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ENTREVISTA

Produtor de dendê pode ganhar R$ 20 mil por mês no Pará, revela Abrapalma

Cadeia do óleo de palma emprega 20 mil pessoas no estado e pode chegar a 80 mil postos de trabalho em dez anos, segundo o setor

Jéssica Nascimento

24 de outubro de 2026 às 17:00

Victor Almeida, presidente da Associação Brasileira de Produtores de Óleo de Palma (Abrapalma).

Victor Almeida, presidente da Associação Brasileira de Produtores de Óleo de Palma (Abrapalma). ( Foto: Foto: Ivan Siqueira | Abrapalma )

A produção de óleo de palma pode representar uma alternativa de renda para produtores rurais do Pará, especialmente aqueles que trabalham com atividades de menor rentabilidade, como a pecuária extensiva. Segundo Victor Almeida, presidente da Associação Brasileira de Produtores de Óleo de Palma (Abrapalma), um produtor de dendê com plantação no pico produtivo pode alcançar uma renda mensal de R$ 20 mil, com lucro estimado em R$ 10 mil.

“Um produtor rural que plantou o dendê oito anos atrás, com o plantio já no pico produtivo, vai ter uma renda de R$ 20 mil por mês, que dá em torno de R$ 10 mil por mês de lucro. Então, é uma renda bem relevante”, afirma Almeida, em entrevista ao Grupo Liberal.

O retorno financeiro, porém, exige tempo de investimento. De acordo com o presidente da Abrapalma, os três primeiros anos são dedicados ao plantio e ao crescimento das árvores. A produção começa entre o quarto e o quinto ano, quando o produtor pode obter uma renda mensal de R$ 5 mil a R$ 6 mil. O faturamento cresce gradualmente até alcançar cerca de R$ 20 mil mensais no oitavo ano de cultivo.

“Ela começa a produzir no quarto, quinto ano e ele vai ter uma renda em torno de R$ 5 a R$ 6 mil reais por mês, até chegar nos R$ 20 mil no oitavo ano”, explica.

Setor pode quadruplicar empregos

Além da geração de renda no campo, a cadeia produtiva do óleo de palma tem potencial para ampliar a oferta de empregos no Pará. Atualmente, o setor movimenta 20 mil empregos diretos no Estado. A expectativa da Abrapalma é elevar esse número para 80 mil nos próximos dez anos, caso a área plantada alcance 1 milhão de hectares.

“Hoje, a cadeia já movimenta 20 mil empregos diretos no Pará. E o potencial, se a gente chegar em 1 milhão de hectares, que é a nossa meta para os próximos dez anos, é de triplicar isso. A meta é ir para 80 mil empregos”, destaca Almeida.

O dirigente também aponta a cultura do dendê como uma alternativa à pecuária extensiva em áreas com condições climáticas adequadas. A palma necessita de regiões com altos índices de chuva, característica presente em partes do território paraense.

Victor Almeida, presidente da Associação Brasileira de Produtores de Óleo de Palma (Abrapalma).
Victor Almeida, presidente da Associação Brasileira de Produtores de Óleo de Palma (Abrapalma). (Foto: Ivan Siqueira | Abrapalma)

“O grande concorrente da palma é a pecuária extensiva, que é a atividade agroeconômica de menor rentabilidade por hectare. Então, a palma é um substituto natural dessa pecuária de baixo valor agregado”, avalia o presidente da Abrapalma.

A expansão da cultura, segundo a entidade, pode combinar aumento da produção, geração de empregos e melhoria da renda de produtores rurais, desde que sejam superados os desafios para ampliar a atividade no estado.