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SUPOSTA FUGA

Piloto afirma que Flávio Bolsonaro está em lista de voo na Argentina, diz jornal

Jato aguardava quatro passageiros em Puerto Iguazú; não há confirmação de que senador tenha chegado ao aeroporto

O Liberal

27 de outubro de 2026 às 13:26

Senador Flávio Bolsonaro

Senador Flávio Bolsonaro ( Foto: Joédson Alves / Agência Brasil )

O piloto Mauro Mattosinho afirmou nesta terça-feira (27) ter recebido informações de que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) constava na lista de passageiros de um voo executivo que aguardava em Puerto Iguazú, na Argentina, com destino aos Estados Unidos, segundo a Folha de S.Paulo. Não há confirmação de que o parlamentar tenha chegado ao aeroporto ou embarcado na aeronave.

De acordo com Mattosinho, um funcionário do aeroporto informou que o jato Gulfstream G400, de matrícula LV-JQW, operado pela empresa argentina Baires Fly S.A., aguardava quatro passageiros, entre eles Flávio. O piloto disse que a decolagem estava inicialmente prevista para as 2h da madrugada, mas a aeronave permanecia na pista às 7h.

Ainda de acordo com o relato, três passageiros haviam se apresentado por volta de 1h30, mas problemas com a documentação impediram a decolagem. O funcionário também teria informado que o campo destinado aos documentos de identificação de Flávio estava em branco.

A informação foi repassada ao piloto durante a madrugada por um funcionário que não quis ser identificado. A Direção Nacional de Migrações da Argentina, porém, afirmou não haver registro de entrada do senador no país.

Jato saiu de Buenos Aires

A possível viagem foi noticiada inicialmente pelo site argentino Infobae, que identificou a aeronave e informou que a empresa Baires Fly havia solicitado procedimentos alfandegários e migratórios para quatro passageiros e três tripulantes.

Dados da plataforma FlightRadar24 indicam que o avião saiu de Buenos Aires às 22h14 de segunda-feira (26) e pousou em Puerto Iguazú às 23h45. O aeroporto fica a cerca de 22 quilômetros da fronteira com o Brasil, distância que pode ser percorrida de carro em aproximadamente meia hora, sem contar o tempo dos procedimentos migratórios e aduaneiros.

Mattosinho trabalhou na Táxi Aéreo Piracicaba (TAP), empresa que transportava empresários investigados na Operação Carbono Oculto, que apura um esquema de lavagem de dinheiro e fraudes no setor de combustíveis, com suspeitas de ligação com o Primeiro Comando da Capital (PCC). O piloto já relatou à Polícia Federal informações sobre o uso de jatos executivos por empresários e políticos.

Neste ano, ele concorreu a uma vaga de deputado federal por São Paulo pelo PSB. Recebeu 404 votos e não foi eleito.

PF monitora fronteiras

A Polícia Federal investiga se Flávio Bolsonaro deixou o Brasil. Segundo informações publicadas pela coluna de Mônica Bergamo, da Folha, agentes verificam registros nos pontos de fronteira e também checam voos entre os dois países. Até o momento, não havia confirmação de que o senador tivesse cruzado oficialmente a fronteira com a Argentina.

O senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha presidencial de Flávio, negou que ele tenha deixado o Brasil. Autoridades argentinas também afirmaram não haver registro de entrada do parlamentar.

Na segunda-feira (26), o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou o cancelamento dos passaportes de Flávio e proibiu sua saída do Brasil, segundo informações publicadas pela Folha. A decisão ocorreu após a derrota do senador para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno da eleição presidencial.