações Unidas (ONU), conheça a importância da biodiversidade paraense e a necessidade da preservação.

“O Pará é um gigante”, observa Paulo Pinho, doutor em ciências ambientais. “A nossa diversidade de ecossistemas, sejam mangues, seja terra firme, seja floresta equatorial, nos dão um destaque muito grande no cenário internacional. O Pará, seja por Estado, seja pela área territorial, precisa estar na agenda de discussão de meio ambiente do mundo”, diz ele.

O estado integra o chamado Bioma Amazônico, que ocupa uma área de 4.196.943 km², que corresponde a mais de 40% do território nacional, segundo dados do Instituto Brasileiro de Florestas (IBF). Dentre as características que se espalham por todos estados que compõem o bioma, inclusive o Pará, estão um rico ecossistema, além de uma variedade de espécies animais e vegetais.

Cerca de 68% dos recursos hídricos do Brasil estão concentrados na Região Norte, destaca a engenheira sanitarista e ambiental Michele Araújo de Oliveira (Paulo Victor Cavalcante)

“O Pará apresenta como riqueza uma grande diversidade de fauna e flora”, diz Michele Araújo de Oliveira, engenheira sanitarista e ambiental. “Além de conter uma grande reserva de água doce superficial, que de acordo com a Agência Nacional de Águas (ANA), cerca de 68% dos recursos hídricos do Brasil estão concentrados na Região Norte”, explica ela.

Rios

Um dos elementos mais marcantes quando se fala da natureza paraense são os rios. Além da importância social e econômica para a população, eles também carregam uma grande relevância ambiental. Com uma bacia hidrográfica de aproximadamente 1.253.164,5 km², pelo estado passam rios como Amazonas, Tocantins, Tapajós, Xingu, Guamá e Jari. 

“O Pará apresenta inúmeras riquezas ambientais, como por exemplo, o quantitativo de rios na região e por conta disso, acaba tendo uma grande evidência no Brasil e no exterior”, explica Michele. “Apesar de também ser um ambiente de lazer à população e aos turistas, os rios são umas das principais fontes de água, recurso este indispensável para a vida humana e para o meio ambiente”, observa.  

A Resolução do Conselho Estadual de Recursos Hídricos nº 004 de 2008, instituiu a delimitação e codificação das bacias hidrográficas (área ou região de um rio principal e seus afluentes) do Estado do Pará. Nele, foram definidas sete macro-regiões hidrográficas. São elas: Região da Calha Norte; Região do Tapajós; Região do Xingu; Região do Tocantins-Araguaia; Região de Portel Marajó; e Região da Costa Atlântica-Nordeste. 

“Os rios, além de serem berço da vida, também são cursos de navegação”, diz Paulo Pinho. “São importantíssimos como modeladores do relevo, também estão totalmente ligados à produção de energia hidrelétrica e também em relação ao equilíbrio do clima, porque através da evapotranspiração que há regulação do clima, muito dependente desse volume de água. Além de serem usados para a prática de esportes e de serem lindos”.

“O Pará é um gigante”, observa Paulo Pinho, doutor em ciências ambientais (Walda Marques)

Áreas verdes

Outro elemento importante no cenário ambiental são áreas verdes, espaços nos quais prevalecem a vegetação arbórea, como as praças, parques e bosques. São áreas fundamentais, principalmente para manter a biodiversidade, assim como outros serviços ambientais, como, por exemplo, o conforto climático, redução da poluição, polinização e fixação do solo. 

No Pará, de acordo com a Agência Brasil (2021), entre os anos de 2000 e 2018, houve uma redução de 118.302 km² de vegetação nativa. Segundo Michele, isso pode trazer várias consequências desagradáveis, como o aumento da temperatura do ambiente. Diante desse cenário, ela reforça a importância de proteger esses espaços.

“A preservação das áreas verdes no Estado deve ser levada em consideração devido aos diversos benefícios oriundos de sua preservação, como por exemplo, a regulação da temperatura, o fato das árvores auxiliarem no processo de proteção ambiental com a diminuição das erosões no solo, a diminuição de alagamentos pelas de raízes das árvores, dentre outros”, explica.

Preservação

Os especialistas também aproveitam a data emblemática do dia do meio ambiente para chamar a atenção para a necessidade de preservação no Pará, no Brasil e no mundo. “Apesar da existência de inúmeras legislações vigentes no Brasil que tratam sobre o meio ambiente, existe a necessidade que as mesmas sejam aplicadas com mais êxito”, avalia Michele. “Até existem grupos de pessoas que lutam pela causa, mas é um trabalho que necessita de mais colaboração, necessita de todos. Também é necessário uma conscientização popular com foco na proteção ambiental”.

 

Sociedade pelo meio ambiente

Projetos atuam na defesa, preservação e conscientização ambiental

Projeto Ame o Tucunduba surgiu como um coletivo, no ano de 2016, no bairro da Terra Firme (Divulgação)

A sociedade desempenha um importante papel na hora de cuidar e proteger o meio ambiente. No Pará, não é diferente. Em vários pontos do estado é possível encontrar movimentos ecológicos e sustentáveis que atuam na defesa, preservação e conscientização ambiental. A Ame o Tucunduba, em Belém, e o projeto Movimento Moeda Verde, em Igarapé-Açu, são dois exemplos.

A Ame o Tucunduba é uma organização formada em sua maioria por mulheres. Surgiu como um coletivo, no ano de 2016, no bairro da Terra Firme. Os pilares de atuação da iniciativa giram em torno de desenvolver metodologias e vivências educativas, produzir conteúdo com a perspectiva local e fomentar projetos de mobilização e engajamento da juventude amazônida. 

Instigadas pela forma como os rios são percebidos e tratados na cidade, as fundadoras criaram a Ame. “Normalmente esses espaços são vistos como um canal, um esgoto a céu aberto, ou um obstáculo a ser resolvido. E a nossa ideia é resgatar e ressignificar a relação com eles, a partir da educação ambiental crítica, emancipatória e transformadora”, explica Mariana Guimarães, co-fundadora e diretora de comunicação da Ame.

Dentre as atividades desenvolvidas pelo grupo está a “Expedição Tucunduba”. Com ela, estudantes da rede pública podem conhecer da nascente à foz da Bacia Hidrográfica do Tucunduba. O encontro também é espaço de debates sobre a temática ambiental, como rios urbanos e saneamento básico. Na pandemia, estão ocorrendo apenas atividades virtuais.

No início de 2021 a Ame teve a primeira turma do “Piracema - Programa de Multiplicadores”, que fomentou a troca de saberes sobre pautas ambientais e climáticas, além de compartilhar as metodologias da Expedição Tucunduba. E mais recentemente, iniciaram o “Jandyras - Rede de Articuladoras Ambientais”, que como primeiro passo vai realizar uma formação voltada para jovens mulheres de Belém que querem aprender e se mobilizar pela agenda climática da cidade.

Equipe do Ame o Tucunduba é formado por mulheres (Elias Costa)

A Ame, junto à população, também já realizou intervenções às margens do Tucunduba, no bairro da Terra Firme, entre 2016 e 2018. A ação resultou na implementação de uma horta comunitária em um espaço que antes era utilizado para o descarte de lixo. 

“Acredito que a nossa principal contribuição é a de proporcionar um debate ambiental crítico, que não enxerga nossos rios, e a natureza de maneira geral, como um obstáculo a ser ultrapassado”, avalia Mariana. “E de pensar que a solução para enfrentarmos os desafios de saneamento básico, e da própria emergência climática, passa necessariamente por uma construção coletiva, tendo como norte os nossos saberes amazônidas”. 

Moeda verde

Em três anos, foram 280,6 toneladas de materiais recicláveis trocados por Moeda Verde e enviados para a reciclagem (Divulgação)

Já em Igarapé-Açu, nordeste do estado, desde agosto de 2018 os moradores podem trocar material reciclável por uma moeda social que tem poder de compra em 52 comércios  cadastrados da região. Esse é o projeto Movimento Moeda Verde, que ajuda a transformar o meio ambiente,  conscientizar  a  população e fomentar a economia.

“O projeto Moeda Verde basicamente trata da mobilização popular utilizando como ferramenta para mobilização uma moeda social, que é a nossa Moeda Verde”, explica Carol Magalhães, coordenadora do movimento. "Assim, estimulamos a população a trocar material reciclável, por uma moeda que tem poder de compra na cidade”.

Em três anos, foram 280,6 toneladas de materiais recicláveis trocados por Moeda Verde e enviados para a reciclagem. Uma economia de R$ 18.522,24 para os cofres públicos na coleta de lixo na cidade, segundo os dados do projeto. Já no campo econômico, R$ 57.325,00 em Moedas Verdes giram no comércio local e incrementam a renda média familiar. 

Carol Magalhães é coordenadora do movimento que desperta a consciência ambiental (Divulgação)

“O uso da moeda disparou uma série de mudanças de comportamento na população local em relação a produção de resíduo doméstico”, avalia Carol. “Isso estimulou com que a gente pudesse, a partir de julho de 2020, iniciar um projeto piloto de coleta seletiva no município pelo cenário que a gente tinha, de uma  população engajada e entendendo a importância de fazer a separação do seu material”.

 

Conheça mais as iniciativas

Ame o Tucunduba

Projetos, vivências educativas e conteúdos que fomentam mobilização em questões ambientais e climáticas.

Contato: ameotucunduba.org

 

Movimento Moeda Verde

Troca de material reciclável por moeda social com poder de compra. 

Contato: @moedaverdeigarape

 

Projeto Verde Cidadão

Promove oficinas para ensinar o cultivo de hortas urbanas e projetos para montar hortas e áreas verdes, além de vasos plantados com hortas para cuidar em casa.

Contato: @verdecidadao ou na página /projetoverdecidadao

 

Amigos de Belém 

Movimento que promove uma reflexão e ação em torno da cidade de Belém, com ações por uma cidade socialmente mais justa e ambientalmente mais saudável.

Contato: @amigosdebelem

 

Instituto Alachaster

Empreendedores sociais com ações e atividades que ajudam a construir uma sociedade mais sustentável. 

Contato: @institutoalachaster

 

Conheça a força da mulher paraense na recuperação de áreas mineradas em Juruti
Mais de 51 mil árvores já foram replantadas de janeiro a maio de 2021

Cleide Xavier está há quatro anos trabalhando no replantio de árvores na Alcoa. (Divulgação/Alcoa)

O poder de cuidar da terra foi percebido pela jurutiense Cleide Xavier, 45, desde muito cedo. Era através do plantio de mandioca, abacaxi e outros alimentos que ela mantinha o sustento da casa e dos oitos filhos que criou sozinha com muita luta e dedicação. Há quatro anos, Cleide teve a oportunidade de contribuir com o replantio de árvores em áreas mineradas pela Alcoa, no município de Juruti, oeste paraense.

A experiência com o plantio de alimentos em casa fez com que o plantio de árvores se tornasse um trabalho prazeroso. “Costumo tratar essas árvores como um bebê, onde eu cuido e vejo crescer. As primeiras que plantei, há quatro anos, já estão grandes, e hoje me sinto alegre e bastante satisfeita com o trabalho realizado”, afirma a auxiliar de campo, ao destacar que parte da renda familiar vem do replantio na Alcoa.

Nos meses de abril e maio de 2021, mais de 51.754 mil árvores matriz, como castanheiras, massaranduba e Pau D’arco; frutíferas e ornamentais já foram replantadas pelos integrantes das associações parceiras da Alcoa. As ornamentais são doadas ao município de Juruti para que sejam distribuídas para escolas, praças e moradores da região. O período de replantio dura, em média, de quatro a cinco meses, e é realizado uma vez por ano por associações contratadas pela Alcoa. “A cada período, cinco pessoas da nossa associação se mudam para o município de Juruti e ficam até fechar o ciclo”, explica Cleide Xavier, que mantém residência fixa na comunidade Galiléria, há 90 km do centro de Juruti.

“É prazeroso aprender sobre o replantio de árvores, ainda mais para nós mulheres que não temos tantas oportunidades no mercado de trabalho no interior do estado. A vida melhorou muito, tanto para mim, quanto para as outras pessoas da associação. Somos filhas de Juruti, filhas da terra, e temos um enorme prazer em contribuir para a recuperação das áreas mineradas”, afirma a auxiliar de campo.

A Associação Aspersange, na qual Cleide faz parte, é uma das responsáveis por produzir, tratar e cuidar das mudas até a hora do plantio, sempre reforçando o respeito, carinho e cuidado com as espécies.

 

Mais de 1.027 hectares já foram reabilitados pela Alcoa em Juruti, desde 2011
Quantidade equivale a 1.436 campos de futebol com medidas oficiais

Reabilitação de áreas mineradas conta com o apoio de comunitários e associações (Divulgação/Alcoa)

Além de minerar, a Alcoa tem um forte compromisso com o meio ambiente. O Programa de Recuperação de Áreas Mineradas da Companhia recuperou mais de 11,4 mil hectares nas três unidades: Juruti-PA, São Luís-MA e Poços de Caldas-MG. O resultado é equivalente ao tamanho de 2.173 campos de futebol com medidas oficiais. Todo o processo de recuperação das áreas mineradas conta com o apoio de 21 comunidades associadas ao projeto.

Somente em Juruti, desde 2011, já foram reabilitados 1.027 hectares de áreas mineradas, que equivalem a 1.436 campos de futebol com medidas oficiais. Em Poços de Caldas, nesses mais de 40 anos, o programa evoluiu e já recuperou 675,09 hectares e o Consórcio Alumar, em São Luís-MA, desde a sua fundação reabilitou 44 hectares de Áreas de Disposição de Bauxita – ARBs. As ARBs têm por objetivo receber e estocar, de forma adequada e segura, o resíduo proveniente do processo de refinamento da Bauxita, para a produção de alumina na Refinaria. Por isso segue os mais rígidos critérios mundiais de segurança e engenharia ambiental.

O compromisso da Alcoa com a sustentabilidade trouxe resultados importantes nos últimos onze anos: 461 mil mudas nativas já foram plantadas na restauração de áreas mineradas e 11 mil toneladas de CO2 neutralizadas na operação ferroviária de transporte da bauxita. “As comunidades da região de Juruti Velho produzem, anualmente, em torno de 70 mil mudas de espécies como Castanheira, Itaúba, Massaranduba, Ipê e Angelim. As associações também ficam responsáveis pelo plantio das mudas no processo de reabilitação das áreas mineradas, através de contrato firmado com a Alcoa”, explica a engenheira florestal da Alcoa, Susiele Tavares.

Reabilitação de áreas mineradas em Juruti (Divulgação/Alcoa)

No ano passado, apesar de todos os desafios enfrentados com a pandemia, que obrigou as empresas a readequarem suas rotinas de trabalho para proteger seus colaboradores, o plantio de mudas foi realizado com sucesso. “Em abril, quando a pandemia começou a ficar grave na nossa região, foi preciso encerrar as atividades por questões de segurança. No entanto, conseguimos um bom resultado no período”, destaca engenheira florestal.

Em 2021, a reabilitação de áreas foi retomada, seguido todos os protocolos de segurança exigidas pelos órgãos de saúde. Todos os comunitários que integram o programa ficam alojados em Juruti durante o período de plantio, e apenas no final do ciclo eles retornam para suas comunidades. “O trabalho de replantio em parceria com as comunidades vem sendo realizado a alguns anos, justamente para que a Alcoa possa remunerar as comunidades e fazer a economia de Juruti possa girar e contribuir com o crescimento do município”, afirma o supervisor de meio ambiente, João Duarte.

Ao longo do ano, a parceria segue firme no que diz respeito a produção das mudas que serão plantadas. A reabilitação ocorre sempre no período de chuvas na região do baixo amazonas, para que as mudas possam crescer fortes e saudáveis, sem gerar desperdício da produção.

Alcoa realiza doação de mudas frutíferas e ornamentais para Juruti (Divulgação/Prefeitura de Juruti)

“Fazemos campanhas ambientais com a Prefeitura Municipal, em parceria com escolas e secretarias, para que as mudas ornamentais sejam doadas aos jurutienses. Na Alcoa, os funcionários podem levar para casa, para o sítio, para onde queiram plantar também”, ressalta João Duarte, ao explicar que a ideia é que o máximo de pessoas em Juruti tenham acesso às mudas cultivadas pela Alcoa.

 

Tecnologia para preservar as florestas
Empresas associadas à Aimex investem no manejo florestal e em parcerias com comunidades para produzir de forma sustentável no Pará

A Amazônia legal abriga, aproximadamente, 20 milhões de pessoas, de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), além de diversos outros números superlativos, como, por exemplo, a maior bacia hidrográfica do mundo, 60 mil espécies de plantas e animais, cerca de 15% de toda a biodiversidade do planeta e, aproximadamente, 400 bilhões de árvores nativas, o que representa um terço de todas as árvores existentes hoje na terra. 

Diante desses dados, uma coisa fica muito clara: quaisquer que sejam as ações realizadas na e para a Amazônia, elas passam necessariamente pela utilização sustentável e convivência harmônica com toda essa riqueza natural.  É preciso garantir que essa riqueza seja, também, revertida para a população que vive aqui, evitando, assim, o “paradoxo amazônico”, onde há uma região rica em sócio biodiversidade, mas com baixíssimos índices sociais e de desenvolvimento humano. 

Nesse aspecto, uma das tecnologias cruciais para a reversão desse paradoxo é o manejo florestal sustentável. Adotado pelas empresas associadas à Aimex (Associação das Indústrias Exportadoras de Madeira do Pará), ele é capaz de garantir renda, gerar emprego, oferecer produtos de madeira para a humanidade de forma perene e ainda garantir a renovação contínua da floresta. Não à toa, a Organização das Nações Unidas (ONU) inclui o manejo florestal como um dos mecanismos capazes de contribuir para os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS), um plano de ação da Agenda 2030, que busca o cumprimento de 17 metas globais para nortear o desenvolvimento sustentável em todo o planeta pelos próximos anos. 


Para entender o Manejo Florestal
O manejo é uma técnica de administração de forma organizada e planejada dos recursos florestais, baseado em estudos científicos que vem se desenvolvendo e aperfeiçoando ao longo de muitos anos, como explica o diretor técnico da Aimex, Deryck Martins: “é preciso entender que o manejo é um conjunto de técnicas fundamentadas em muito estudo, muita pesquisa por trás. Há uma ideia de que uma empresa madeireira entra em uma floresta e sai derrubando tudo, indiscriminadamente, mas é exatamente o contrário. As empresas que atuam no segmento de base florestal são as maiores interessadas em que as florestas estejam ali para sempre, sendo conservadas e continuem economicamente viáveis”.

Aimex trabalha com tecnologia para realizar manejo florestal (Divulgação/Aimex)

De acordo com o diretor, que também integra a Associação Profissional de Engenheiros Florestais do Pará, para executar o manejo, é preciso fazer um longo estudo e planejamento de toda a área onde a atividade será realizada. Com base no inventário florestal é que são selecionadas apenas árvores adultas e somente uma pequena parte delas é retirada, garantindo que árvores e outras plantas mais jovens cresçam. “É isso. O manejo florestal, além de gerar renda e garantir matéria-prima para a sociedade, também intensifica o ciclo de renovação das florestas, contribuindo para a redução da quantidade de carbono na atmosfera, pois árvores em desenvolvimento sequestram muito mais gás carbônico do que árvores já adultas”, explica. 


Parcerias com comunidades
Um exemplo dessa relação que o manejo florestal vem ajudando a mudar ocorre no município paraense de Gurupá, localizado na Ilha do Marajó, onde cerca de 620 famílias de comunidades quilombolas realizam o manejo florestal em parceria com a empresa Hadex. De acordo com Waldeci Nascimento, presidente da associação comunitária, existe um momento antes e depois do manejo. “A principal atividade era agricultura, então a gente derrubava toda a área e botava fogo, para fazer roça, plantar mandioca. Depois que começamos a fazer o manejo florestal, a gente viu que era possível ganhar dinheiro mantendo a floresta em pé, até mesmo em relação à agricultura, a gente começou a plantar sem derrubar as árvores”, explica.

Cerca de 620 famílias de comunidades quilombolas realizam o manejo florestal em parceria com a empresa Hadex (Divulgação/Aimex)

Atualmente, todas as mais de duas mil pessoas, que fazem parte das comunidades quilombolas ao longo de Gurupá, têm no manejo florestal a sua principal fonte de renda. Eles trabalham em parceria com a empresa Hadex, que além de fornecer a estrutura, adquire parte dessa produção. “o manejo florestal realmente mudou a nossa vida. Graças a ele, hoje todas as nossas comunidades são interligadas por estradas, nossas casas são de alvenaria, temos condições de comprar voadeiras, motos e ter uma condição de vida muito melhor. Mudou até nossa relação com a floresta”, resume Valdeci. 

Para Eduardo Leão, diretor técnico da Aimex, é preciso que a sociedade entenda que o manejo é uma atividade oposta ao desmatamento. “No manejo, não há remoção da floresta, você retira somente 5, 6 espécimes por hectare – área do tamanho de um campo de futebol - e só voltará novamente a essa área mais quando o ciclo de regeneração natural dela se completar, cerca de 25 a 35 anos depois. Isso gera emprego e renda, preserva da floresta e garante indefinidamente uma matéria-prima extremamente necessária para a vida humana”, conclui.

 

 

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