O Ministério Público do Estado do Pará (MPPA) realizou, na manhã desta sexta-feira (2), uma operação de busca e apreensão na Prefeitura de Marabá, no sudeste do Pará, e na casa do prefeito do município, Toni Cunha (PL). Em seu perfil próprio nas redes sociais, o gestor afirmou que foram apreendidos objetos pessoais e R$ 10 mil em sua residência. O procedimento investigatório do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) tramita sob sigilo, e o MPPA não divulgou detalhes sobre os alvos ou os fatos apurados.
No vídeo publicado horas depois da operação, Toni Cunha confirmou que as medidas de busca e apreensão alcançaram as dependências da Prefeitura de Marabá e também sua residência. O prefeito questionou o fato de a operação ter sido realizada a dois dias do primeiro turno das eleições.
“Hoje, a dois dias do processo eleitoral, as dependências da Prefeitura de Marabá e também a minha residência sofreram medidas de busca e apreensão. Me pergunto: isso não poderia ter sido feito na segunda ou terça?”, disse.
Na sequência, o prefeito afirmou que, segundo as informações que recebeu, a investigação estaria relacionada a um contrato de iluminação pública. “E o principal: o argumento da busca não é sequer eleitoral. É uma suposta investigação de um contrato de iluminação pública que tirou a nossa cidade do escuro, e foi inclusive objeto de apuração do Tribunal de Contas, que atestou a legalidade”, declarou.
A assessoria de comunicação do MPPA não confirmou que a operação tenha como objeto o contrato de iluminação pública citado pelo prefeito. Em nota, o órgão informou apenas que a ação foi realizada pelo Gabinete de Segurança Institucional (GSI) em Marabá e que, como o procedimento tramita sob sigilo, não poderia divulgar informações adicionais.
Toni Cunha também relatou o que, segundo ele, teria sido levado durante as buscas realizadas em sua residência. “Levaram daqui: pertences pessoais, pendrives, fotos, e a quantia de, salvo engano, R$ 10 mil, que eu inclusive havia sacado”, afirmou.
PL divulga nota em defesa de Toni Cunha
Após a operação, o Diretório Estadual do Partido Liberal (PL) divulgou uma nota oficial em que manifesta solidariedade ao prefeito de Marabá, Toni Cunha, e classifica a medida como “indevida e desproporcional”. A nota é assinada pelo deputado federal Joaquim Passarinho, presidente estadual do PL no Pará.
Na manifestação, o partido afirma que os fatos relacionados à operação já teriam sido analisados anteriormente por órgãos de controle. “Os fatos que, segundo as informações até aqui divulgadas, motivaram a medida não são novos e já foram submetidos ao exame dos órgãos de controle competentes. A Câmara Municipal de Marabá os apreciou em agosto de 2025 e deliberou pelo arquivamento de todas as denúncias, por ampla maioria de seus vereadores”, diz o comunicado.
O PL também cita o Tribunal de Contas dos Municípios do Estado do Pará (TCM-PA) e afirma que o órgão teria analisado os mesmos atos de gestão. “O Tribunal de Contas dos Municípios do Estado do Pará, por sua vez, analisou tecnicamente os mesmos atos de gestão e concluiu pela inexistência de irregularidade, registrando que foram praticados em conformidade com a lei”, acrescenta a nota.
A legenda questiona ainda a realização da operação às vésperas das eleições. “Diante desse histórico, causa estranheza que providência de tamanha gravidade seja executada às vésperas das eleições, quando seus efeitos sobre o debate público são imediatos e de difícil reparação. O Partido não formula juízo sobre as razões que a determinaram, mas entende que a coincidência de datas merece ser esclarecida à sociedade”, afirma o texto.
Ao final, o partido afirma respeitar as instituições e manifesta confiança no resultado da investigação: “O Partido Liberal reafirma seu respeito às instituições e sua confiança de que a apuração, conduzida com isenção e observância do devido processo legal, confirmará a regularidade dos atos examinados”.
Prefeitura
À reportagem, a Prefeitura de Marabá informou que as diligências foram realizadas em setores da gestão municipal, e que os processos licitatórios mencionados nas investigações foram feitos dentro da legalidade. A nota reforça que o TCM-PA não identificou irregularidades nos processos investigados. “A Prefeitura de Marabá ressalta que atua com transparência e a legalidade em seus processos de contratação e permanece à disposição para colaborar com quaisquer investigações, prestando as informações e o suporte necessários aos órgãos de controle e fiscalização”, finalizou.
