Os presidentes dos Estados Unidos, Donald Trump, e da Argentina, Javier Milei, ainda não haviam se manifestado publicamente sobre a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) até a manhã desta segunda-feira, 26. O silêncio contrasta com as manifestações de líderes estrangeiros que começaram a parabenizar o petista ainda na noite de domingo, 25, após a vitória sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL).
Lula conquistou um quarto mandato presidencial após reverter o resultado do primeiro turno e vencer Flávio Bolsonaro na segunda etapa da disputa. Os primeiros líderes da América Latina a cumprimentá-lo foram os presidentes do Paraguai, Santiago Peña, da Bolívia, Rodrigo Paz, e do Panamá, José Raúl Mulino, todos identificados com a direita.
Nos Estados Unidos, o Departamento de Estado não respondeu a um pedido de comentário do Estadão, e Trump permaneceu em silêncio sobre o resultado eleitoral. Integrantes do entorno político do republicano, porém, repercutiram manifestações relacionadas à derrota de Flávio Bolsonaro.
Na noite de domingo, Jason Miller, conselheiro de Trump, publicou nas redes sociais uma versão em inglês do discurso feito pelo senador brasileiro após a derrota.
O silêncio de Trump ocorre apesar de Lula ter parabenizado o republicano logo após a projeção de sua vitória na eleição presidencial norte-americana de 2024, mesmo tendo apoiado a candidata democrata derrotada, Kamala Harris.
Segundo indicações de fontes diplomáticas, não havia expectativa de manifestações públicas tão rápidas por parte de autoridades do governo dos Estados Unidos.
Milei fez campanha por Flávio e acusou Lula antes da eleição
Na Argentina, Javier Milei também não havia comentado publicamente a vitória de Lula até a manhã desta segunda-feira. O presidente argentino, no entanto, participou ativamente do debate eleitoral brasileiro e declarou apoio ao adversário do petista.
Na terça-feira, 20, cinco dias antes do segundo turno, Milei voltou a atacar Lula nas redes sociais e afirmou esperar que o presidente brasileiro não "roubasse" a eleição. A declaração provocou uma reação do Ministério das Relações Exteriores, que classificou a manifestação como uma "inaceitável tentativa de ingerência externa no processo democrático brasileiro".
O presidente argentino fez campanha aberta por Flávio Bolsonaro e chegou a viajar ao Brasil para participar da convenção que lançou a candidatura do senador. Na ocasião, também fez críticas a Lula.

