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Queimadas na Amazônia

TRT-8 alerta sobre recorde de incêndios no Pará e riscos à saúde do trabalhador

Pará registrou 11,7 mil focos de incêndio no último mês de outubro, um recorde conforme o Inpe

O Liberal

3 de novembro de 2026 às 19:45

TRT-8 destaca a necessidade de empresas fornecerem equipamentos de proteção individual (EPIs) para trabalhadores em áreas com forte densidade de fumaça

TRT-8 destaca a necessidade de empresas fornecerem equipamentos de proteção individual (EPIs) para trabalhadores em áreas com forte densidade de fumaça ( Foto: Foto: Reprodução / Ibama )

O Pará registrou 11,7 mil focos de incêndio no último mês de outubro. Um recorde em 29 anos de medições do INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais). É o maior número para outubro desde o início da série histórica do Instituto, em 1998. O alerta é do Tribunal Regional do Trabalho da 8ª Região (TRT-8 | Pará e Amapá).

O TRT-8 observa que, para muitos especialistas, o fenômeno climático El Niño pode ter elevado os riscos de fogo na região, associado à questão da seca. “A fumaça e o calor gerados pelas queimadas causam sérios riscos à saúde dos trabalhadores, especialmente aqueles que atuam a céu aberto como na construção civil, agricultura, limpeza urbana, entregas e transporte”, destaca o tribunal.

De acordo com o TRT-8, localidades como Vitória do Xingu, no sudoeste paraense; Santarém, Alter do Chão e Oeiras do Pará, na região oeste; e São Sebastião da Boa Vista, no Marajó, estão sendo tomadas por fumaças e, consequentemente, inúmeros problemas de saúde pública. Entre os principais problemas à saúde estão os respiratórios, os impactos cardiovasculares, o estresse térmico e a exaustão, as irritações em olhos, gargantas, e outros danos como fadiga e queda no rendimento físico.

Para a juíza do Trabalho, titular da 2ª Vara de Santarém, Nágila Quaresma, em situações graves como o atual cenário, é fundamental que as empresas forneçam aos trabalhadores proteção no ambiente de trabalho. “O indicado é disponibilizar equipamentos de proteção individual (EPIs) como máscaras PFF2 ou N95 em áreas com forte densidade de fumaça (panos comuns ou máscaras cirúrgicas não filtram partículas finas); pontos de hidratação constante; pausas e sombra em locais arejados, frescos ou com ar-condicionado para reduzir o estresse térmico”, pontua.

Também são ações que podem ser feitas para reduzir os danos à saúde, o monitoramento da qualidade do ar, por meio de plataformas oficiais como o Painel Vigiar do Ministério da Saúde ou o SISAM para verificar os níveis de poluição na região, e a disponibilidade de atendimento médico.

“Nós, enquanto justiça, acompanhamos com preocupação este momento, pois sabemos que muitos lugares não possuem um plano de contingência para situações de emergências climáticas e episódios como este nos mostram o quanto isso é mais urgente do que se imagina. Vamos, inclusive, propor um encontro com o Ministério Público do Trabalho para ter uma real noção do impacto”, ressalta a magistrada.