Três ações da Polícia Federal realizadas no Pará ao longo de setembro, todas relacionadas a suspeitas de crimes eleitorais, resultaram na apreensão ou movimentação de quase R\$ 2,9 milhões em espécie e em nove prisões em flagrante. Os casos envolveram o candidato a deputado federal Manoel Pioneiro (Republicanos), o deputado federal e candidato à reeleição Antônio Doido (MDB) e pessoas apontadas como ligadas aos irmãos João Coelho (PDT) e Adriano Coelho (MDB), candidatos a deputado estadual e federal, respectivamente. O maior volume foi registrado em 16 de setembro, quando dois homens foram presos após a retirada de R\$ 2,5 milhões em espécie de uma agência bancária de Belém. Segundo a PF, a investigação apura a origem dos recursos e a possibilidade de que o dinheiro, supostamente proveniente de desvio de recursos públicos, fosse utilizado para financiamento irregular de campanha eleitoral. A ação teve participação da Controladoria-Geral da União (CGU). Os dois homens permaneceram presos após audiência de custódia realizada no dia 17 deste mês, pelo Tribunal Regional Eleitoral do Pará (TRE-PA). A reportagem procurou o TRE-PA para atualizar a situação dos suspeitos e confirmar se eles permanecem detidos, e aguarda retorno. Além dos R\$ 2,5 milhões, a PF apreendeu uma arma de fogo e outros materiais. João Coelho, vereador de Belém e candidato a deputado estadual, e Adriano Coelho, deputado estadual e candidato a deputado federal, foram apontados como relacionados ao caso, mas não foram presos na ação. Antônio Doido Onze dias depois, em 27 de setembro, a PF cumpriu quatro mandados de busca e apreensão em endereços relacionados ao deputado federal Antônio Doido, candidato à reeleição. A ação resultou na apreensão de R\$ 87.475 em dinheiro, três veículos, aparelhos eletrônicos e documentos. Uma pessoa foi presa em flagrante sob suspeita de corrupção eleitoral. Segundo a PF, parte do dinheiro estava em envelopes identificados com nomes de pessoas e acompanhados de uma relação com nomes e registros de assinaturas de recebimento. Em um dos imóveis, um celular foi encontrado escondido no sistema de esgoto, próximo a duas sacolas com maços de dinheiro. A investigação tramita sob sigilo e busca esclarecer a origem e a destinação dos valores. Manoel Pioneiro Dois dias depois, em 29 de setembro, a PF prendeu seis pessoas em Belém durante uma diligência que incluiu o saque de R\$ 300 mil em espécie em uma agência bancária. Segundo a corporação, o dinheiro foi repartido entre os investigados ainda dentro da instituição financeira, havendo indícios de possível destinação à prática de corrupção eleitoral. Entre os seis presos está Manoel Pioneiro, candidato a deputado federal e ex-prefeito de Ananindeua. Os demais são Caio Henrique Silva da Silva, Fabrício Silva Nunes, Gleidson Hanlde Modesto de Oliveira, Ricardo Augusto Soares Gimenes e Victor Augusto Sampaio Damas. O grupo foi preso em flagrante por suspeitas de corrupção eleitoral, lavagem de dinheiro e associação criminosa. Em nota divulgada nesta quarta-feira (30), a assessoria de Manoel Pioneiro afirmou que o saque de R\$ 300 mil ocorreu dentro da normalidade e não teve relação com atividade de campanha ou finalidade político-eleitoral. Segundo a manifestação, o candidato é empresário do setor agropecuário e realiza regularmente movimentações financeiras para atender a necessidades pessoais e empresariais. Quase R\$ 2,9 milhões Somados os valores dos três casos, chegam a R\$ 2.887.475,00 os recursos em espécie apreendidos ou movimentados nas ações, considerando os R\$ 2,5 milhões retirados da agência em 16 de setembro, os R\$ 87.475 apreendidos na ação envolvendo Antônio Doido (27) e os R\$ 300 mil identificados no caso de Manoel Pioneiro (29). Além disso, são nove as prisões em flagrante registradas nos três episódios: duas no caso dos irmãos Coelho, uma na ação envolvendo Antônio Doido e seis no caso de Manoel Pioneiro. Apesar de terem em comum a apuração de possíveis crimes eleitorais e a circulação de grandes quantias em dinheiro, as três investigações são distintas. As suspeitas, os envolvidos e a origem e destinação dos recursos ainda são objeto de apuração da Polícia Federal. Até o momento, os valores citados pelas investigações correspondem a dinheiro apreendido ou identificado nas diligências e não representam, necessariamente, recursos cuja origem ilícita tenha sido comprovada. As investigações seguem em andamento.