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POLÍTICA

TSE manda Nikolas Ferreira e Flávio Bolsonaro removerem vídeo em que crianças criticam Lula

A decisão abrange conteúdos divulgados no Instagram, no Facebook, no X e no WhatsApp

Estadão Conteúdo

14 de outubro de 2026 às 13:36

( Foto: Foto: Marcelo Camargo / Agência Brasil )

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) determinou que o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) retirem de suas redes sociais um vídeo. Nele, crianças fazem críticas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e ao governo federal.

A decisão, assinada na terça-feira, 13, pelo ministro Marco Aurélio Bellizze, estabelece um prazo de 24 horas para a remoção das publicações.

A determinação do TSE abrange conteúdos divulgados no Instagram, Facebook, X e WhatsApp. Até a publicação desta matéria, o vídeo permanecia nos perfis de Nikolas Ferreira nas três primeiras redes.

Plataformas envolvidas e situação atual

No canal de WhatsApp "Tropa do Flávio", a plataforma informou que o administrador do grupo excluiu a publicação do vídeo.

Em caso de descumprimento da decisão, as plataformas deverão ser notificadas para tornar as publicações indisponíveis. Este processo também tem prazo de 24 horas após o recebimento da comunicação.

A determinação do tribunal não prevê a suspensão integral dos perfis ou canais dos parlamentares.

Fundamentação da decisão do TSE

A decisão do TSE atende a um pedido da coligação "Brasil Pronto pra Mais". A coligação acusou os parlamentares de divulgar propaganda eleitoral negativa, desinformativa e difamatória.

O vídeo, publicado em 12 de outubro (Dia das Crianças), apresenta menores de idade. Eles associam o presidente Lula e seu filho, conhecido como Lulinha, a problemas como insegurança, furtos e aumento dos preços.

Ao analisar o material, o ministro Bellizze considerou que a publicação ultrapassa os limites razoáveis da propaganda eleitoral negativa. Ele destacou a exploração da imagem de crianças para atingir psicologicamente o eleitor.

Segundo o ministro, a construção da narrativa pode intensificar o apelo emocional. A ação visa vincular o candidato a problemas sociais sem que essa conclusão decorra necessariamente dos elementos apresentados no vídeo.

O ministro afirmou que "o vídeo em evidência ultrapassa a barreira do razoável ao tentar atingir o eleitor psicologicamente mediante a abordagem indevida da propaganda negativa a um candidato veiculada massivamente na internet, aproveitando-se da exploração inadequada da inocência infantil".

Proibição genérica de novos conteúdos negada

Bellizze rejeitou, por enquanto, o pedido para proibir genericamente novas publicações com conteúdo semelhante. Uma análise futura dependerá da identificação de conteúdos específicos que reproduzam a mensagem questionada.

O caso será submetido ao plenário do TSE para deliberação final.

Ele destacou: "Indefiro, por ora, o pedido de proibição genérica de novas publicações de conteúdo 'substancialmente idêntico ou equivalente', sem prejuízo de nova apreciação caso sejam individualizados conteúdos específicos que reproduzam a mensagem examinada nesta decisão".